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COMBATE AO CORONAVÍRUS

Butantan trabalha 24 horas e começa a entregar quase 4 milhões de doses de vacina

Sob os holofotes, em plena pandemia de covid-19, o instituto completa 120 anos nesta terça-feira (23).

terça-feira, 23/02/2021, 09:42 - Atualizado em 23/02/2021, 09:55 - Autor: Com informações do portal UOL


Imagem ilustrativa da notícia Butantan trabalha 24 horas e começa a entregar quase 4 milhões de doses de vacina
| Butantan

Trezentos funcionários atuam em turnos de 12 horas para produzir a CoronaVac, vacina contra covid-19, no Instituto Butantan, na zona oeste de São Paulo. A equipe é dividida em quatro grupos e cada um tem folga de 36 horas para cada período trabalhado. Desse grupo, 150 pessoas foram contratadas no ano passado.

A fábrica funciona 24 horas por dia —depois de ter ficado parada por três semanas, por falta de insumos. Hoje, 3,9 milhões de doses recém-produzidas começam a ser entregues para o Ministério da Saúde. O plano original previa a entrega de 3,4 milhões de doses, mas o Butantan anunciou hoje cedo que ampliou em mais 500 mil.

O Butantan fabrica um milhão de doses de CoronaVac por dia. O instituto —ligado ao governo de São Paulo— quer duplicar a produção depois de terminar todo o envase da vacina contra o vírus da Influenza, causador de um tipo de gripe. A previsão para que isso ocorra é entre abril e maio.

A história começou após uma tragédia —em 1887, a filha do então presidente da província de São Paulo, Rodrigues Alves, morreu de febre amarela —na época, a multiplicação de casos virou epidemia e matou milhares de brasileiros. Ele, então, criou um laboratório para investigar esse tipo de doença, com os principais nomes da ciência no país.

Ao entrar em um dos espaços de armazenamento, o gerente do núcleo de Formulação e Envase da CoronaVac, Ênio Xavier, mostra o crachá a um sensor e, na sequência, abaixa sua máscara de proteção para o reconhecimento facial. A entrada é por uma porta de chumbo que pesa duas toneladas. Lá dentro, sob uma temperatura de 5 ºC, repousam em caixas de alumínio —todas trancadas— as doses e os insumos.

O IFA é a substância usada para produzir a vacina e chegou pronto da China, enviado pelo laboratório Sinovac Biotech, parceiro do Butantan no desenvolvimento da CoronaVac. Com o produto em mãos, o trabalho do Butantan é completar o processo de produção e colocar dentro dos frascos o imunizante.

Em uma das salas, onde o insumo começa a ser envasado, ficam dois cientistas com trajes de paramentação médica idênticos aos de uma usina nuclear. Ali, uma máquina monitora e filtra o ar da sala para que nenhum micro-organismo esteja presente no ar e contamine as vacinas —no menor sinal de partículas no ar, um alarme dispara.

Até a velocidade com que esses cientistas se mexem importa. Eles não podem gesticular ou andar rapidamente para não soltar partículas no ar. De luvas, eles devem passar álcool 70% nas mãos sempre que tocarem em algum instrumento. Depois, permanecem sentados, com as palmas das mãos viradas para cima, até que o composto seque completamente.

Dali, a vacina sai pronta e segue numa esteira para outra sala. Nessa etapa, três cientistas separam as doses em caixas e as encaminham para a inspeção, que vai conferir se há alguma partícula estranha dentro do frasco ou se o vidro está danificado.

Para isso, há um time de nove pessoas (mulheres em sua maioria) que faz esse trabalho manualmente, de três em três frascos. "Após a inspeção, o controle libera para a dose ser rotulada e embalada. E aí são encartadas nas caixas, para só depois sair do Butantan e ir para o embarque para todo canto do país", disse Ênio Xavier.

A CoronaVac foi a primeira vacina aplicada no Brasil, em 17 de janeiro. Além dela, a Oxford/AstraZeneca também está sendo produzida em território nacional, pela Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz), no Rio de Janeiro.

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