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VALE HONRA

Boca Juniors quer dar resposta ao rival após virar piada na Libertadores

Time argentino quer chegar na final e mostrar a força no país vizinho

terça-feira, 12/01/2021, 18:40 - Atualizado em 12/01/2021, 18:40 - Autor: FOLHAPRESS


O Boca Juniors está aflito para recuperar a piada. Pelo menos desde 1977, quando o clube conquistou pela primeira vez a Copa Libertadores, torcedores e dirigentes gostavam de zombar o arquirrival River Plate, time que tinha fama de amarelar nos momentos decisivos. Por isso seus representantes foram apelidados de "galinhas".

Isso durou até a chegada de Marcelo Gallardo ao River, em 2014. Nos últimos seis anos, a equipe foi a três finais de Libertadores e venceu duas. Numa delas, em 2018, bateu o próprio Boca Juniors em Madri, na primeira final 100% argentina da história do torneio e que virou o encontro mais famoso entre os rivais.

Antes disso, era o Boca quem dava risada, não só por causa do número total de títulos (6 contra 4 atualmente), como pelo fato de o River ter sido rebaixado para a Série B em 2011. Era a "mancha que não se apaga", como dizia a torcida xeneize. Depois da final em Madri, o River passou a usar a mesma expressão para ironizar o rival.

Apesar de ainda ter a vantagem histórica, o Boca Juniors não vence o torneio desde 2007. Contra o Santos, nesta quarta (13), a equipe poderá voltar à final pela terceira vez desde aquele ano, quando passou pelo Grêmio e levantou a taça.

Se ficar com o título no próximo dia 30, no Maracanã, ainda se igualará ao Independiente como o maior vencedor da competição na história.

Para chegar à final contra o vencedor do confronto entre Palmeiras e River Plate, que jogam nesta terça (12) pela outra semifinal, o Boca precisa vencer ou empatar com gols na Vila Belmiro. Se o jogo ficar no 0 a 0, a vaga será decidida nos pênaltis.

"Voltar a vencer a Libertadores pelo Boca é algo que não tem preço", afirma o técnico Miguel Ángel Russo.

O presente do time tem um pé no passado campeão sul-americano. Russo é o técnico do título de 2007 e foi levado mais uma vez ao clube por Juan Roman Riquelme, atual vice-presidente e camisa 10 das vitórias de 2000, 2001 e 2007. Carlos Tevez, astro da conquista de 2003, voltou a assumir papel de protagonismo.

"Temos time para ganhar as finais que temos pela frente", afirmou Tevez, se referindo à semifinal contra o Santos, uma possível decisão de Libertadores e a final da Copa Diego Maradona diante do Banfield, em Buenos Aires, no próximo domingo (17).

A pressão também se manifesta no clima tenso criado para os embates contra o Santos. Na primeira partida, em La Bombonera, os brasileiros reclamaram muito de um pênalti não marcado em Marinho e relataram ter tido seu ônibus apedrejado na volta do estádio.

Parte da imprensa argentina questionou casos de Covid-19 na delegação santista após a partida, sugerindo que o Santos pudesse ter tido conhecimento dos resultados antes do confronto. Os brasileiros negam veementemente essa hipótese.

A Libertadores de 2003 foi conquistada pelo Boca Juniors diante do Santos. Um dos gols da vitória por 3 a 1 no Morumbi foi de Tevez, que também criou história diante do rival brasileiro em 2005, pelo Corinthians. A primeira vez que ele anotou três gols na mesma partida aconteceu na goleada da equipe de Parque São Jorge por 7 a 1.

Para tentar apagar as frustrações recentes e voltar a ser campeão, o Boca conta com retrospecto favorável no Brasil.

Em 2018, passou pelo Palmeiras nas semifinais ao empatar em 2 a 2 no Allianz Parque. O mesmo havia acontecido em 2001, diante dos alviverdes, no antigo estádio Palestra Itália. Os títulos de 2000, 2003 e 2007 foram comemorados no Morumbi (duas vezes) e no Olímpico.

A única vez que o Boca decidiu a taça da Libertadores no Rio de Janeiro aconteceu em 1963, contra o Santos. Foi derrotado por 3 a 2.

"Nós sabemos o que representa para o clube ir de novo para o Mundial. Precisamos dar uma resposta. O time se comportou bem em La Bombonera, mas não fez o gol. Em Santos, será diferente", projeta o meia-atacante Sebastián Villa.

A eliminação significaria mais um ano de jejum no torneio que, no início deste século, pareceu quase uma propriedade exclusiva do Boca. Também manteria presente o fantasma da derrota contra o River e as piadas do rival.

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