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DURANTE GOVERNOS DO PT

Luciano Hang fez 55 empréstimos com BNDES mesmo negando em vídeo

sábado, 25/07/2020, 11:19 - Atualizado em 25/07/2020, 11:19 - Autor: Com informações do portal Metrópoles


| Reprodução Facebook

O dono das lojas Havan, Luciano Hang, que teve a conta do Twitter derrubada nesta sexta-feira (24) por suspeita de disseminação de notícias falsas, já se declarou uma vítima das “fake news”, no passado, ao afirmar que nunca contraiu empréstimos junto ao banco público BNDES, durante o governo do Partido dos Trabalhadores (PT). Uma reportagem do Metrópoles, no entanto, descobriu com o próprio banco que Hang fez 55 empréstimos com o banco estatal. 

De acordo com o portal Metrópoles, Hang, de 57 anos, que é crítico recorrente da influência do Estado na economia, Luciano Hang, 57 anos, recorreu às ferramentas de financiamento governamental para montar o que hoje é considerado por especialistas um império do varejo.

Com 147 lojas espalhadas em 18 estados do país, Luciano (que ficou conhecido como “Veio da Havan”) conseguiu, entre 1993 e 2014, 55 empréstimos junto ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que totalizam, em valores atualizados pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), mais de R$ 72 milhões.

No passado, essas informações foram negadas pelo empresário, já que alguns dos principais empréstimos de Hang dataram justamente entre os mandados presidenciais de Luís Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff.

No entanto, os dados negados pelo empresário no passado e classificados de fake news foram obtidos pelo Metrópoles via Lei de Acesso à Informação (LAI). A reportagem revela que Hang contratou uma média de 1,6 empréstimo por ano desde a fundação da empresa.

Os maiores volumes foram obtidos em dois momentos-chave da expansão do empresário nascido em Brusque, cidade que é polo da indústria têxtil em Santa Catarina e onde ele mora até hoje com a mulher, Andrea. O casal tem três filhos, os gêmeos Lucas e Leonardo, hoje com 23 anos, e Matheus.

HISTÓRICO E EMPRÉSTIMOS PARA GERAR IMPÉRIOS

Hang começou a trabalhar aos 17 anos, na mesma fábrica de tecidos em que os pais eram operários. Aos 21, comprou uma pequena empresa do ramo e entrou no mundo dos negócios, com a meta de prosperar cada vez mais.

Ainda nos anos 1990, quando Hang separou-se do seu então sócio, Vanderlei de Limas – o nome Havan é a junção de sílabas que compõem nome e sobrenome dos fundadores –, e transformou a loja atacadista em varejo, foram contratados cinco empréstimos. A liberação do dinheiro ocorreu entre 1993 e 1997, ao longo das gestões Itamar Franco e Fernando Henrique Cardoso.

Mesmo em menor número, esses foram os valores mais elevados que o catarinense conseguiu junto ao banco estatal de fomento. Em cifras atuais, correspondem a R$ 33,9 milhões. 

Na época dos primeiros empréstimos, havia apenas uma loja Havan, em Brusque. Após a injeção de capital, Hang ampliou o negócio e passou a ter três unidades.

O segundo momento em que o empresário mais obteve dinheiro do BNDES foi ao longo dos governos petistas de Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff. Embora os valores liberados tivessem sido mais baixos em relação aos anteriores, o número de empréstimos aprovados se multiplicou e chegou a 50 no período.

Essa foi o período em que houve a maior expansão das lojas. Entre 2005 e 2014, Hang ampliou a quantidade de unidades e chegou a 57, com receita declarada em R$ 2 bilhões anuais.

O número de empréstimos obtidos pela Havan contrasta com os conseguidos por outros grandes grupos varejistas, que recorreram ao BNDES com menor frequência que Hang.

Segundo informações contidas na base de dados do banco a respeito de operações contratadas desde 2005, o Magazine Luiza fez 24 operações; as Lojas Americanas, 14; e as Lojas Renner, três.

Ao longo dos anos, as lojas Havan usaram seis bancos como intermediadores: Badesc, Banco do Brasil, Bradesco, Itaú, Banco Safra e Banco J. Safra.

A assessoria de Hang foi procurada pela reportagem para comentar os empréstimos, mas não havia se manifestado até a última atualização da reportagem.

Em vídeo publicado nas suas redes sociais em 2 de janeiro de 2020, Hang negou ter contratado empréstimos junto ao banco. Na gravação, ele assegurou que as informações eram falsas.

“Como se fosse verdade que o ‘Véio da Havan’ pegou, durante a época do PT, empréstimos do BNDES. Quero dizer para vocês que é mentira. É fake news! A Havan, durante a época do PT, não pegou empréstimos, até porque eu já era inimigo deles, né?”, disse Hang no vídeo. 

Na gravação, ele respondia a uma fala do deputado federal Alexandre Frota (PSDB-SP), que atribuiu o fato de o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) não ter feito a “abertura da caixa-preta do BNDES” devido à presença do nome de Hang por lá – o empresário catarinense é ferrenho apoiador do atual titular do Palácio do Planalto.

A reportagem do Metrópoles ainda questionou se Hang gostaria de mudar a sua versão a respeito do tema, já que o próprio banco público confirmou, de forma oficial, as operações no período. A assessoria do empresário, mais uma vez, não respondeu a esse questionamento e a nenhum dos demais assuntos abordados.

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