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APOIO DOS ESTADOS UNIDOS E OMS

Governadores articulam cooperação internacional e consórcios para conter pandemia

Ações ocorrem em meio ao agravamento do número de contágios e mortes pela Covid-19 e à falta de ações concretas do Governo Federal

domingo, 07/03/2021, 17:50 - Atualizado em 07/03/2021, 17:50 - Autor: DOL com informações do portal O Globo


Helder Barbalho (de terno azul) e outros governadores visitaram a fábrica da União Química, responsável pela fabricação da Sputnik V no Brasil
Helder Barbalho (de terno azul) e outros governadores visitaram a fábrica da União Química, responsável pela fabricação da Sputnik V no Brasil | Agência Pará

Diante do cenário de agravamento da pandemia da Covid-19 e a falta de ações concretas do governo federal para frear o número de mortes e contágio pela doença, os governadores dos 26 Estados e do Distrito Federal se mobilizam para conseguir imunizar a população, formando consórcios e buscando, por conta própria, cooperação internacional. As informações são do portal O Globo. 

Na última semana, por exemplo, foi anunciada a formação de um consórcio para a compra da Sputnik V, vacina desenvolvida na Rússia pelo Instituto Gamaleya e que tem eficácia de 91,6%, de acordo com dados publicados na revista científica Lancet. 

O governador do Pará, Helder Barbalho, visitou a fábrica da União Química, indústria responsável pela fabricação no Brasil da Sputnik V, na última terça-feira (2), acompanhado de outros governadores que buscam a compra direta dos imunizantes.

Além disso, os chefes dos Executivos estaduais cogitam ir diretamente a entidades internacionais, como a Organização Mundial da Saúde (OMS), para garantir prioridade ao Brasil no envio de outros imunizantes. Eles também articulam o estabelecimento de critérios unificados, com base em indicadores como lotação de leitos de UTI, para adoção de medidas restritivas em cada estado.

O distanciamento cada vez maior com relação ao presidente Jair Bolsonaro, ainda que em diferentes escalas, inclui mesmo tradicionais aliados como os governadores Cláudio Castro (Rio de Janeiro), Ronaldo Caiado (Goiás) e Ratinho Júnior (Paraná), que assinaram, na semana passada, uma carta com críticas a Bolsonaro.

GRUPO DE TRABALHO DE GOVERNADORES

Para o governador do Espírito Santo, Renato Casagrande (PSB), há nuances nos posicionamentos, já que “alguns não querem ficar mal com o presidente nem receber ataques de sua militância”.

Um dos que criticam abertamente Bolsonaro, Casagrande defende um grupo de trabalho de governadores junto ao Congresso para acompanhamento da vacinação. A proposta foi, inclusive, acertada em reunião com o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL).

O grupo seria uma alternativa para que os governadores participem de tratativas diplomáticas que priorizem o Brasil no envio de vacinas, embora o plano inicial seja uma negociação via Itamaraty. Também não está descartado um contato direto com a OMS.

“Isso passa pelo nosso horizonte, sim. Mas estamos nos concentrando, neste momento, no diálogo interno. Se o próprio Ministério da Saúde fala que podemos chegar a três mil mortes diárias, esperamos que isso seja acompanhado de atitudes do governo”, diz Casagrande em entrevista ao portal O Globo.

CARTAS COM CRÍTICAS AO GOVERNO FEDERAL

Na semana passada, duas cartas divulgadas pelo Fórum de Governadores expuseram oscilações no tom e na adesão às críticas a Bolsonaro. A primeira, na segunda-feira (1º), teve assinaturas de 19 governadores, incluindo Ratinho Júnior, Caiado e Castro.

O documento criticou “a linha da má informação e da promoção do conflito” adotada por Bolsonaro e, referindo-se a uma publicação do presidente nas redes, disse que os repasses da União aos estados se tratam de “expresso mandamento constitucional”.

Em seu post, Bolsonaro incluiu no cálculo de repasses valores de transferências obrigatórias e sem relação com a pandemia, como os relativos ao Fundeb, além do auxílio emergencial, aprovado pelo Congresso. 

Os governadores do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB), e da Bahia, Rui Costa (PT), entraram com pedido no Supremo Tribunal Federal (STF) para “remoção ou a correção de publicação enganosa”, que foi replicada no perfil da Secretaria de Comunicação da Presidência.

Para Dino, o presidente “só se move (no combate à pandemia) quando os governadores pressionam”.

“Até o momento, a ideia consensual dos governadores é comprar vacinas e entregá-las ao Plano Nacional de Imunização (PNI). Mas é claro que isso pode ser revisto. O governo federal não tem consistência”, afirmou Flávio Dino.

Com 14 assinaturas, a carta de quinta-feira pediu ao governo federal rapidez nos acordos com farmacêuticas para a chegada de doses ainda no primeiro semestre, sugerindo pela primeira vez uma mediação da OMS.

COOPERAÇÃO INTERNACIONAL COM ESTADOS UNIDOS

Em outro movimento desse esforço para garantir a imunização da população brasileira, o Governador do Estado do Pará, Helder Barbalho, fez um apelo ao embaixador dos Estados Unidos no Brasil, Todd Chapman, nesta sexta-feira (5), para que o governo norte-americano ajude os Estados da Amazônia brasileira a garantir lotes de vacinas contra Covid-19 para compra. O diálogo ocorreu durante reunião dos Estados que integram a Amazônia Legal. 

“Nós não estamos pedindo vacina, nós estamos pedindo o apoio político, institucional para que os EUA possam nos ajudar a comprar vacina e, com isso, garantir que possamos proteger a nossa população”, disse Helder Barbalho durante a reunião por videoconferência.

“Esse é o apelo que lhe faço: olhem pelos amazônidas e ajudem a salvar a população da Amazônia com a mesma dimensão da preocupação que os EUA têm para salvar a floresta, em face da importância da Amazônia para o clima do planeta”, complementou o governador do Pará. 

No Twitter, Helder ressaltou que a reunião foi um passo importante para alinhar o “fortalecimento de captação de recursos e cooperação internacional” entre os Estados Unidos e os Estados da Amazônia Legal. 

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