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SAÚDE

Queda no número de vacinas expõe a população a várias doenças no país

terça-feira, 23/06/2020, 08:09 - Atualizado em 23/06/2020, 08:19 - Autor: Pryscila Soares


| Nailana Thiely/UEPa

Um dos impactos gerados pela pandemia do novo coronavírus no Brasil é a baixa procura por vacinação, ofertada gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS), para o público infanto-juvenil. A redução da cobertura vacinal preocupa, uma vez que expõe pessoas nessa faixa etária a diversas doenças, como gripe, difteria, sarampo, tétano, coqueluche, meningite meningocócica, HPV e outras. Todas elas podem ser evitadas com vacinas disponíveis nas Unidades Básicas de Saúde (UBS) do paíse que integram o Calendário Nacional de Vacinação.

Vale ressaltar que muitas doenças comuns no mundo deixaram de ser um problema de saúde pública em virtude da vacinação massiva da população. Ao todo, existem 300 milhões de doses das vacinas incluídas no Calendário Nacional de Vacinação. Mas se a população não procurar pelo serviço, existe o risco desse material ter de ser descartado,já que há prazo de validade.

Líder mundial na fabricação de vacinas, a empresa Sanofi Pasteur é sediada na França e está presente no mundo inteiro com o objetivo de desenvolver vacinas para combater as principais doenças que causam impactos significativos na saúde pública. A empresa já fabricou vacinas contra a gripe, difteria, tétano, coqueluche e atualmente trabalha em duas vacinas para o coronavírus. São duas vacinas com tecnologias totalmente diferentes que, por enquanto, estão em fase pré-clínica. A fase clínica, que é a de teste em humanos, está prevista para começar no segundo semestre deste ano. “O Brasil faz parte desses estudos, o que é muito legal porque teremos a chance de ver a vacina sendo testada aqui para que em breve possa proteger a população toda”, explicou a diretora médica daempresa, Sheila Homsani.

SARAMPO

A médica ressaltou que, devido algumas dessas doenças não estarem em evidência, boa parte da população pode ter uma percepção errônea de que elas não existem. Mas a redução significativa dos casos de algumas doenças só foi possível devido boa parte dessa população ter se vacinado anteriormente, o que garantiu uma boa cobertura vacinal. “As pessoas não estão vendo difteria, coqueluche, sarampo, e acham que não existe. Muita gente era vacinada e, com isso, o número de casos começou a cair”, disse. “No caso do sarampo, vieram pessoas de fora, infectaram pessoas do nordeste que tinham uma baixa cobertura vacinal. Ou seja, não se vacinaram por não ‘verem’ a doença e o sarampo se espalhou. Não tínhamos sarampo brasileiro desde 2008 e perdemos o certificado de eliminação do sarampo. Isso ocorreu em 2018”, lembrou a médica, ao explicar que pessoas oriundas da Europa contaminaram brasileiros com sarampo no nordeste do país, fazendo com que surtos das doenças voltassem a ocorrer no Brasil, depois de um longo período erradicada.

Esse aumento no número de casos faz com que doenças como o sarampo comecem a se espalhar. A gripe, por exemplo, quando há uma pessoa infectada com o vírus, ela transmite para mais duas pessoas. Cada uma delas vai transmitir para mais duas e o crescimento é exponencial. “O coronavírus, por exemplo, gerou esse caos porque ninguém tem proteção. Ou seja, todos estão suscetíveis. O grande problema é não conseguir ter um controle da doença e colocar em risco a nossa população. Os vírus e as bactérias a gente não conseguem enxergar e se contaminar é muito fácil. Se as pessoas entendessem isso seria ótimo. A vacina é gratuita”, exemplificou.

Doenças como a meningite meningocócica podem causar sérios danos à saúde de crianças e adolescentes. E, mesmo assim, a procura pela vacina gratuita está em queda, conforme ressaltou Sheila Homsani. Segundo a médica, em torno de 20% dos adolescentes guardam na nasofaringe, situada na parte de trás do nariz, o meningococo, uma bactéria causadora da meningite meningocócica, doença que pode provocar sintomas graves. E pode ser facilmente transmitida por via oral. “O governo federal comprou uma vacina especial que combate esse tipo de meningite. É a mesma disponível na rede particular. Protege contra quatro grupos diferentes de meningococo, que podem matar em 24 horas ou causar sequelas graves como retardo mental e amputação de membros. A vacina é gratuita para os adolescentes e, atualmente, a cobertura está em torno de somente 30% dessa faixa etária.”

 

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