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SAUDADE

As lembranças 3 anos depois: família e amigos relembram momentos inesquecíveis de Lucas Gomes

sexta-feira, 29/11/2019, 11:38 - Atualizado em 29/11/2019, 14:12 - Autor: Bruna Dias


| DOL

“Me sentir amada e ver a felicidade do Lucas ao fazer gol são as cenas mais lindas que tenho ao lembrar dele”. É desse jeito que Aquinoan Carvalho pensa em Lucas Gomes. Foram oito anos de uma relação que saiu de Bragança, atravessou o país e criou uma cumplicidade com os mais belos planos.

Saudade e sonhos interrompidos: 3 anos da tragédia que vitimou o paraense Lucas Gomes, da Chapecoense

Veja imagens da carreira do paraense Lucas Gomes

“Nós já tínhamos comparado um terreno para construirmos a nossa tão sonhada casa. Também já estávamos pensando no nosso filho, que o Lucas tanto queria. Tinha certeza que em 2017 íamos casar e eu ia engravidar. Ele não via a hora de ter um filho, seria o Pedro Lucas ou Maria Aquiwana. O Lucas sonhava com um menino”, contou.

Última foto que Lucas e Aquinoan bateram.
Última foto que Lucas e Aquinoan bateram. Arquivo Pessoal
 

Lucas mostrando a tatuagem com o nome da companheira.
Lucas mostrando a tatuagem com o nome da companheira. Arquivo Pessoal
 

Aquinoan desembarcou em Belém no dia do jogo do San Lorenzo, para esperar o retorno do companheiro da Copa Sul-Americana para a cidade natal deles. Olhando tudo o que tem passado nesses três anos, a jovem só consegue pensar na saudade e convivência com a dor.

“Passei um tempo isolada do mundo, agora que consigo sobreviver. Todo mês eu vou ao cemitério, mas vivo uma batalha dia após dia. Eu não quero esquecê-lo, porque sei que o Lucas foi e vai ser o amor da minha vida”, desabafou Aquinoan.

Lucas e Aquinoan
Lucas e Aquinoan Arquivo Pessoal
 

Lucas e Aquinoan no Rio de Janeiro.
Lucas e Aquinoan no Rio de Janeiro. Arquivo Pessoal
 

Lucas e Aquinoan
Lucas e Aquinoan Arquivo Pessoal
 

“Eu tento viver sem culpa, ser remorsos. Peço para Deus todos os dias para que eu consiga viver e ser a pessoa que eu era antes do acidente”, acrescentou.

Perder o companheiro jovem tão bruscamente e ter dezenas de planos interrompidos por uma tragédia, certamente não é uma coisa fácil de superar. Em meio às lembranças, ainda é necessário lidar com a invasão e os olhares de muitas pessoas que não entendem a dor de quem precisa superar a ausência de um companheiro da vida.

“Não vi o corpo do Lucas e isso para mim virou um tormento, porque tenho a sensação que ele está vivo e ainda não o encontraram. Chegar em Chapecó para o velório foi o pior dia da minha vida. Graças a Deus a Geyse, esposa do Moisés (jogador da Chape e amigo íntimo de Lucas), ficou ao meu lado e me acompanhou em tudo”, explicou.

Lucas sendo homenageado quando jogou no Mangueirão, contra o Paysandu, pela Série B. Na ocasião ele defendia o Fluminense.
Lucas sendo homenageado quando jogou no Mangueirão, contra o Paysandu, pela Série B. Na ocasião ele defendia o Fluminense. Nelson Perez/Fluminense
 

“Quando eu vi aquele avião no aeroporto, com um monte de urnas passando por mim, me bateu um desespero tão grande. Juro, que sentir vontade de morrer. Tanto fazia para mim estar viva ou morta. Ao chegar em Bragança, lembro vagamente do estádio Diogão. Quando eu cheguei na casa do Lucas, tomei alguns medicamentos e só acordei no outro dia”, relembra Aquinoan.

O corpo de Lucas chegou na Colômbia foi velado na Arena Condá embaixo de uma chuva torrencial, com todos os outros atletas e membros da comissão técnica que foram vítimas do acidente. Em seguida, ele foi recebido no aeroporto Internacional de Belém, no dia 04 de dezembro, seguiu em cortejo para Bragança, onde foi velado durante uma noite na cidade. O corpo foi sepultado no dia seguinte na comunidade Nova Canindé.

Alan Bezerra, primo de Lucas Gomes, viveu momentos de glórias e de dor. A amizade vem desde a infância. Como eles moravam no interior, a família e alguns amigos eram bem próximos. “Sempre fomos bem unidos, mesmo ele sendo mais novo que eu. Ele sempre foi muito humilde, um cara sensacional. Nunca media esforço para ajudar a família. Tenho muito orgulho dele”, contou o primo.

“Ele jogava muita bola desde criança, a gente via nas suas jogadas que teria sucesso. Convivi com ele dois meses em Chapecó, via que era um cara respeitado. Sempre que saíamos o povo tietava. Ele me contava os clubes que queiram levá-lo”, acrescentou.

Lucas ao lado da mãe Eliete, o pai Luiz e os primos Maurício e Isaac.
Lucas ao lado da mãe Eliete, o pai Luiz e os primos Maurício e Isaac. Arquivo Pessoal
 

Alan foi um dos familiares que morou com o jogador, como citou acima. “Eu via o quanto ele estava feliz na Chapecoense, o sucesso que ele estava construindo e o reconhecimento deixavam a satisfação transparecer no rosto dele. Foi o melhor ano da vida dele, falando em termos do futebol. Tenho certeza que o próximo passo seria um time ainda maior ou até mesmo do exterior. Aquele time era muito unido, foi construído para pra fazer história!”, analisou.

Mesmo diante da tragédia, Alan evita lamentar tanto e destaca a gratidão que tem por ter passados esses 26 anos ao lado do primo.  “Agradeço sempre por todos os momento que dividir com ele, de ver Lucas compartilhando a felicidade dele comigo. Isso não tem preço”, desabafou.

Lucas e o primo Jurunas.
Lucas e o primo Jurunas. Arquivo Pessoal
 

Lucas e a irmã Syane
Lucas e a irmã Syane Arquivo Pessoal
 

Lucas com o irmão Luiz Miquéias e o primo Gilson
Lucas com o irmão Luiz Miquéias e o primo Gilson Arquivo Pessoal
 

“Não sei se eu fico feliz ou triste por ter sido o único da família, além da mulher dele, em estar em Chapecó durante a vida dele.  A nossa parceria era tão bacana, que quando ele chegava de férias, vinha para o interior e mandava logo eu arrumar a mochila para irmos para Bragança”, contou emocionado.

Após três anos precisando lidar com a dor, Alan transita segue entre a ausência da morte e o consolo de ter vividos dias maravilhosos ao lado de Lucas. “Se te falar que muitas vezes prefiro nem pensar que ele morreu... As lembranças deixo no meu coração, às vezes choro. Por isso q prefiro não pensar, para não sentir essa dor. Sou grato a ele, foi através dele que conheci lugares que nunca imaginei que fosse conhecer, como as Cataratas do Iguaçú, Argentina, Paraguai etc. Hoje é um dia de muita tristeza, a perda de uma pessoa querida e amada jamais é esquecida! Mas é dia de gratidão”, finalizou o primo de Lucas.

Lucas na sua casa em Bragança.
Lucas na sua casa em Bragança. Arquivo Pessoal
 

AMIGOS DO FUTEBOL

Foram apenas seis anos de futebol profissional, até a partida de Lucas Gomes aos 26 anos. Um estrada aparentemente curta, porém, marcada com amizades sinceras. Poucas palavras marcadas por uma timidez e a humildade são as características mais lembrada por quem conviveu com o atleta.

O jogador Edson, Lucas e o primo do bragantino, Alberto, na Perola do Caeté.
O jogador Edson, Lucas e o primo do bragantino, Alberto, na Perola do Caeté. Arquivo Pessoal
 

- Trio de amigos

Edson conheceu Lucas no Fluminense. Ao lado de Oswaldo eles estreitaram uma relação de amizade.

 

Oswaldo
 

O meia certamente foi um dos maiores amigos do paraense em vida, e que hoje sente lembra também dos ótimos dias que viveu ao lado de Lucas.

Edson já passou férias com o paraense em Bragança e na despedida de Lucas, ele estava lá ao lado da família nesse momento de dor.

Edson e Lucas no Fluminense
Edson e Lucas no Fluminense Nelson Perez/Fluminense
 

Edson e Lucas no Fluminense
Edson e Lucas no Fluminense Nelson Perez/Fluminense
 

Acompanhe a entrevista de Edson.

P: Como era sua relação com o Lucas dentro e fora de campo.

| Autor:
 

P: Onde estava quando soube da notícia do acidente?

| Autor:
 

P: Você foi ao velório do Lucas. Como foi que ele tomou essa decisão de se despedir do Lucas na casa dele, na terra dele?

| Autor:
 

P: Como tá a relação com a família do Lucas, ainda tem contato?

| Autor:
 

P: Depois de 3 anos, qual sentimento ficou? E qual a primeira coisa que vem à cabeça quando pensa no Lucas?

| Autor:
 

- Depoimentos

 

Arquivo Pessoal
 

Arquivo Pessoal
 

Arquivo Pessoal
 

 Produção e Reportagem: Bruna Dias

Edição de texto: Enderson Oliveira

Imagens: Demax Silva e Maycon Nunes

Imagens de apoio: Gabriel Caldas e Youtuber

Edição de imagem e finalização: Demax Silva

Realização: Diário Online  

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