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Ansiedade e depressão? Saiba como agir durante a quarentena de coronavírus

sexta-feira, 20/03/2020, 11:34 - Atualizado em 20/03/2020, 11:34 - Autor: Com informações do portal UOL


| Agência Brasil

Especialistas alertam que sintomas de ansiedade e de patologias comportamentais impulsionados pelo novo coronavírus tendem a aumentar nas próximas semanas, no Brasil. O país tem o maior número de pessoas ansiosas no mundo, de acordo com dados da Organização Mundial da Saúde (OMS): são 18,6 milhões de brasileiros (9,3% da população) que convivem com o transtorno.

Uma pesquisa publicada na revista East Asian Arch Psychiatry, em 2014, apontou que 42% dos sobreviventes de outro coronavírus, o Sars (síndrome respiratória aguda grave), ficou com algum tipo de transtorno mental. A doença matou cerca de 800 pessoas, entre 2002 e 2003. Mais da metade das pessoas teve transtorno de estresse pós-traumático.

No início de março deste ano, a OMS publicou uma nota aconselhando as pessoas que evitem assistir, ler ou ouvir notícias sobre coronavírus que possam causar angústia.

O alto nível de estresse em pacientes que ficaram em quarentena devido ao vírus também foi tema de um artigo na revista britânica de medicina Lancet, em fevereiro de 2020, onde pesquisadores fazem uma revisão de impacto psicológico do isolamento. "Privar as pessoas de sua liberdade para o bem público em geral é muitas vezes controverso e precisa ser tratado com cuidado. Se a quarentena é essencial, nossos resultados sugerem que os funcionários devem tomar todas as medidas para garantir que essa experiência seja a mais tolerável possível para as pessoas", dizem os cientistas. O texto sugere também o que é preciso dizer "às pessoas o que está acontecendo e por que, explicando quanto tempo isso continuará".

O psiquiatra Leonardo Ramos explicou que a ansiedade é algo fisiológico, comum em todas as pessoas e essencial para a nossa sobrevivência. "A ansiedade faz, por exemplo, que a gente decida, perante uma situação de perigo, se vamos lutar ou fugir. É o que nos prepara biologicamente para enfrentar os desafios", disse. "No caso de uma pandemia como a do novo coronavírus, a ansiedade é um elemento que precisa existir. Inclusive, governantes têm que sentir algum grau de ansiedade a respeito dessa questão, senão terminam fazendo declarações bizarras, como dizer que o problema 'não é nada' ou 'uma fantasia', finalizou.

Assim como o TOC (Transtorno Obsessivo Compulsivo), a ansiedade se torna uma doença quando começa a afetar o cotidiano dos sintomáticos e a interferir nas atividades e na saúde deles. "Pessoas que têm transtorno de ansiedade tendem a ter sensação grande de modo desproporcional aos problemas e a se sentirem excessivamente inseguras frente a situações novas. A tendência é que pessoas ansiosas se descompensam numa situação como essa [do surto de covid-19]", explicou Ramos.

O aumento do número de testes positivos do coronavírus no Brasil já refletem no comportamento de pessoas com ansiedade. "Isso é uma coisa que já percebi hoje em uma paciente. Ela tem um quadro de ansiedade, com alguns sintomas do tipo compulsivo-obsessivo - e desde que o número de casos de corona aumentou, ela tem excessivamente usado álcool gel. Ela comentou comigo que, enquanto me esperava para a consulta, passou álcool três vezes nas mãos. Isso claramente é comportamento que vai para a ordem da compulsão", disse o Ramos.

Uma preocupação do psiquiatra, é a interferência dos casos de ansiedade nos pontos de atendimento a pessoas com covid-19. "Um alerta sempre importante de fazer é sobre pessoas que vão começar a procurar serviço de saúde só porque estão com coriza, espirrando. Isso sobrecarrega o atendimento, as equipes podem começar a negligenciar os casos que precisam de fato de atenção", destacou. "Nestas primeira semanas, é até mais comum situações de pessoas ansiosas irem aos hospitais para atendimento."

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