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Má alimentação infantil pode provocar doenças; veja as consequências e como evitar

quinta-feira, 24/10/2019, 13:11 - Atualizado em 24/10/2019, 13:11 - Autor: Andressa Ferreira


Uma em cada três crianças está desnutrida ou com sobrepeso no mundo, segundo relatório da UNICEF.
Uma em cada três crianças está desnutrida ou com sobrepeso no mundo, segundo relatório da UNICEF. | Reprodução

Como é a alimentação do seu filho? Um relatório divulgado pela UNICEF apontou que crianças com menos de cinco anos estão sofrendo consequências físicas da má alimentação.

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Segundo o relatório, pelo menos, uma em cada três crianças com menos de 5 anos, ou seja, cerca de 250 milhões, está desnutrida ou com sobrepeso.

Ainda segundo o alerta da UNICEF, quase duas em cada três crianças, entre 6 meses e 2 anos de idade, não recebem alimentos capazes de sustentar o crescimento rápido de seu corpo e de seu cérebro.

Especialista dá dicas para garantir uma alimentação saudável, prazerosa e nutritiva para as crianças.
Especialista dá dicas para garantir uma alimentação saudável, prazerosa e nutritiva para as crianças. Arquivo Pessoal
 

A nutricionista especialista em nutrição clínica, Rayanne Vieira, explica que a alimentação saudável é um fator que garante o crescimento e desenvolvimento correto de uma criança, não somente durante a infância, mas também na adolescência.

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"A alimentação tem papel importante na aprendizagem das crianças, visto que a ciência já comprovou que alunos bem nutridos podem apresentar melhores notas e aproveitamento do que aqueles que têm uma alimentação desequilibrada ou deficiente", alerta.

Marketing de alimentos

Segundo Rayanne, crianças que frequentam restaurantes e fast-food com maior frequência tendem a ter os piores resultados no desempenho escolar.

"Na faixa dos 3 anos de idade já foi constatado que os alimentos embutidos e industrializados fazem mal à saúde, e com isso tendo maiores chances de crianças se tornarem futuros adultos com dificuldades na aprendizagem", explica ela, acrescentando que são "alimentos pobres de nutrientes importantes para o fortalecimento do desenvolvimento da criança, como o ferro".

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Além de deixaram as crianças sujeitas a dificuldades de aprendizagem, baixa imunidade, aumento de infecções e, em muitos casos, a morte.

"O caso mais grave de má nutrição também causa queda de cabelo e quebra das unhas. O futuro dessas crianças, que muitas vezes se tornam obesas, é uma vida adulta ameaçada pela hipertensão, diabetes, doenças cardiovasculares, varizes, hérnias, doenças emocionais, câncer e problemas ortopédicos e respiratórios", alerta a especialista. 

 

A nutricionista enfatiza que crianças bem alimentadas têm maior facilidade de aprendizado porque conseguem raciocinar corretamente, já que o cérebro está sendo nutrido com energia durante seu funcionamento.

Para Rayanne, é importante iniciar a formação de hábitos alimentares assim que as crianças são apresentadas aos alimentos, assim que abandona o leite materno.

"A infância é o período de formação dos hábitos alimentares. O entendimento dos fatores determinantes possibilita a elaboração de processos educativos, que são efetivos para mudanças no padrão alimentar das crianças. As mudanças irão contribuir no comportamento alimentar na vida adulta", garante. 

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A especialista destaca ainda que a alimentação saudável é essencial para o crescimento, desenvolvimento e manutenção da saúde e, que, hábitos alimentares inadequados acarretam problemas de saúde não só imediatos, mas também a longo prazo. 

"Manter uma alimentação saudável para crianças nunca pareceu algo tão complexo como nos últimos dez anos. Você já reparou como o marketing de alimentos facilmente tem as crianças como alvo? São propagandas com jingles gostosos de cantar, embalagens coloridas e que chamam a atenção dos pequenos. Parece que tudo passou a ser feito com a intenção de convencer as crianças de comerem mais… bem ou mal", opina ela. 

Para a nutricionista, a palavra praticidade também virou sinônimo de despreocupação para algumas famílias. Com agendas lotadas e vidas atarefadas, os pais e responsáveis recorrem a enlatados ou comidas rápidas e desprovidas de nutrientes, seja na lancheira da escola ou no prato do almoço.

"Se esse consumo para os adultos não é algo positivo, imagina para a alimentação infantil. Como pais, é importante a orientação sobre hábitos saudáveis das suas crianças. Ajudar o filho a aprender e entender mais sobre alimentação fará com que a escolha pelos melhores alimentos aconteça naturalmente, em curto e médio prazo. Essa modelagem que você proporciona desde cedo, ajudará seu filho a manter um estilo de vida mais positivo e benéfico para a saúde. A consequência é um crescimento bem mais saudável, favorecendo o psicológico, o fisiológico e o social da criança", enfatiza. 

Dicas para transformar o hábito alimentar das crianças

Para Rayanne, o acesso à informação é um dos melhores caminhos para essa geração de crianças e adolescentes que crescem em um mundo industrializado.

"Em vez de ditar quais alimentos a criança deve comer, guie as escolhas que ela faz. Deixe vários alimentos saudáveis em sua dispensa e que a criança descubra cada um deles e tenha prazer em comê-los. Mostre que alimentos saudáveis não precisam ser, necessariamente, sem graça. Deixe de fora as batatas fritas ensacadas, biscoitos recheados, suquinhos de caixinha e, principalmente, refrigerantes", recomenda. 

Outra dica da nutricionista é fazer o máximo de refeições em família. "Por mais agitada que seja a sua rotina de pai e/ou mãe, acreditamos que, pelo menos em uma refeição, dá para reunir a família e comer junto. Promova conversas agradáveis. Essa ação também ajuda a criança a comer mais devagar, pois esse será um momento agradável para ela", explica.

Para a nutricionista, outra dica importante é envolver os filhos em compras na feira ou na preparação das refeições. "Evite levá-lo para o supermercado ainda nesse processo de reeducação alimentar, mas quando precisar fazer compras em feiras de frutas e verduras, leve-o com você. O aroma e as cores das feiras encantam também e ele certamente descobrirá um mundo bastante agradável. Convidar a criança para o preparo das refeições também é uma ótima maneira de incentivá-la a comer bem. Mantenha esse hábito pelo menos uma vez na semana", orienta. 

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Rayanne concluiu que restringir nunca será o melhor caminho. Segundo ela, dá para comer corretamente e sem precisar ter no prato somente alimentos sem graça. 

"Se você apenas introduz frutas e verduras como algo que 'precisa comer porque é saudável', a criança pode criar um senso de rejeição ao alimento. É diferente, por exemplo, quando você cria uma sobremesa deliciosa utilizando essas mesmas frutas ou quando acrescenta legumes em um prato que seu filho gosta muito. Esse é o melhor caminho para criar uma rotina de alimentação saudável e totalmente natural para as crianças", explica a nutricionista, destacando a importância da ajuda profissional nesse processo. "Além de ajudar na parte psicológica, também indicará as melhores e mais atrativas combinações para as suas refeições. Está mais preparado para buscar a alimentação saudável para as crianças?", questiona ela. 

Reportagem: Andressa Ferreira

Multimídia: Gabriel Caldas

Edição: Gustavo Dutra 

Uma em cada três crianças está desnutrida ou com sobrepeso no mundo, segundo relatório da UNICEF.
Uma em cada três crianças está desnutrida ou com sobrepeso no mundo, segundo relatório da UNICEF. | Reprodução
Especialista dá dicas para garantir uma alimentação saudável, prazerosa e nutritiva para as crianças.
Uma em cada três crianças está desnutrida ou com sobrepeso no mundo, segundo relatório da UNICEF. | Reprodução
Uma em cada três crianças está desnutrida ou com sobrepeso no mundo, segundo relatório da UNICEF. | Reprodução

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