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INOVAÇÃO

Produtora paraense de cacau é premiada em concurso nacional

terça-feira, 22/09/2020, 08:19 - Atualizado em 22/09/2020, 08:19 - Autor: Redação


Paraense concorreu com outros seis cacauicultores
Paraense concorreu com outros seis cacauicultores | Ana Lee/Divulgação

O II Concurso Nacional de Cacau Especial anunciou os seus vencedores no último dia 31 de agosto, em uma transmissão ao vivo no canal do Centro de Inovação do Cacau no YouTube. Foram sete cacauicultores de três estados brasileiros premiados em três diferentes categorias: varietal, blend e experimental. O Pará, que já vem se sobressaindo na produção nacional de cacau, foi o ganhador do prêmio na nova categoria experimental, que avaliou o cacau obtido a partir de processos de pós-colheita diferenciados e inovadores.

Dona do Sítio Santo Onofre, em Medicilândia, Cristiane Ferreira agradeceu o reconhecimento do trabalho desenvolvido por ela no sudoeste paraense. Ela contou que sempre busca maneiras de aperfeiçoar suas amêndoas desde o processo de colheita, passando por fermentação controlada e secagem cuidadosa. “Ao longo desses mais de 30 anos sempre buscamos inovar e nos diferenciar, pois o leque de possibilidades nessa área é muito grande. Ainda temos muito o que aprender, mas atribuo esse prêmio à nossa persistência e dedicação”, pontua a produtora.

Produção do Sítio Santo Onofre, em Medicilândia, ganhou o prêmio na categoria experimental, a partir da inovação na produção da amêndoa. Estado também foi segundo lugar na categoria Blend
Produção do Sítio Santo Onofre, em Medicilândia, ganhou o prêmio na categoria experimental, a partir da inovação na produção da amêndoa. Estado também foi segundo lugar na categoria Blend Acervo Pessoal
 

A maior parte da produção de cacau dos participantes do concurso vai para a venda em commodity, mas os produtores vêm investindo cada vez mais na produção de amêndoas especiais, que requerem maior cuidado no plantio, manejo, colheita, fermentação e armazenamento, e são vendidas no Brasil e exterior como cacau fino, com maior valor agregado, para a produção de chocolates de origem. Neste ano, 63 produtores dos estados da Bahia, Pará e Espírito Santo se inscreveram no concurso e 27 foram selecionados para as últimas etapas de avaliação, que envolveram análise sensorial dolíquor e degustação do chocolate.

“Independentemente de quem ficou em primeiro, segundo ou terceiro lugar, todos os estados foram representados e premiados. São todos merecedores”, destaca Cristiano Villela, diretor científico do Centro de Inovação de Cacau (CIC) e presidente do Comitê Nacional de Qualidade de Cacau Especial. Para a gerente do CIC e jurada técnica do concurso, Adriana Reis, não houve vencedores e sim premiados, pois as notas finais dos lotes ganhadores foram muito próximas. “Alguns não entraram na lista dos premiados por apenas um décimo”, comenta Adriana.

BAHIA

Com maior número de inscritos, a Bahia levou também o maior número dos prêmios. Segundo colocado na categoria varietal, há três anos o produtor José Luís Fagundes fez um investimento em sua fazenda, no município baiano de Igrapiúna, já mirando a produção de cacau de qualidade. “Mesmo sem a expertise que tenho hoje, eu já acreditava nesse sonho e consegui fazer os colaboradores embarcarem nele junto comigo. Sem eles, não conseguiríamos esse prêmio”, reconhece. Ainda no varietal, o cacauicultor Gleibe Luís Torres, da Fazenda Mariglória, emItajuípe, ficou em terceiro lugar.

Outra categoria onde a Bahia recebeu prêmio foi a blend, com a terceira colocação para Alexandre Buhr Magalhães, da Fazenda Ouro Verde, em Maraú. “Uma fazenda é uma empresa, precisa lucrar. E, pra isso, é preciso mudar o formato de plantio, manejo e comercialização. Eu tento cada vez mais trazer os funcionários para esse novo mundo”, comenta Alexandre, que celebra o prêmio e as possibilidades comerciais que ele pode trazer.

O Espírito Santo levou o primeiro lugar nas categorias varietal e blend. Para Fernando Bufon, primeiro colocado com um lote de blend do Sítio Dona Nina, em Linhares, os cacauicultores do Estado vêm se empenhando mais em agregar valor ao cacau. “Precisamos buscar outros mercados, como o do cacau fino. O prêmio vai valorizar o meu produto perante aos clientes que já possuo e também mostrará a qualidade do meu trabalho para futuros interessados”, revela o produtor capixaba. O Concurso Nacional de Cacau Especial é uma iniciativa conjunta da cadeia de cacau, apoiada pela Barry Callebaut, Cargill, Dengo, FAEB/SENAR, Harald, Mondelez, Gencau (Theo) e executado pelo CIC em parceria com a Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira (CEPLAC).

Confira o resultado do II Concurso Nacional de Cacau Especial:

- Categoria Varietal1 - Fazenda Guarani (ES): Ana Cláudia Milanez Rigoni – variedade SJ 02

2 - Fazenda Pequi (BA): José Luís Fagundes – variedade PH 16

3 - Fazenda Marigloria (BA): Gleibe Luís Torres Santos – variedade Parazinho

- Categoria Blend

1 - Sítio Dona Nita (ES): Fernando Rigo Buffon

2 - Fazenda Panorama (PA): Helton Gutzeit Calasans

3 - Fazenda Ouro Verde (BA): Alexandre Buhr Magalhães

- Categoria Experimental

1 - Sítio Santo Onofre (PA): Cristiane Martins Ferreira – fermentação acelerada

Apoio

O Concurso Nacional de Cacau Especial é uma iniciativa conjunta da cadeia de cacau, apoiada pela Barry Callebaut, Cargill, Dengo, FAEB/SENAR, Harald, Mondelez, Gencau (Theo) e executado pelo CIC em parceria com a Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira (CEPLAC)

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