Edição do dia

Edição do dia

Leia a edição completa grátis

Previsão do Tempo
27°
cotação atual R$

Notícias / Notícias Brasil

IBAMA

Responsável por controle de agrotóxicos é exonerada pelo ministro do Meio Ambiente

sábado, 11/01/2020, 20:38 - Atualizado em 11/01/2020, 21:44 - Autor: Fonte: Uol


Ricardo Salles, ministro do Meio Ambiente, ainda não respondeu sobre a exoneração
Ricardo Salles, ministro do Meio Ambiente, ainda não respondeu sobre a exoneração | Reprodução

O ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, exonerou nessa sexta-feira (10) a servidora do Ibama Marisa Zerbetto, que trabalhava na área responsável pelo controle e avaliação do impacto dos produtos agrotóxicos sobre o meio ambiente.

Ela era a responsável pela Coordenação-Geral de Avaliação e Controle de Substâncias Químicas, parte da Diretoria de Qualidade Ambiental do órgão. O caso gerou suspeitas de que a servidora estaria atrapalhando os ideais do ministro, a favor da liberação de centenas de agrotóxicos que são proibidos nos demais continentes.

A servidora disse que foi surpreendida pela exoneração, publicada no Diário Oficial da União. Zerbetto afirmou que não recebeu explicação clara do motivo de seu afastamento, e que a única razão fornecida teria sido um desejo da direção do instituto de iniciar novos projetos.

A diretoria em que a servidora trabalhava é responsável por dar autorizações e licenças para uso, comercialização, importação e exportação de diversas substâncias químicas e resíduos sólidos.

Um dos pontos sobre os quais ela se debruçava é o impacto ambiental de agrotóxicos, que vêm sendo liberados de maneira mais célere no governo Jair Bolsonaro.

Zerbetto, que fez carreira no Ibama, deu diversas declarações no passado alertando para os riscos que produtos químicos, incluindo agrotóxicos, podem ter sobre a fauna e a flora.

A assessoria de imprensa do Ministério do Meio Ambiente foi procurada para explicar o afastamento da servidora, mas não respondeu até a publicação desse texto.

Agrotóxicos na mesa do brasileiro

São 353 produtos agrotóxicos autorizados desde o início do governo de Jair Bolsonaro (PSL). O Brasil é líder mundial no consumo desses produtos e vai se tornando também o paraíso para fabricantes, importadores e exportadores.

Da lista, sete substâncias classificadas como extremamente tóxicas são princípio-ativo de 15 produtos liberados. Entre eles estão o sulfoxaflor e imazapir, um dos responsáveis pela mortandade de abelhas no Brasil e em todo o mundo.

Há quatro princípios altamente tóxicos em 10 novas liberações, como o clorfenapir, banido no Reino Unido, e o Fipronil, que não foi aprovado nem nos Estados Unidos nem pelos britânicos. O produto está entre os mais nocivos às abelhas, tanto que o Ministério Público do Rio Grande do Sul pediu à Justiça a sua suspensão do cadastro estadual de agrotóxicos.

E sete substâncias medianamente tóxicas compõem 22 novos itens do portfólio cada vez mais variado da indústria de agrotóxicos. Entre eles o clorpirifós. Proibido em diversos países, como Arábia Saudita, que anunciou hoje acordo de importação de frutas e castanhas do Brasil, é muito usado em lavouras de frutas cítricas.

Segundo o Ministério da Agricultura, a ampla maioria dos produtos registrados já tiveram a patente expirada.  E esses genéricos “aumentam a concorrência no mercado e diminuem o preço, caindo o custo de produção”. Problema é quanto mais barato, maior o consumo. Além disso, as maiores lavouras – soja, milho, algodão, eucalipto – são à base de plantas geneticamente modificadas para resistir a maiores doses de venenos agrícolas.

 

 

Conteúdo Relacionado


0 Comentário(s)

MAISACESSADAS