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Esporte / Gerson Nogueira

GERSON NOGUEIRA

Leia a coluna de Gerson Nogueira desta sexta-feira (26)

sexta-feira, 26/07/2019, 09:26 - Atualizado em 26/07/2019, 09:25 - Autor: Bruna Dias


Emerson Carioca
Emerson Carioca | Samara Miranda/Remo

A resposta do renegado

Emerson Carioca era o mais criticado atacante do Remo. Até o jogo com o Luverdense, pela 12ª rodada da Série. Depois disso, como que por encanto, ele passou a ser visto como peça indispensável na estrutura ofensiva da equipe, com lugar assegurado em qualquer formação a partir de agora.

O motivo é bem simples: na partida que reabriu o estádio Evandro Almeida, Emerson foi o responsável pela reação que evitou um vexame monumental. Entrou aos 23 minutos do primeiro tempo, substituindo a Carlos Alberto, e fez com que o time adotasse outra postura.

Em meio a um clima de desorganização e caos tático, o atacante entrou em campo como um raio. Não tomou conhecimento da marcação do LEC, chamou a responsabilidade com ações individuais, arrancando com a bola e apresentando-se para marcar. Multiplicou-se em esforços pela equipe.

Quase marcou em duas ocasiões, em jogadas muito bem elaboradas. Acima de tudo, revelou uma faceta diferente daquela que estava impregnada na cabeça do torcedor. Ao contrário do atacante rude e de pouca intimidade com a bola, ele arriscou dribles e fez lançamentos precisos.

Atuou em boa parte do tempo como um ponta-de-lança, acompanhando de perto os atacantes e ajudando Eduardo Ramos na criação de jogadas. Tudo isso com empenho, foco e, principalmente, entusiasmo.

Sua atuação beneficiou o Remo e contagiou seus companheiros, fazendo com que uma derrota que se desenhava certa virasse uma reação empolgante. Os gols vieram no final, mas a torcida não esqueceu o papel decisivo que Emerson teve na mudança de atitude coletiva.

Ficou de fora do jogo passado, contra o Ypiranga, cumprindo suspensão automática. Pela primeira vez sua ausência foi lamentada. É que Emerson fez falta ali naquele espaço de campo entre os volantes e o ataque. Poderia ter sido útil diante de uma defesa que mostrou vulnerabilidades e lentidão.

Sinal da reviravolta: para o confronto de amanhã, em Rio Branco, diante do Atlético-AC, não há nenhuma dúvida quanto à sua presença e utilidade na escalação que Márcio Fernandes treinou nos últimos dias.

Caso raro de resgate de um jogador marcado por cobranças e vaias. Uma prova de que, com esforço e determinação, é possível produzir reviravoltas. Reconheça-se também o mérito do treinador. Márcio Fernandes foi resoluto e ágil em mexer na equipe no momento crítico do jogo contra o LEC.

Mostrou conhecer bem as entranhas do elenco que dirige, lançando mão de um jogador com perfil adequado para enfrentar o desafio. Caso fizesse a mexida óbvia, trocando Carlos Alberto por outro meia (Zotti, Garré ou mesmo Djalma), talvez o remédio não fosse suficiente para sanar o mal.

Emerson conseguiu se reabilitar por conta de seu empenho pessoal e do profissionalismo de Márcio Fernandes. Resta saber como se comportará amanhã, até porque aparece escalado como atacante. Ocorre que brilhou atuando de forma mais recuada, como um meia-atacante de aproximação.

A conferir.

O duro batismo de fogo de Jesus no Brasil

Jorge Jesus chegou ao Brasil cercado de expectativas. Com larga experiência no futebol português e vivência em outros centros, ele trouxe a aura do profissional gabaritado que os rubro-negros procuravam para o ambicioso projeto de internacionalização do clube.

Com um elenco estrelado nas mãos, Jesus conquistou a torcida com um discurso de responsabilidade e disciplina. Mudou horários de apresentação, cobrou mais envolvimento nos treinos, adotou até mesmo a prática do “faça você mesmo” ao trotar junto com os atletas nos exercícios físicos.

Tudo isso pegou muito bem junto à massa torcedora, ávida por demonstrações explícitas de comprometimento e responsabilidade. Na prática, não significa lá muita coisa, mas ajuda a enriquecer o personagem.

O problema é que no caminho de Jesus havia uma decisão. Em duelo eliminatório na Copa do Brasil, ele pelejou com o rápido Atlético-PR e acabou ficando pelo caminho, golpeado nas cobranças de penalidades.

Veio, então, o segundo batismo de fogo. O confronto válido pela Copa Libertadores com o Emelec do Equador. Todo mundo via o Fla como favorito absoluto, e nem podia ser diferente. Afinal, só os salários de Arrascaeta e Rafinha superam a folha do clube equatoriano.

Em campo, o favoritismo não se confirmou. O Flamengo amargou uma derrota por 2 a 0, que precisa agora ser revertida no Maracanã com uma vitória por três gols de diferença. Foi como se Jesus descobrisse de repente que nem sempre fama e riqueza garantem felicidade plena.

Com Juarez morre mais um pedaço do bom jornalismo

Juarez Soares, o China, nos deixou na última terça-feira. Tinha 78 anos e uma história preciosa no jornalismo esportivo brasileiro. Competente, arguto, dono de posições firmes (quando isso quase sempre uma imprudência) e de repertório generoso em chistes e tiradas.

Trabalhou durante anos em dupla com Luciano do Valle. Cidadão politicamente esclarecido, foi um bom secretário municipal de Esportes em São Paulo na gestão de Luiza Erundina.

Vou lembrar sempre dele pelo estilo descontraído, de comunicação fácil, sem as piadinhas idiotas e rudes tão em voga na TV atual. Perdemos todos com sua partida. Gente como o China sempre faz muita falta.

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