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A importância da boa alimentação na criação de animais

Quem trabalha com a pecuária sabe que a nutrição é a base de um animal de qualidade, por isso é importante investir no tipo de produto, avaliando fatores, como o perfil da cria e o ambiente

quarta-feira, 07/04/2021, 07:00 - Atualizado em 02/04/2021, 15:01 - Autor: Laís Azevedo


Imagem ilustrativa da notícia A importância da boa alimentação na criação de animais
| Agência Pará

A alimentação pode fazer toda a diferença no resultado do que é produzido no campo e no bolso do produtor rural. No estado, entre as áreas onde os cuidados com a nutrição são importantes estão a da avicultura e frangos de corte; vacas para a produção de leite e a produção de bovinos de corte. O zootecnista Fernando Tavares, doutor em ciência animal, aponta que a primeira questão a ser posta é a qualidade dos ingredientes. “Quando você alimenta um animal, assim como ocorre com o ser humano, é importante os ingredientes utilizados na dieta serem de qualidade””, explica.

Atuante na avicultura, ele também destaca que as empresas têm investido bastante nesse aspecto. “Se vai trazer milho, por exemplo, ele passa por inspeção para poder ser incluído na dieta desses animais, assim como todos os outros ingredientes”. Mas ele admite que há casos ainda de produtores menores acreditarem que o animal pode consumir qualquer tipo de alimento, “inclusive restos de alimento, já passado do ponto”, afirma. Outro erro comum, mesmo naquelas produções em que se investe em alimento de qualidade, segundo o zootecnista, é não observar a fase de vida do animal. “Eles têm uma demanda em cada fase e se o produtor não respeitar essas fases da criação, acaba perdendo no desempenho, no potencial de ganho nesses períodos. Eu sempre avalio esse como um dos problemas, principalmente para o frango de corte”, ressalta.

A indústria sabe que o prejuízo econômico é muito grande se não houver cuidado nesse aspecto. “O produtor de carne responde muito rápido por qualquer erro, então a nutrição sempre é ‘o recheio do bolo’, sempre enxerga a nutrição como essencial para o animal”, afirma Fernando. E ainda há outros aspectos que ela sempre observa e pode servir de exemplo para os produtores menores, como o clima, a linhagem do animal e, especialmente, o custo.

“Neste último caso, o produtor pode usar da diversidade de ingredientes disponíveis, sem perder a qualidade, mas que tenha menor impacto no custo”, pontua. Para o frango chegar na mesa das famílias, um prato com peito de frango, custa em torno de R$12, sendo basicamente só carne. “O custo unitário é baixo, então o produtor precisa trabalhar com níveis ajustados de custo para não ter perda”, conclui. Com o aumento das exportações de grãos no Brasil, o especialista aponta que o produtor tem equilibrado o uso de aditivos para compensar a alimentação dos animais, “usando até aditivos até naturais para melhorar o desempenho dos frangos”, destaca. Quanto ao clima, na indústria, a maioria utiliza locais climatizados, controlados, especialmente para o frango de corte. “É diferente de um bovino, criado no pasto”, compara.

Um aspecto que é pouco observado pelos produtores, mas também necessário, é o fator humano do processo. “É preciso fazer o treinamento com quem trabalha diariamente com o frango. Por viver em ambiente controlado, o frango fica mais sedentário e precisa de alguém para fazer estímulos ao consumo de ração, a movimentação, o consumo de água - que também é importante na nutrição. A higienização da água antes de entrar no bebedouro, o processo de clarificação também pode fazer a diferença no potencial do animal”, ressalta.

A nutrição, nesse sentido, vai ser a grande jogada do produtor rural para aumentar o lucro. “O produtor tem que buscar produtos de qualidade, com menor custo. Isso é uma constante. Ele tem que passar a vida dele buscando isso para alimentar seu frango e ganhar o peso que a gente está esperando dele - um milho com teor de proteína melhor, uma soja sem problema no processamento. O grande lance é controlar todo o processo, a entrada de matéria-prima, a mistura na fábrica e o consumo do animal”.

Em busca de um bom pasto

Na produção de bovinos de corte e de vacas, “a base da alimentação dos ruminantes é o pasto e, nesse ponto, temos ainda muito que avançar em melhoria de produção, qualidade de pasto, antes até de falar em suplementos e rações”, como destaca o doutor em zootecnia Cristian Faturi. “O produtor até pensa em querer aumentar a produtividade, gastar com ração, mas não faz manejo correto do pasto ainda”, completa.

E há muitas estratégias de manejo, de acordo com os objetivos da criação e do sistema disponível. “Tem que ter a relação custo-benefício da produção como um todo. A gente sempre recomenda como primeiro ponto avaliar e trabalhar o pasto. Depois, fazer um levantamento do que tem disponível na região, porque a gente pode fornecer, para os animais, uma gama grande deprodutos”, afirma.

A escolha do que incluir nessa alimentação, será feito com balanceamento apontado pelo profissional. “Essa dieta pode usar vários produtos e subprodutos, depende do desejado, se a um alto ganho de peso, são necessárias dietas de melhor qualidade. No período [de clima] seco, o ganho não precisa ser alto, então posso trabalhar com dietas mais baratas”, exemplifica. Entre os complementos, ele cita a “torta de dendê”, já estudada há alguns anos no Pará, assim como a “torta de côco”, fruto da extração do leite de coco, com um teor de proteína interessante para esse objetivo.

Entre os fatores que devem ser observados na hora de determinar a alimentação certa para os animais estão os ambientais. “No estado, nós temos marcadamente um período mais chuvoso e outro mais seco, e podem ocorrer erros. Os produtos utilizados na suplementação no período chuvoso do ano não são os mesmos do período seco. No chuvoso temos o pasto e com alta quantia de ração, boa parte do que estou oferecendo vai só substituir o pasto. Hoje, temos tecnologias bem avançadas nisso, produtos específicos como sais proteicos para o período das águas e até sais até para o período de transição”. A fase de vida dos ruminantes também deve ser observada. Os animais em recria, quando têm maior crescimento muscular, exigem mais proteína e menor energia, do que o boi que está na engorda, para ir para o abate. “Às vezes, erros nesse balanço de proteína/energia, leva a menos ganho ou desperdício de nutrientes. Isso tudo reflete no custo-benefício do produtor. Nessa área tem muitas empresas já trabalhando com produtos específicos, mas cabe dizer que a gente também pode formular esses produtos na região”, reforça.

Segundo Christian Faturi é preciso ter estratégias para alimentar os animais

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