Edição do dia

Edição do dia

Leia a edição completa grátis

Previsão do Tempo
33°
cotação atual R$

Notícias / Notícias Brasil

SAÚDE

22,8 mil leitos foram reabertos no SUS no meio da pandemia da covid-19

segunda-feira, 27/07/2020, 15:42 - Atualizado em 27/07/2020, 15:42 - Autor: Com informações de Correio Braziliense


| Marcelo Seabra/Agência Pará

Em meio ao cenário caótico de transmissão da covid-19 no Brasil, 22,8 mil vagas para internação foram reabertas, depois de uma década de fechamentos de leitos do Sistema Único de Saúde (SUS). É a primeira vez nos últimos 10 anos que, ao invés de interromper o serviço, houve investimento nesse tipo de infraestrutura para mais de 75% da população brasileira que depende exclusivamente de unidades públicas de assistência em saúde. Apesar dos leitos terem sido contratados temporariamente, o desafio é manter parte das ampliações funcionando no pós-pandemia.

Quase 41 mil leitos públicos foram fechados desde 2011, quando o país contava com 335 mil espaços de internação do SUS, destinado para internações superiores a 24 horas, segundo levantamento feito pelo Conselho Federal de Medicina (CFM), junto ao Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (CNES). O número baixou para 294 mil, em janeiro de 2020. De acordo com o CFM, 20 estados e 19 capitais brasileiras perderam leitos na rede pública na última década. Só no estado do Rio de Janeiro, por exemplo, 11.055 leitos foram desativados. Na sequência, aparecem São Paulo (com 8.031 a menos) e Minas Gerais (-5.168).

Somente entre fevereiro e junho houve um incremento de mais 22,8 mil leitos de internação. Em Roraima, a rede pública passou de 1.064 para 1.439 leitos (aumento de 35%), grande parte deles na capital Boa Vista. Amapá passou de 953 para 1.152 leitos (21% a mais), assim como Sergipe, que teve o incremento de 353 leitos no período (15%). Em números absolutos, os estados que mais habilitaram leitos de internação no último ano foram São Paulo (5.354), com ênfase na capital, onde foram abertos quase 1.800 novos leitos; Pernambuco (2.697), também em função do aumento de 1.155 unidades na capital; e Minas Gerais (2.525).

A maioria dos contratos é temporária e provisória, voltada para hospitais de campanha. Para o CFM, a tendência é que, com o fim da crise causada pela covid, voltem a ser desativados. “Muitos desses leitos foram criados no formato hospital de campanha, instalados em praças públicas, em ginásios, campos de futebol. A gente sabe que eles serão desativados e nós vamos perder a maioria. O local onde foram criados não proporciona uma perspectiva positiva”, explica o primeiro secretário do CFM, Hideraldo Cabeça. 

Dentre as especialidades mais afetadas no período, em nível nacional, estão psiquiatria (-19.690), pediatria clínica (-13.642 leitos), obstetrícia (-7.206) e cirurgia geral (-4.008). Já os leitos destinados à clínica geral, ortopedia e traumatologia, oncologia e saúde mental foram os únicos que sofreram acréscimo superior a mil leitos na última década. “As áreas básicas estão com essa defasagem quando a gente vai esmiuçar as pesquisas. É claro que os leitos clínicos estão elevados, sobretudo devido a esse aumento temporário em meio à pandemia”, diz. 

Procurado sobre planejamentos em manter abertos leitos de internação habilitados durante a pandemia, o Ministério da Saúde informa: “Foram habilitados 11.084 leitos de UTI com investimento de R$ 1,5 bilhão. Todos os esforços estão direcionados para garantir a assistência à população diante da pandemia. Após o período de emergência, a manutenção será discutida com gestores estaduais e municipais de saúde.”

Conteúdo Relacionado


0 Comentário(s)

MAISACESSADAS