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Brasil

Especial: Copa América reencontra o Brasil após 30 anos

sexta-feira, 14/06/2019, 07:15 - Atualizado em 14/06/2019, 07:15 - Autor:


A Copa América será disputada no Brasil a partir desta sexta-feira. Trata-se de um reencontro. O país não recebia uma edição do torneio desde 1989, anos em que a Seleção Brasileira conquistou o caneco derrotando o Uruguai por 1 a 0 na final.

Em 1989 o Brasil vivia um ano de mudanças, com a primeira eleição direta para presidente desde que o regime militar chegou ao fim. Fernando Collor de Melo foi eleito presidente de um país que tinha instituído o Cruzado no moeda. O mundo vivenciava o fim da Guerra Fria com a decisão de se derrubar o muro de Berlim.

(Foto: EVARISTO SA/AFP)

Trinta anos depois o Brasil e o mundo viveram vários fatos relevantes, mas nunca uma Copa América voltou ao país, o que vai acontecer agora. “A expectativa é muito grande pois o Brasil sabe como é gostoso receber um evento de grande porte”, disse Tite, técnico da Seleção Brasileira.

Esta Copa América se inicia tendo o Chile como atual bicampeão. O Uruguai é o país mais vitorioso na história da Copa América, com 15 títulos, um a mais que a Argentina. O Brasil, que foi campeão pela última vez em 2007, tem oito canecos.

Com a ausência de Neymar, por conta de lesão, os candidatos a craque são Lionel Messi, da Argentina, e Luis Suárez, do Uruguai. A Ásia se faz representar com dois convidados: Catar e Japão.

O Brasil e seus títulos 

Depois de fazer figuração nas duas primeiras edições, quando chegou na terceira posição, a Seleção Brasileira conquistou seu primeiro título da Copa América na edição de 1919, quando sediou o evento. O torneio era para ter sido realizado em 1918, mas foi adiado em um ano devido a uma epidemia de gripe que assolava o Rio de Janeiro. Comandado pelo implacável artilheiro Artur Friedenreich e Neco (os dois dividiram a artilharia com quatro gols cada) o time canarinho foi impecável. Estreou fazendo 6 a 0 no Chile, bateu a Argentina por 3 a 1 e empatou em 2 a 2 com o Uruguai, que foi seu adversário na final. O título contra a Celeste foi ganho após Friedenreich marcar o gol único do duelo na segunda prorrogação de um confronto que durou cerca de 150 minutos.

Em 1922 o Brasil voltava a sediar uma Copa América e novamente a conquistaria. Outra vez jogando nas Laranjeiras, a Seleção Brasileira teve um troféu bem mais contestado, pois terminou a primeira fase empatada com Paraguai e Uruguai. O time canarinho fez uma campanha irregular, empatando com Chile, Uruguai e Paraguai, e vencendo apenas a Argentina. Para tirar ainda mais a credibilidade do evento, os uruguaios abandonaram a disputa se queixando da arbitragem e os argentinos, que ficaram na última posição, não contaram com os jogadores de seus principais clubes. Na grande final o Brasil não encontrou maiores problemas para fazer 3 a 0 no Paraguai. Neca foi o grande destaque do time, que já não contava mais com Friedenreich.

Em 1923 o Brasil fez uma de suas piores campanhas, perdendo todos os jogos e chegando na última posição. No ano seguinte, devido a problemas financeiros a Seleção Brasileira sequer participou, voltando no ano seguinte para ser vice-campeã. Porém a irregularidade seguia e os brasileiros voltaram a ficar algumas edições ausentes devido a problemas políticos e financeiros. Reapareceu em 1937, outra vez para ser vice.

Depois de ausências e fracassos, a Seleção Brasileira voltaria a se sagrar campeã em 1949, dessa vez com um futebol vistoso. Apesar da derrota de 2 a 1 para o Paraguai, os brasileiros ficaram marcados por goleadas impiedodas, como os 9 a 1 contra o Equador e os 10 a 1 contra a Bolívia. No jogo-desempate novo show: 7 a 0 nos paraguaios. O ataque brasileiro marcou 46 gols e a edição foi recorde em termos de gols: 135. Zizinho, Jair da Rosa Pinto e Ademir de Menezes foram os destaques de um time que no ano seguinte perderia a final da Copa do Mundo no Maracanã para o Uruguai. Em 1949 a Copa América foi disputada em vários estádios, curiosamente não nas Laranjeiras, palco dos dois primeiros títulos canarinhos.

Em 1959 Pelé jogou a sua única Copa América, foi vice-campeão ao perder para a Argentina numa final, no Estádio Monumental de Núñez, que a arbitragem fez de tudo para os platinos ganharem. Apesar disso o Atleta do Século tem boas recordações do torneio, pois foi escolhido o melhor da competição e terminou na artilharia com oito gols. Ainda em 1959 a Confederação Sul-Americana de Futebol (Conmebol) realizou uma segunda edição para atender a um pedido do anfitrião Equador, que queria inaugurar o Estádio Modelo de Guayaquil. Porém o Brasil não valorizou o torneio e ficou em terceiro lugar, sendo representado por um combinado de Pernambuco.

Por muito tempo a Seleção Brasileira perseguiu o título sem sucesso, inclusive passando por algumas humilhações, como quando em 1987 foi goleada por 4 a 0 pelo Chile. Apenas quarenta anos depois da última conquista, em 1989, quando voltou a sediar a Copa América, que o Brasil enfim sentiu novamente o gostinho de ser campeão. O time dirigido por Sebastião Lazaroni começou o torneio sob as desconfianças da torcida. Para piorar os três primeiros jogos aconteceram em Salvador e sob vaias da torcida baiana, que não entendia o porquê de Charles Baiano, do Bahia, não ser titular de um time que tinha a dupla de ataque formada por Bebeto e Romário. Alguns jogos mais tarde eles entenderiam o porquê. Depois de vencer a Venezuela por apenas 3 a 1 (levando o primeiro gol marcado pelos venezuelanos sobre o Brasil em toda a história) e empatar sem gols com Peru e Colômbia, o escrete canarinho seguiu para Recife, onde bateu o Paraguai e ganhou fôlego para a fase final, jogada toda no Rio de Janeiro. No Maracanã, com um show de Romário e Bebeto, o Brasil passou pela Argentina por 2 a 0 e atropelou os paraguaios por 3 a 0 antes de fazer a final com o Uruguai. Diante de 170 mil torcedores (público recorde no torneio) o Baixinho fez o gol do título num 1 a 0 histórico. Bebeto foi o artilheiro com seis gols.

“Aquela Copa América foi importante porque o Brasil vinha de um longo jejum e o início não foi nada fácil, com aqueles problemas na Bahia. Mas fomos crescendo com a competição, encorpando e enfim chegamos ao estágio ideal”, recordou Lazaroni.

(Foto: Acervo/Gazeta Press)

Depois de ver a Argentina se sagrar bicampeã e perder um título nos pênaltis para o Uruguai, a Seleção Brasileira voltaria a ser campeã em 1997, pela primeira vez fora de seu próprio território. Na altitude boliviana um time com o goleiro Taffarel, os laterais Cafu e Roberto Carlos, o volante Dunga e os atacantes Romário e Ronaldo não encontrou adversários do mesmo nível e chegou a aplicar uma histórica goleada de 7 a 0 sobre o Peru nas semifinais. Na grande decisão o Brasil, mesmo sem Romário, lesionado, bateu a Bolívia por 3 a 1, com gols de Denilson, Ronaldo e Zé Roberto. O atacante Ronaldo foi o artilheiro da competição, com sete gols. Após o torneio, irritado com as críticas de alguns segmentos da imprensa, o técnico Mário Jorge Lobo Zagallo soltou uma frase em tom de desabafo que seria eternizada: “Vocês vão ter que me engolir”.

Dois anos mais tarde, no Paraguai, o Brasil, dessa vez sob o comando de Vanderlei Luxemburgo, seria pela primeira vez bicampeão. Nunca a Seleção Brasileira teve um desempenho tão brilhante, ganhando todas as partidas, marcando 17 gols e sofrendo apenas dois. Logo na estréia, nos 7 a 0 sobre a Venezuela, o país seria apresentado ao gênio Ronaldinho Gaúcho, que estreava com a camisa amarelinha marcando um gol de placa. Depois o Brasil fez 2 a 1 no México, 1 a 0 no Chile, 2 a 1 na Argentina, 2 a 0 novamente nos mexicanos e 3 a 0 na grande final contra o Uruguai. Ronaldo e Rivaldo dividiram a artilharia com cinco gols. O torneio marcou a estréia do Japão, que atendeu a um convite da Conmebol.

Em 2001 a Copa América foi disputada num clima de guerra civil, devido aos problemas da Colômbia, a sede, com guerrilhas e com o narcotráfico. O fato assustou a Argentina, que sequer enviou delegação. Liderado pelo técnico Luiz Felipe Scolari o Brasil cometeu outro histórico vexame ao ser eliminado pela modesta seleção de Honduras. Um ano depois a Família Scolari daria a volta por cima e se sagraria pentacampeã do mundo.

Em 2004, no Peru, a Seleção Brasileira conquistou um título histórico. O técnico Carlos Alberto Parreira decidiu fazer experiências e poupou as principais estrelas. Com isso o destaque do Brasil foi o atacante Adriano que, com sete gols, obteve a artilharia. A primeira fase foi complicada e após vitórias sobre Chile e Costa Rica e derrota para o Paraguai os brasileiros ficaram com a segunda posição. Nas quartas-de-final uma goleada sobre o México por 4 a 0 que escondia a fragilidade do time, que penou para superar o Uruguai nos pênaltis nas semifinais após empate por 1 a 1 no tempo normal.

Na grande final a Argentina, com seu time principal, ficou duas vezes em vantagem, com gols de Killy González e César Delgado. Luisão tinha marcado para o Brasil. Mas o empate veio aos 47 minutos, num chute de fora da área de Adriano, pouco tempo depois de Carlito Tevez, considerando o título ganho, ter feito firulas para menosprezar os brasileiros. o jogador viraria ídolo do Corinthians um ano depois. Nos pênaltis, os argentinos, abalados, caíram por 4 a 2.

Já em 2007 o técnico Dunga enfrentou muitos problemas antes da disputa do torneio, que foi na Venezuela. Os meias Kaká e Ronaldinho Gaúcho não quiseram jogar a competição alegando cansaço. O meia Zé Roberto pediu dispensa considerando que seu ciclo no escrete canarinho tinha chegado ao fim. Apesar de algumas dificuldades na primeira fase a Seleção Brasileira cresceu na reta final, mas mesmo assim chegou desacreditada para decidir com a Argentina. Porém, os brasileiros deram um verdadeiro show, ganhando por 3 a 0: gols de Júlio Baptista, Ayala (contra) e Daniel Alves.

Sistema de disputa

O sistema de disputa da Copa América deste ano é o tradicional, com as 12 seleções divididas em três grupos de quatro equipes. No Grupo A o Brasil está ao lado da Bolívia, do Peru e da Venezuela. O Grupo B tem Argentina, Catar, Colômbia e Paraguai. Já o Grupo C apresenta Uruguai, Equador, Chile e Japão.

As equipes se enfrentam em turno e returno dentro de seus respectivos grupois e ao fim os dois melhores colocados de cada chave avançam para as quartas de final, assim como os dois melhores terceiros colocados. A partir daí é sistema de mata-mata até a grande decisão.

(Foto: Arte/Gazeta Esportiva)

Abaixo o histórico do Brasil no torneio:

1916: 3º lugar
1917: 3º lugar
1919: Campeão
1920: 3º lugar
1921: 2º lugar
1922: Campeão
1923: Último lugar
1924: Não disputou
1925: 2º lugar
1926: Não disputou
1927: Não disputou
1929: Não disputou
1935: Não disputou
1937: 2º lugar
1939: Não disputou
1941: Não disputou
1942: 3º lugar
1945: 2º lugar
1946: 2º lugar
1947: Não disputou
1949: Campeão
1953: 2º lugar
1955: Não disputou
1956: 4º lugar
1957: 2º lugar
1959a: 2º lugar
1959b: 3º lugar
1963: 4º lugar
1967: Não disputou
1975: 4º lugar
1979: 4º lugar
1983: 2º lugar
1987: 5º lugar
1989: Campeão
1991: 2º lugar
1993: 6º lugar
1995: 2º lugar
1997: Campeão
1999: Campeão
2001: 6º lugar
2004: Campeão
2007: Campeão
2011: 7º lugar
2015: 5º lugar
2016: 9º lugar

Os títulos por países

URUGUAI: 15
ARGENTINA: 14
BRASIL: 8
CHILE: 2
PARAGUAI: 2
PERU: 2
COLÔMBIA: 1
BOLÍVIA: 1

Todos os campeões

ANO/CAMPEÃO/VICE
2016 Chile Argentina
2015 Chile Argentina
2011 Uruguai Paraguai
2007 Brasil Argentina
2004 Brasil Argentina
2001 Colômbia México
1999 Brasil Uruguai
1997 Brasil Bolívia
1995 Uruguai Brasil
1993 Argentina México
1991 Argentina Brasil
1989 Brasil Uruguai
1987 Uruguai Chile
1983 Uruguai Brasil
1979 Paraguai Chile
1975 Peru Colômbia
1967 Uruguai Argentina
1963 Bolívia Paraguai
1959 Uruguai Argentina
1959 Argentina Brasil
1957 Argentina Brasil
1956 Uruguai Chile
1955 Argentina Chile
1953 Paraguai Brasil
1949 Brasil Paraguai
1947 Argentina Paraguai
1946 Argentina Brasil
1945 Argentina Brasil
1942 Uruguai Argentina
1941 Argentina Uruguai
1939 Peru Uruguai
1937 Argentina Brasil
1935 Uruguai Argentina
1929 Argentina Paraguai
1927 Argentina Uruguai
1926 Uruguai Argentina
1925 Argentina Brasil
1924 Uruguai Argentina
1923 Uruguai Argentina
1922 Brasil Paraguai
1921 Argentina Brasil
1920 Uruguai Argentina
1919 Brasil Uruguai
1917 Uruguai Argentina
1916 Uruguai Argentina

Artilheiros

1916 Isabelino Gradín (Uruguai) – 3 gols
1917 Angel Romano (Uruguai) – 3
1919 Friedenreich (Brasil) – 4 gols
Neco (Brasil)
1920 Angel Romano (Uruguai- 3 gols
José Pérez (Uruguai)
1921 Julio Libonatti (Argentina) – 3 gols
1922 Juan Francia (Argentina) – 4 gols
1923 Aguirre (Argentina) – 3 gols
Pedro Petrone (Uruguai)
1924 Pedro Petrone (Uruguai) – 4 gols
1925 Manuel Seoane (Argentina) – 6 gols
1926 David Arellano (Chile) – 7 gols
1927 Roberto Figueroa (Uruguai) – 4 gols
1929 Aurelio González (Paraguai- 5 gols
1935 Masantonio (Argentina) – 4 gols
1937 Zozaya (Argentina) – 5 gols
Toro (Chile)
Varela (Uruguai)
1939 Teodoro Fernández (Peru) – 7 gols
1941 Juan Marvezzi (Argentina) – 5 gols
1942 José Moreno (Argentina) – 7 gols
Masantonio (Argentina)
1945 Méndez (Argentina) – 6 gols
Heleno de Freitas (Brasil)
1946 José María Medina (Uruguai) – 7 gols
1947 Nicolás Falero (Uruguai) – 7 gols
1949 Jair Rosa Pinto (Brasil) – 9 gols
1953 Francisco Molina (Chile) – 8 gols
1955 Rodolfo Micheli (Argentina) – 8 gols
1956 Enrique Hormazábal (Chile) 4 gols
1957 Maschio (Argentina) – 9 gols
Ambrois (Uruguai)
1959 Pelé (Brasil) – 8 gols
1959b Sanfilippo (Argentina) – 5 gols
1963 Carlos Raffo (Equador) – 6 gols
1967 Luis Artime (Argentina) – 5 gols
1975 Luque (Argentina) – 4 gols
Ernesto Díaz (Colômbia)
1979 Jorge Peredo (Chile) – 4 gols
Eugenio Morel (Paraguai)
1983 Burruchaga (Argentina) – 3 gols
Roberto Dinamite (Brasil)
Aguilera (Uruguai)
1987 Arnoldo Iguarán (Colômbia) – 4 gols
1989 Bebeto (Brasil) – 6 gols
1991 Batistuta (Argentina) – 6 gols
1993 Dolgetta (Venezuela) – 4 gols
1995 Batistuta (Argentina) – 4 gols
Luis García (Argentina)
1997 Ronaldo (Brasil) – 7 gols
1999 Rivaldo (Brasil) – 5 gols
Ronaldo (Brasil)
2001 Aristizábal (Colômbia) – 6 gols
2004 Adriano (Brasil) – 7 gols
2007 Robinho (Brasil) – 6 gols
2011 Paolo Guerrero (Peru) – 5 gols
2015: Eduardo Vargas (Chile) e Paolo Guerrero (Peru) – 4 gols
2016: Eduardo Vargas (Chile) – 6 gols

Fonte: Gazeta Esportiva

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