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Com estados em colapso por Covid, Pazuello diz que sistema de saúde 'não colapsou nem vai colapsar'

"Vivemos um momento grave no país, com muitas perdas de vidas que foram causadas principalmente pelas novas variantes do coronavírus. Nosso sistema está muito impactado, mas não colapsou nem vai colapsar", afirma o ministro, que passa a fazer um apelo à população.

quinta-feira, 11/03/2021, 08:56 - Atualizado em 11/03/2021, 10:38 - Autor: FOLHAPRESS


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| Reprodução

Em um momento em que várias capitais e estados registram superlotação leitos de UTI para Covid e que o país atinge a marca inédita de 2.349 mortes em 24h, o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, gravou um vídeo na última quarta-feira (10) em que afirma que o sistema de saúde está "muito impactado, mas não colapsou nem vai colapsar".

A declaração vai na contramão de anúncios feitos por secretários da Saúde de diferentes pontos do país nos últimos dias, os quais tem apontado índices próximos de ocupação máxima dos leitos disponíveis para a doença, naquele que já é o pior momento da epidemia até agora.

Levantamento divulgado pela Folha de S.Paulo nesta quarta mostra que apenas duas capitais têm hoje ocupação de leitos abaixo de 80% -enquanto 16 já se aproximam ou estão em cenário que indicaria um colapso, com entre 90% e 100% das vagas em uso.

No vídeo, Pazuello admite que o país vive um "momento grave", mas volta a citar as variantes do novo coronavírus como a principal causa do problema -deixando de apontar outros fatores citados por especialistas, como a queda na adesão ao isolamento.

"Vivemos um momento grave no país, com muitas perdas de vidas que foram causadas principalmente pelas novas variantes do coronavírus. Nosso sistema está muito impactado, mas não colapsou nem vai colapsar", afirma o ministro, que passa a fazer um apelo à população.

"Peço a cada brasileiro que cuide um do outro e siga as orientações básicas recomendadas e exigidas para proteção coletiva e nos ajude a cuidar do Brasil. É um momento que requer união nacional para que juntos possamos superá-lo."

O ministro também volta a dar declarações contraditórias sobre o volume de vacinas previstas para o mês de março. Mais cedo, Pazuello disse em evento no Planalto ter garantidas de "22 a 25 milhões" de doses de vacinas para este mês.

Já na gravação, ele diz que a previsão é que a pasta alcance 46 milhões de doses distribuídas até o fim de março -o que indicaria 26 milhões de doses além dos 20 milhões já entregues.

A declaração contrasta com resposta dada pela pasta a pedido feito pelos presidentes da Câmara, Arthur Lira, e do Senado, Rodrigo Pacheco, sobre o cronograma de entrega de vacinas contra a Covid.

No pedido, eles perguntam se o cronograma apresentado pela pasta na última semana ao Senado estava mantido, o que o ministério confirma. O cronograma da época, no entanto, previa a entrega ainda neste mês de 8 milhões de doses da vacina indiana Covaxin -o que já não é mais citado em documentos recentes da pasta, tampouco pelo ministro na gravação.

A dificuldade em cumprir as previsões é citada por Pazuello no vídeo. Segundo ele, "o mundo ainda não tem oferta regular de vacinas, e vários laboratórios não estão cumprindo entregas".

"Diante disso, cada país prioriza sua população. A dependência de insumos e vacinas leva-nos a manter ação diplomática de forma permanente que garanta cumprimento de nosso cronograma de produção e chegada de vacinas e insumos", afirma o ministro, que enviou ofício à Embaixada da China com pedido de apoio nesta terça para obter doses da Sinopharm.

Apesar das dificuldades, o ministro volta a citar a previsão de vacinar metade da população brasileira "vacinável" (como os maiores de 18 anos) até a metade do ano. Diz ainda ter uma "unidade nacional indissolúvel" com estados, municípios e o Congresso para romper entraves.

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