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Hélio dos Anjos usa duras palavras ao se despedir do Bicola

quarta-feira, 16/09/2020, 11:16 - Atualizado em 16/09/2020, 11:25 - Autor: Tylon Maués


| Paysandu/Divulgação

Após pedir demissão do Paysandu na manhã de ontem, o técnico Hélio dos Anjos foi, aos poucos, falando com a imprensa e com torcedores do Papão, estes em peso com mensagens de apoio a ele. Em seu perfil no Instagram, ele deixou uma longa mensagem de agradecimento ao clube, à cidade e à torcida. Ele encerrou deixando um conselho; “Princípios meus amigos, não abra mão dos seus”. À noite, ele falou com a reportagem do Bola sobre seu trabalho à frente do clube, a confiança do elenco, a relação com a torcida e sobre os problemas desses quase dois anos no cargo.

Hélio dos Anjos pede demissão e não é mais técnico do Paysandu

Confira.

INGERÊNCIA E INTROMISSÃO NO TRABALHO

“Ninguém vai interferir em meu trabalho na questão de escalar um ou outro jogador. Nunca permiti isso acontecer e sempre houve respeito por mim. A minha saída do Paysandu se resume a uma perda de confiança total minha no presidente e no executivo do clube. Quem está em posição de comando tem que dar exemplos. O primeiro exemplo é estar presente, o segundo é ter um comportamento de comandante. Há um ano eu tive problema com isso, com comportamento de comando. Isso foi administrado por mim nesse ano todo. Executivo brigando em hotel em Porto Alegre (RS) porque queria levar mulher para lá, o mesmo acontecendo em Bragança, é jogador saindo para a noite com ele e chegando sem condição de treino no dia seguinte. Reclamei com os dois, com o executivo e o presidente e foi comentado que é um erro normal. Eu posso ter todos os defeitos, mas eu no comando dou exemplo. Chego ao clube todos os dias às 7h30 e saio à noite, eu sou presente. Eu não passo a mão na cabeça de ninguém quando erra. Quando as coisas foram desgastando a relação, o meu presidente mostrou um comando frágil”.

CHEGOU A PENSAREM SAIR ANTES?

“Após o primeiro jogo contra o Paragominas eu não gostei das reações. Achei o comando fragilizado. A partir do momento em que o presidente vai publicamente reclamar de jogador, de atuação, sem falar na frente deles, é para mim uma fragilidade. É jogar para a torcida e para a imprensa, mas a realidade não é essa. Quem tem comando tem primeiro que cobrar internamente. Foram desgastes que me fizeram perder a confiança. Depois da entrevista deste sábado o presidente me orientou a fazer uma espécie de retratação e a minha palavra não tem curva. Não mudo uma palavra do que disse naquele dia e em qualquer outro. Na reunião de ontem (terça-feira) parecia que as coisas iam melhorar, mas só pioraram. Tive que escutar do presidente que quem trabalha dentro do clube e for torcedor pode falar o que quiser. Mas para mim não vai falar. Trazer seu lado torcedor para um local onde só tem profissionais é comando frágil”.

PERDAS TRAUMÁTICAS E CONFIANÇA NO TRABALHO

“Adquirimos ano passado aqui no Paysandu o respeito do torcedor. No futebol se ganha, se perde ou se empata. Mas o mais importante é que em qualquer um desses resultados você tenha um comportamento que o torcedor te respeite. O que foi adquirido foi isso. Quando terminou a temporada o presidente poderia ter me mandado embora, mas o torcedor respeitava o trabalho e o torcedor é o mais importante da história de um clube”.

REAÇÃO DA TORCIDA

“Esse respeito e esse comportamento do torcedor no dia de hoje e em outros momentos-chave, quando ele estava chateado, eu sempre tive muito apoio. O que eu tenho a receber do clube não representa 1% desse apoio do torcedor. E olha que não fiz pela história do Paysandu uma ponta de unha. A minha participação na história do Paysandu é muito, mas muito pequena pela grandeza da história do clube e pela grandeza de outros profissionais que passaram aqui - como exemplo cito Givanildo Oliveira. Esses problemas todos que passei em termo de direção eu respeito demais o Maurício (Ettinger, vice-presidente), que foi sempre uma pessoa equilibrada em todos os instantes. Esse apoio do torcedor marca, mas não queria estar vivendo isso. Queria estar preparando o time para o jogo de domingo”.

O EXECUTIVO NO FUTEBOL BRASILEIRO

“Algumas questões envolvem adaptações, mas o principal é o conhecimento no futebol. Você adquirir capacidade através dos cursos é muito pouco para esse mundo. O executivo do Paysandu tinha cinco anos de futebol, o que para mim é muito pouco. O Paysandu é muito grande para ele. Existem muitos profissionais capacitados, mas não dá para ser como é hoje, querendo mandar em tudo e transferir todas as responsabilidades aos treinadores. É tão ruim quanto o dirigente estatutário”.

PESAR EM DEIXAR O TIME

“É doído. Não estou confortável em ter saído, mas aí entra minha linha de trabalho. Mais desconfortável estava até ontem (terça-feira) em trabalhar daquele jeito. É doído, mas estava pior. Estava insuportável”.

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