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Atrasados do Enem: Seis motivos para você não rir dos candidatos

segunda-feira, 04/11/2019, 13:43 - Atualizado em 04/11/2019, 13:43 - Autor: Com informações Capricho


| Tomaz Silva/Agência Brasil

Já parou para pensar que ao de rir de alguns candidatos que chegam atrasados no Enem, você pode estar rindo de muitos problemas do Brasil? Não né? Virou costume todos anos, algumas pessoas se reunirem seja presencialmente ou virtualmente para rir dos candidatos que chegam atrasados aos locais de prova do Enem. Não bastasse o sentimento de frustração ao não conseguir chegar a tempo, os candidatos ainda sofrem com os julgamentos dos outros.

“Mereceram! Por que não saíram antes de casa?”, são alguns dos julgamentos de algumas pessoas.

Essa tradição anual de transformar os atrasados do Enem em memes ganhou o mundo. O dinamarquês Klaus Madsen foi até uma escola de Curitiba só acompanhar o que ele chama de “tradição brasileira”. Entretanto ele afirma que jamais riria do sofrimento alheio – diferente de muitos de nós.

Ao rir das pessoas que chegaram atrasadas no Enem, você pode estar rindo de problemas que sofremos no Brasil. Mas é claro que nem todos os atrasos são justificáveis. Alguns inclusive, são apenas por falta de responsabilidade. No entanto, outros são culpa do próprio Sistema. A lista abaixo mostra como algumas pessoas chegaram atrasadas não por querer, mas porque tiveram problemas durante o caminho ou com o chefe. Leia com atenção, e em seguida, reflita se realmente vale a pena fazer parte do #ShowDosAtrasados.

1. Araújo, 39 anos, não foi liberado a tempo pelo chefe

Araújo da Silva, de 39 anos, trabalha como confeiteiro e perdeu o primeiro dia de prova do Enem 2017, em São Paulo, porque não conseguiu folga no trabalho e dependia da boa vontade do chefe para chegar a tempo. Como o dono da padaria demorou para liberá-lo, Araújo perdeu o exame. Ele precisava do Enem para finalmente conseguir o seu diploma do Ensino Médio.

2. Filho da Daise, adolescente negro, parado por policiais

A baiana Daise usou as redes sociais para contar que seu filho, de 19 anos, perdeu a prova porque foi abordado por policiais nos arredores de Pituba, bairro ao norte de Salvador, na Bahia. Os policiais fizeram abordagem agressiva e o jovem, além de precisar esvaziar sua mochila, que continha apenas material escolar, o cartão de inscrição do Enem e comida para a prova, levou tapas e teve um fuzil apontado na cara. O jovem ainda tentou se explicar (por algo que não fez) para que não perdesse tempo, mas ele não foi ouvido. O adolescente era negro.

3. Débora, 50 anos, o ônibus não parou no ponto em que ela estava

Em Belo Horizonte, a mineira Débora Isaías, de 50 anos, chegou atrasada porque o ônibus que deveria pegar para chegar ao local onde a prova seria aplicada não parou no ponto, mesmo ela dando sinal. A dona de casa, dependia exclusivamente do transporte público, até tentou achar um jeito de reparar o erro do motorista, mas acabou se atrasando. “Ele não parou. Fui para outro ponto. A linha não passava por lá”, disse ela ao Estadão.

4. José, cearense, enfrentou um acidente na via

O cearense José Renato Silva de Sousa até conseguiu sair cedo do trabalho para justamente não se atrasar para o Enem 2016, mas não teve sorte. Ele ia tentar uma vaga no curso de Engenharia Mecânica, mas ficou parado em um congestionamento. Um acidente envolvendo um caminhão deixou a via totalmente parada. José Renato chegou segundos após o fechamento dos portões.

5. Ana Júlia, 17 anos, foi prejudicada pelo transporte público

A jovem  Ana Júlia Benigno, de 17 anos, saiu de casa com mais de três horas de antecedência para o fechamento dos portões, mas mesmo assim não conseguiu chegar a tempo. “Tinha trânsito e muita gente no terminal”, disse ela ao jornal O Povo, no Ceará. A jovem teve problemas com a mobilidade urbana, o que é um problema constante, principalmente para quem depende de transporte público. Por isso ela não conseguiu fazer a prova. Se o transporte estivesse funcionando regularmente, sem falhas, ela teria chegado a tempo.

6. Amanda, 19 anos, precisava atravessar a cidade

Em 2014, muitos riram da carioca Amanda Alli, de 19 anos, que chegou atrasada ao local de prova e chorou descontroladamente segurando o portão, que já estava fechado. Na época, a estudante questionou a decisão do Inep: “não entendo, com tantas escolas perto de minha casa, por que me colocaram para fazer as provas na UERJ?”. O trajeto da jovem, que precisou atravessar a cidade para chegar ao local do exame, foi dificultado por um congestionamento surpresa. Desesperada, Amanda saiu do carro e pediu carona para um mototáxi, mas o esforço foi em vão.

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