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Esporte / Gerson Nogueira

GERSON NOGUEIRA

Leia a coluna de Gerson Nogueira desta terça-feira (02)

terça-feira, 02/07/2019, 10:24 - Atualizado em 02/07/2019, 10:23 - Autor: Gerson Nogueira (Diretor)


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Maestro ou burocrata?

A situação de aperreio do Remo para ajustar o meio-de-campo, principalmente depois da saída de Douglas Packer, fez com que a contratação de Eduardo Ramos fosse amplamente aceita e aprovada pela torcida. Antes, havia uma clara divisão de opiniões sobre o jogador. Nem tanto pela qualidade técnica, mas pelas questões extracampo.

Quando alguém tocava no nome de Eduardo Ramos vinha logo a ressalva quanto ao pacote todo, que arrolava as lembranças de sua última – e menos destacada – passagem pelo Evandro Almeida, em 2017.

Ao contrário dos bons momentos do maestro, com títulos e acesso nas passagens anteriores, a última lembrança que ficou na cabeça do torcedor azulino foi a de um jogador burocrata, perdido na ruindade geral da equipe que quase caiu de novo para a Série D.

No Cuiabá, Ramos resgatou credibilidade e reexibiu o bom futebol que havia cativado tanta gente quando aqui jogou pela dupla Re-Pa de 2013 a 2015. Em 2018, foi um dos líderes da campanha que conduziu o time mato-grossense ao inédito acesso à Série B do Campeonato Brasileiro, trabalhando como organizador de jogadas e marcando muitos gols.

Ganhou, como no Remo, dois campeonatos estaduais no Mato Grosso. No deste ano, ainda era titular absoluto, mas sofreu uma lesão e perdeu espaço na equipe. Ainda assim, atuou 16 vezes e marcou quatro gols.

A transferência é um bom e conveniente negócio para um atleta de 32 anos, que já não tem tanto tempo para tolerar o banco de reservas. Voltar a um ambiente que já conhece, onde sempre foi bem acolhido, é outro ponto que pesou na decisão de encarar uma quarta passagem pelo Leão.

Sua provável estreia deve acontecer no sábado à noite, no estádio Jornalista Edgar Proença, diante do líder Juventude, atraindo a apaixonada massa torcedora. O jogo estava anteriormente previsto pela diretoria como o evento de reinauguração do Baenão, mas as dificuldades de adequação do horário (pela coincidência com a final da Copa América) adiam a festa para o confronto da 12ª rodada contra o Luverdense.

A entrada em cena de Eduardo Ramos pode ser benéfica tanto para as finanças do clube quanto para as necessidades técnicas do time, cuja meia-cancha há muitos jogos não consegue se conectar com o ataque. Três jogos sem vitória custaram ao Remo a perda de oito pontos e a queda na tabela de classificação – está agora em terceiro lugar. Cada vez mais a vinda do maestro se mostra oportuna.  

Papão traz volante, mas precisa reforçar o ataque

O PSC anunciou ontem a contratação do volante Léo Baiano, 27 anos, que disputava a Série D pelo Novo Horizontino. Passou por Boa Esporte, Botafogo-SP e Mirassol. É uma aquisição para recompor o quadro de opções do elenco, que estava precisando de mais um volante desde que Marcos Antonio foi dispensado.

Há, porém, entre os torcedores, a avaliação de que os setores mais carentes são os de criação e ataque, até aqui pouco produtivos. As dificuldades para superar marcações fortes das zagas da Série C expõem a necessidade de um armador qualificado e de um atacante de boa presença na área.

Jogo-chave para a manutenção da era Tite

 Como nas quartas de final contra o Paraguai, que o Brasil superou às duras penas, Tite está de novo na marca do pênalti. Uma derrota hoje à noite para a Argentina pode representar o fim do ciclo de três anos de comando quase absoluto na Seleção Brasileira. O trabalho foi cercado de aplausos na maior parte do tempo, mas passou a ser duramente contestado depois do fracasso na Copa do Mundo de 2018.

A retórica triunfante e professoral, que rendeu ao técnico a condição de requisitado garoto-propaganda no auge da glória nas Eliminatórias, tornou-se chata e maçante quando a página virou. Sem resultados satisfatórios, dependendo de vitórias chochas diante de adversários de quinta categoria, Tite viu o prestígio se esfumaçar desde o nó tático que sofreu de Roberto Martínez no confronto contra a Bélgica em 2018.

Contra a cambaleante Argentina de Lionel Scaloni, que passou com dificuldades pela Venezuela, é pouco provável que o Brasil tenha vida mansa. O histórico recente mostra que o time se atrapalha contra quase todos os adversários. Nesta Copa América sofreu contra Venezuela e Paraguai, passando pela Bolívia e Peru pelas facilidades encontradas.

A esperança é que a envergadura do adversário, um rival histórico, produza o milagre da transformação. Para tanto, a Seleção terá que explorar mais os lados, com Everton e – se Tite for ousado – David Neres. Philippe Coutinho terá que ser mais criativo do que foi até agora. E Daniel Alves não pode continuar enganando como nos jogos anteriores.

Ao mesmo tempo, um triunfo categórico hoje pode deter o processo de desgaste, mas, além da desorganização tática e da previsibilidade, a Seleção enfrenta o mau momento de peças fundamentais, como Coutinho, Casemiro e Artur pelos efeitos do fim da temporada europeia. O consolo é que, pelas mesmas razões, poucas vezes se viu um Lionel Messi tão desplugado como nesta competição. 

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