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Esporte / Esporte Pará

ENTREVISTA

Paraense Rildo Saldanha busca vaga nos Jogos de Tóquio

domingo, 05/01/2020, 08:03 - Atualizado em 05/01/2020, 08:46 - Autor: Tylon Maués


Rildo Saldanha terá neste ano duas oportunidades de alcançar o índice paralímpico em algumas das provas que disputa, em especial os 800m, 1500m e 5000m
Rildo Saldanha terá neste ano duas oportunidades de alcançar o índice paralímpico em algumas das provas que disputa, em especial os 800m, 1500m e 5000m | Divulgação

Na metade da tradicional corrida de São Silvestre, no último dia do ano em São Paulo (SP), o atleta paralímpico paraense Rildo Saldanha liderava com folga em sua categoria, até que numa ladeira ele perdeu o controle de sua cadeira adaptada e capotou. Passado o susto de ficar de fora em sua primeira participação na mais tradicional corrida de rua do Brasil, ele pôde respirar aliviado por não ter se machucado mais gravemente. No entanto, ele perdeu uma roda de sua cadeira e isso tem sido uma dor de cabeça no ano em que tenta se qualificar para a primeira Paralimpíada da vida.

Em 2020, o paraense de 30 anos terá duas oportunidades de alcançar o índice em algumas das provas que disputa, em especial os 800m, 1500m e 5000m, suas especialidades. Em março e em junho, sempre na capital paulista, ele entra na pista do Centro Paralímpico Brasileiro em busca do sonho. Para tanto, terá que substituir a roda danificada, o que em tese é fácil. Difícil é ter os recursos para comprá-la.

A roda para sua cadeira adaptada é de fibra de carbono, bem mais leve e própria para o atletismo, e não sai por menos de R$ 12 mil, podendo chegar a R$ 15 mil, dependendo da marca. O ideal seria ter um kit reserva, mas os custos acabam sendo impeditivos. “É um pouco cara, mas no nível em que estou o material de primeira é imprescindível”, conta Rildo, atual recordista brasileiro nos 800m e pentacampeão nos 1500m.

O paratleta é o atual recordista brasileiro nos 800m e pentacampeão nos 1500m
O paratleta é o atual recordista brasileiro nos 800m e pentacampeão nos 1500m Divulgação
 

Casado e pai de dois filhos, Rildo foi descoberto aos 15 anos pelo professor de Educação Física e coordenador do projeto All Star Rodas, Wilson Caju. Foi ele quem o levou para treinar, primeiramente basquete e depois atletismo. Atual técnico da seleção feminina de basquete em cadeiras de rodas, Caju afirma que o convite partiu da intuição, sem muitas explicações. “Foi a minha intuição como treinador, pois vi nele um potencial e não errei. Hoje, com certeza absoluta, é um atleta de grande potencial”, conta.

Rildo conta que o esporte teve um papel preponderante para sua qualidade de vida. Até então, revela que mal tinha informações de que pessoas com deficiência poderiam ser atletas de alto rendimento, e de como se sentiu mais confiante em vários aspectos em seu dia a dia. Na entrevista a seguir, ele conta sobre seu começo, sobre as dificuldades no esporte e como vê a acessibilidade para as pessoas que, em geral, têm dificuldades de movimento na capital paraense.

Como você conheceu o esporte paralímpico e como começou a praticar?

RS - Comecei no esporte com 15 anos, através do próprio (Wilson) Caju. Estava com minha família vendo o Grand Prix de 2004, no Mangueirão, ele me viu e me convidou para praticar esporte. Desde então estou aqui, com o esporte ao meu lado.

O quanto você conhecia sobre esporte paralímpico e porque nunca havia experimentado praticar?

RS - Até o momento não tinha conhecimento nenhum de esportes adaptados a pessoas com deficiência. Hoje ele tem um papel importante em minha vida e pratico basquete e atletismo no All Star Rodas. Nos últimos anos tenho tido melhores resultados com o atletismo, pelo qual brigo por uma vaga na Paralimpíada.

O quanto o esporte teve impacto na tua vida pessoal?

RS - Minha vida se resume a antes e depois do esporte paralímpico. Antes, eu sempre dependia dos outros para qualquer coisa, para qualquer deslocamento. Depois, passei a ter mais independência, o que me ajudou muito. Hoje, tenho família, dois filhos, faço faculdade. O esporte mudou totalmente minha vida.

Hoje tens mais mobilidade, mas as cidades, prédios públicos, quase tudo em Belém e na maioria das cidades não é pensada também para pessoas com deficiência, não?

RS – Infelizmente, não. Costumo dizer que quem é deficiente é a cidade, não as pessoas. É ruim para idosos, crianças, não só para cadeirantes. Quem tem dificuldades de locomoção sofre muito com a cidade com toda essa infraestrutura que tem, que não é pensada para todos.

Voltando ao esporte, os tempos que precisas alcançar para se qualificar para os jogos de Tóquio estão dentro do teu desempenho hoje em dia?

RS - São metas que podem ser alcançadas e estão em meu planejamento. São difíceis, mas alcançáveis. Tenho um ciclo de treinos pensando nisso. 2019 foi um ano bom para mim, um ano de vitórias e conquistas, inclusive participando da São Silvestre.

Tiveste um acidente que impediu uma possível vitória na São Silvestre. O que aconteceu?

RS - Tive dificuldades e isso pode até me prejudicar na busca pela vaga. Sofri uma acidente e uma roda foi danificada e estou tendo problemas para treinar. Estava liderando até com folgas até os 15 quilômetros, mas numa ladeira a cadeira teve um problema e perdi o controle. Foram duas curvas seguidas e estava muito veloz, com cerca de 35 km/h. Por sorte não me machuquei, mas a roda terá que ser trocada. A roda é de fibra de carbono e tem que comprar outra.

A cadeira teve algum dano? Como isso pode impactar tua preparação?

RS - Felizmente a cadeira ficou intacta. Agora é buscar ajuda para comprar uma roda nova, que custa entre R$ 12 mil a R$ 15 mil. É um pouco cara, mas no nível em que estou o material de primeira é imprescindível. O certo seria ter pelo menos uma roda reserva, mas infelizmente é um custo alto. Minha cadeira já é de segunda mão, mas ainda assim é muito caro. Preciso dessa roda para conseguir treinar.

Tu consegues participar do circuito de corridas de rua que distribui prêmios em dinheiro?

RS – Não. Para conseguir passagens é sempre complicado. Os custos são altos. Para ir a São Silvestre quem me deu apoio foi a Seel (Secretaria de Esporte e Lazer). Além disso, a premiação para cadeirantes é sempre bem mais baixa e têm muitas provas de rua que nem premiação em dinheiro tem.

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