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EMOÇÃO

Jovem com câncer morre 10 dias após se casar com seu grande amor

Adarlele e Ruan Pablo se casaram no início de fevereiro; ela encarava a doença pela terceira vez

segunda-feira, 01/03/2021, 17:15 - Atualizado em 01/03/2021, 17:15 - Autor: Com informações Correio do Povo


Imagem ilustrativa da notícia Jovem com câncer morre 10 dias após se casar com seu grande amor
| Reprodução/Arquivo Pessoal

As fortes dores não esconderam o sorriso de Adarlele Ribas Andrade de Lara, de 26 anos. Em cuidados paliativos por causa de um câncer, levantou-se da cadeira de rodas na metade do trajeto até o altar e seguiu em pé ao encontro do noivo, Ruan Pablo de Lara, de 27, que tentou, em vão, segurar as lágrimas.

 

Reprodução/Arquivo Pessoal
 

Nesse momento, os convidados presentes na Paróquia Nossa Senhora da Salette, em União da Vitória, no sul do Paraná, não conteve a emoção. Adarlele viveu em 6 de fevereiro a realização do grande sonho que alimentou entre os vestidos de noivas na loja em que trabalhava.

 

Reprodução/Arquivo Pessoal
 

Dez dias depois da cerimônia, a vendedora faleceu pela doença que a cometia pela terceira vez. No momento da partida, a caçula de cinco irmãos estava ao lado da mãe, Lúcia Glaab de Andrade, de 60 anos, no Hospital de Clínicas, em Curitiba.

 

Reprodução/Arquivo Pessoal
 

“Rezou o Pai Nosso, a Ave Maria, cantou pra mãezinha do céu duas vezes. Na terceira não conseguiu e foi com Deus”, recordou-se a mãe. “Está sendo muito difícil”, disse a Lúcia emocionada.

COMEÇO DE TUDO

Ada fazia aniversário em 22 de maio. No último, em 2020, um rapaz decidiu parabenizá-la em uma rede social. E dentro de um mês, ela e Ruan, que trabalha como programador, tiveram o primeiro encontro.

“A gente se deu muito bem desde primeira conversa [pela internet]. Um começava a escrever, o outro escrevia a mesma frase. Foi de primeira”, contou o viúvo. “Vivemos muito em pouco tempo”, indicou.

Dali em diante, os cerca de 20 km entre União da Vitória e Porto Vitória (SC), onde a jovem estava morando, pareciam cada vez mais próximos. Tanto que começaram a namorar em 12 de junho, Dia dos Namorados.

“Ela falava que ele era o príncipe encantando dela. É uma história de filme, uma prova que o amor verdadeiro existe”, afirmou o irmão da jovem Adnilson de Andrade, de 32 anos.

Quando o casal se conheceu, Ada se considerava curada de um tumor no braço esquerdo descoberto aos 23 anos e que a deixou com dificuldades para movimentá-lo. Vencer a doença não era novidade para ela. Aos sete, já havia superado um tumor no rim.

E, agosto, uma bolinha que surgiu na testa e os médicos diagnosticaram a metástase do tumor. A doença reapareceu na cabeça, na coluna e na bacia.

“Desistir jamais. Nunca passou nem pela minha cabeça nem pela dela. Ela lutou até o fim. A gente sempre acreditou no milagre”, disse Ruan.

No decorrer do tratamento, eles se uniram ainda mais. A decisão de casar foi bem recebida pelas famílias. Em meio à pandemia da Covid-19, a organização da cerimônia foi cercada de cuidados. Não houve festa, e a igreja recebeu um terço da capacidade. Com o aumento de casos da doença no estado, a data ficou para fevereiro.

Ao passo que fevereiro se aproximava, o quadro da noiva se agravava. Às vésperas da cerimônia, ela encarou dez dias de internação por causa da forte anemia e das dores.

A família não esconde a gratidão pela equipe do hospital. Uma ambulância com médico e enfermeiro levou a jovem, que estava internada, para provar o vestido ao lado da mãe. Algumas pessoas que participaram do tratamento estavam na cerimônia.

“A hora que estavam saindo da igreja, o Ruan levando ela sentada na cadeira de rodas. Os dois chorando, todo mundo aplaudindo. Ela aplaudia junto com o sorriso mais lindo do mundo”, contou o irmão.

OS ÚLTIMOS DIAS

O casamento não era o único sonho de Ada, que se dividia entre trabalho e faculdade. Ela sonhava em ser mãe, impedida pelos tratamentos agressivos, ela resolveu adotar um cãozinho de um ano e meio que agora mora apenas com Ruan na casa onde o casal vivia.

Após o casamento, em um sábado, a jovem ficou bem até a terça-feira, contou o marido. Sentia dores, mas a medicação controlava. No dia seguinte, ela foi de ambulância para uma consulta em Curitiba e ficou internada.

O pai, o marido e os irmãos iriam para visitas, conciliando horários com os trabalhos. Na semana seguinte, eles foram chamados às pressas do sul para a capital.

“Na metade do caminho o Ruan disse que não adiantava a gente correr, que a gente já estava atrasado”, lembrou o irmão. “Eu estava sozinha com ela. Só eu e ela. E Deus comigo”, disse a mãe.

| Reprodução/Arquivo Pessoal
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