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AGROPARÁ

O desafio do produtor em se proteger, produzir e fazer chegar na pandemia

quarta-feira, 17/06/2020, 07:23 - Atualizado em 17/06/2020, 07:23 - Autor: Igor Wilson


'Vemos que, apesar de tudo, as feiras e os supermercados estão abastecidos o que mostra o empenho do produtor"
'Vemos que, apesar de tudo, as feiras e os supermercados estão abastecidos o que mostra o empenho do produtor" | Ronaldo Rosa

Adriano Venturieri, 53 anos, é Chefe Geral da Embrapa Amazônia Oriental. Desde sua graduação em Agronomia pela Universidade Federal Rural da Amazônia (UFRA), em 1986, Adriano percorreu um longo caminho no mundo científico. Tem experiência na área de Geografia, com ênfase em Análise da Informação Espacial, atuando principalmente no ordenamento territorial, Amazônia, dinâmica da paisagem e pecuária na Amazônia. Mas em todos estes anos, o pesquisador não tinha vivido um momento com tantos desafios, como o atual com a pandemia do novo Coronavírus. Adriano conta à revista Agropará sobre como vê a situação e o que o setor agropecuário vem fazendo para tentar superar a crise sanitária que afeta o mundo todo.

Quais os principais desafios enfrentados pela agricultura e a pecuária neste período?

São vários. A logística é uma delas. Você ter o escoamento da produção em ordem, em um período como este, é um grande problema atualmente. Muitas vezes o produtor está produzindo, mas não tem como escoar o resultado. Outro grande problema, principalmente com o pequeno e médio produtor, é a mão de obra. Como o pequeno produtor trabalha com poucas pessoas e geralmente da mesma família, nesse tempo de pandemia, o coronavírus, afetando uma ou duas pessoas, acaba impactando muito na produção. Isso afeta toda a produção e renda daquela família, mas também na quantidade do produto no próprio mercado.

Por que A demanda diminuiu?

Fazer o produto chegar até o próprio consumidor nesse período tem sido árduo. Além de todos os desafios com plantio e transporte que já citei, ainda há a redução do consumo com as regras de lockdown, com bares, restaurantes e toda essa cadeia de estabelecimentos fechando as portas. O produtor então vive um grande desafio de se proteger, produzir e fazer chegar. Um desafio muito grande para a agropecuária paraense e brasileira.

Como está a produção atualmente?

O produtor tem trabalhado muito e está se saindo bem. Vemos que, apesar de tudo, as feiras e supermercados estão abastecidos. Isso mostra o empenho que o nosso produtor está tendo mesmo em tempos difíceis. Alguns produtos apresentaram uma redução ou elevação de preços, mas por causa das condições de mercado. Eu acredito que mesmo com tudo isso, estamos superando as dificuldades, porque a população como um todo depende dessa produção. Alimentação é essencial.

A pandemia afetou a pesquisa científica?

A pesquisa não parou. O que mais afetou foi o acompanhamento do campo de algumas atividades de pesquisa, como a visita de técnicos e a oferta de treinamentos presenciais. Mas as pesquisas continuam dentro dos laboratórios e grande parte em teletrabalho. Hoje todos os pesquisadores da Embrapa estão em teletrabalho, produzindo, reunindo, tomando decisões. Tenho certeza que ao final dessa pandemia surgirão muitos trabalhos escritos durante este período. Asseguro que muitas novidades vindas do mundo científico virão neste período.

Quais os esforços a Embrapa vem fazendo para continuar os trabalhos com os produtores?

A Embrapa está se adaptando, realizando muitos eventos onlines, as chamadas lives. Um exemplo disso é a série Amazônia em Foco, que desenvolvemos em parceria com todas as unidades da Amazônia. A cada semana um tema de interesse regional é apresentado e discutido por especialistas junto a produtores e extensionistas. Já tivemos o açaí, sistemas agroflorestais, café, teremos piscicultura. Estão programados episódios sobre banana, seringueira. Isso é uma das formas de levarmos o conhecimento e as informações tecnológicas ao maior número de produtores mesmo que virtualmente.

 


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