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INVESTIGAÇÕES

Delegado do caso João Pedro estava na ação que causou morte do menino

sexta-feira, 19/06/2020, 08:41 - Atualizado em 19/06/2020, 09:12 - Autor: FOLHAPRESS


O delegado responsável pela investigação do caso João Pedro estava na operação que causou sua morte.
O delegado responsável pela investigação do caso João Pedro estava na operação que causou sua morte. | Reprodução

O delegado responsável por investigar o caso do menino João Pedro Mattos, 14, estava presente na operação policial que terminou com a sua morte há um mês em São Gonçalo, na região metropolitana do Rio de Janeiro. Mesmo assim, continua presidindo o inquérito que apura o homicídio.

Allan Duarte é titular da delegacia de homicídios da região e, no dia da ocorrência, integrou o grupo que entrou no Complexo do Salgueiro dentro de um veículo blindado da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core) da Polícia Civil, que apoiava a ação da Polícia Federal.

As informações foram reveladas pelo jornal Extra com base no depoimento dado ao Ministério Público fluminense no início desta semana pelo também delegado Sérgio Sahione, até então coordenador da Core. A Promotoria abriu uma investigação independente, já que os suspeitos são policiais civis.

Segundo o relato do delegado, Duarte aproveitou a operação na favela naquele dia para fazer um "reconhecimento do terreno", mas não participou do planejamento da ação nem estava na casa onde o adolescente foi baleado.

Ele só chegou à cena do crime no blindado depois que tudo aconteceu. Depois, solicitou que um helicóptero da Core o levasse, com os policiais investigados, para a delegacia a fim de que seus depoimentos fossem tomados, de acordo com Sahione.

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João Pedro foi baleado nas costas enquanto brincava com primos e amigos no quintal dos tios. Os cinco jovens presentes dizem que, após um helicóptero sobrevoar o terreno, três agentes invadiram a residência atirando. Já os policiais afirmam que o menino foi atingido durante um confronto com criminosos que tentaram fugir pulando o muro.

Sahione estava no helicóptero de onde os três agentes saltaram antes de entrarem na casa. Após o depoimento, ele pediu demissão da chefia da Core para, "segundo o pedido dele, não causar qualquer embaraço à investigação que apura a morte do jovem João Pedro", diz nota da Polícia Civil.

Questionada após a publicação da reportagem do Extra, a corporação confirmou que Allan Duarte foi afastado da reprodução simulada do caso, que será conduzida pelo assistente Leonardo Afonso dos Santos, mas segue sendo o responsável pela investigação.

A simulação estava prevista para o último dia 9, porém foi adiada depois que o Supremo Tribunal Federal restringiu operações em comunidades do Rio até o fim da pandemia do novo coronavírus. Segundo a polícia, a reprodução é "imprescindível para a conclusão do inquérito" e será remarcada.

Nesta quinta (18), o jornal Extra divulgou que o laudo pericial da casa constatou 64 marcas de tiros. A maior parte delas é de disparos feitos a partir do portão de entrada do terreno, por onde os policiais entraram, mas também há algumas marcas produzidas por tiros dados dos fundos do imóvel.

O perito teria encontrado estojos de pistola 9 mm e de fuzil 7,62 mm, mas não achou cartuchos 5,56 mm - calibre do projétil que atingiu João e usado pelos policiais - porque os agentes recolheram os estojos antes da perícia, alteraram a cena do crime e só os entregaram na delegacia na semana seguinte.

POLICIAIS NÃO COMPARECERAM A DEPOIMENTO

Diferentemente do delegado Sérgio Sahione, os três policiais civis investigados pelo homicídio de João Pedro não compareceram ao depoimento que seria dado ao Ministério Público por vídeo nesta quarta-feira (17). Eles foram afastados do serviço nas ruas, mas continuam exercendo atividades administrativas na Core.

A reportagem apurou que Mauro José Gonçalves, Maxwell Gomes Pereira e Fernando de Brito Meister não apresentaram justificativa para a ausência –eles poderiam ter comparecido e ficado em silêncio. Eles já fizeram ao menos dois relatos à Polícia Civil, mas ainda não falaram com o órgão independente.

No início do mês, a Defensoria Pública, que está auxiliando a família, apontou uma série de irregularidades na ação e na investigação do caso. Elas incluem a alteração da cena do crime, a remoção do corpo da vítima provavelmente já morta, um depoimento de uma adolescente colhido de forma irregular, provas deixadas para trás e granadas destruídas após a perícia.

Questionado sobre o depoimento do delegado Sérgio Sahione e a ausência dos agentes investigados nesta quarta, o MP respondeu apenas que "não fornece nem comenta fatos específicos relacionados à investigação em andamento".

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