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Re-Pa na semifinal da Copa Verde é tábua de salvação financeira pra clubes

domingo, 22/09/2019, 11:57 - Atualizado em 22/09/2019, 13:54 - Autor: Nildo Lima


Clássico veio em boa hora para Remo e Paysandu, que vão atrás da taça da competição.
Clássico veio em boa hora para Remo e Paysandu, que vão atrás da taça da competição. | Jorge Luiz/Paysandu SC

A classificação do Paysandu à semifinal da Copa Verde pode até não ter agradado ao mais apaixonado torcedor remista, assim como o Clube do Remo não era o adversário dos sonhos de muitos bicolores. Isso tudo por conta da tradicional rivalidade entre os vizinhos da avenida Almirante Barroso, que preferiam ver um ao outro sem calendário para o restante do ano. Mas, para as diretorias de Leão e Papão, os jogos entre as equipes, nos dois próximos domingos, dias 29 de setembro e 6 de outubro, representam a tábua de salvação financeira dos clubes, após ambos terem “naufragados” quase abraçados na Série C do Brasileiro.

Os clássicos não poderiam ter chegar em melhor hora para os cofres dos rivais. Sem outra fonte de receita de bilheteria na reta final da temporada, azulinos e bicolores esperam “bamburrar” com os Re-Pa’s, tendo faturamento até superior aos registrados em cada um dos quatro encontros disputados entre si este ano. O fato de se tratar de jogos decisivos, valendo vaga na grande final do torneio, na previsão dos dirigentes, deve servir de chamariz para os torcedores.

As partidas representam a única “decisão” da temporada envolvendo os arquirrivais, em termos de mata-mata. Os dois primeiros confrontos de 2019 foram pela fase classificatória do Estadual e os dois seguintes pela etapa de grupos da Série C, quando, além de seus próprios esforços, dependiam, no último Re-Pa, de outros resultados para avançar na Segundona, o que acabou sendo conseguido apenas pelo Paysandu. Agora, em condições de absoluta igualdade, sem vantagem para nenhum dos lados, Leão e Papão vão decidir suas sortes na última competição do ano diante, certamente, de grande público.

Com a perspectiva de cofres abarrotados de grana, tirada da renda dos clássicos, Clube do Remo e Paysandu esperam fechar a temporada se não sem dívida, ao menos sem a “corda no pescoço” pelas contas deixadas pelo insucesso de ambos no Brasileiro. Dinheiro que deve chegar à Curuzu e ao Baenão justamente quando os rivais mais necessitam em função do pagamento da folha extra do 13º salário a atletas e funcionários dos clubes com direito a pagamento proporcional ou integral do vencimento.

Para aumentar a expectativa de um final de ano feliz, um dos times avançará à final da Copa Verde, quando enfrentará o classificado da outra semifinal entre Cuiabá-MT e Goiás-GO, com possibilidade de público e renda recordes este ano no Mangueirão, sem contar a bolada de R$ 2,5 milhões pela vaga nas oitavas de final da Copa do Brasil de 2020 garantida ao campeão do torneio.

E  mais...

A Copa Verde, desde o seu início, em 2014, nunca foi uma competição financeiramente atrativa, tanto que a baixa premiação paga aos clubes participantes, fez com que muitos clubes convidados a tomar parte do torneio recusassem suas inclusões na disputa. A promessa da participação do campeão da competição na Copa Sul-Americana chegou a ser anunciada pela CBF como forma de convencer clubes de maior prestígio a tomar parte no torneio, mas logo a proposta foi substituída pela inclusão do time campeão nas oitavas de final da Copa do Brasil.

O “cala boca” acabou não empolgando alguns clubes, como, por exemplo, o Vila Nova-GO, que por diversas vezes teve sua participação na CV anunciada, mas jamais concretizada. O Goiás, por sua vez, até concordou em disputar o torneio este ano, mas com o seu time B.

Mesmo como principais atrações da CV, Leão e Papão, financeiramente, não têm muito o que festejar até aqui na edição deste ano. O Clube do Remo, em partidas contra o Sobradinho-DF e o Atlético-AC, em Belém, não chegou arrecadar R$ 200 mil nas bilheterias. Já o Papão faturou ainda menos na soma das cotas dos jogos contra o Nacional-AM e Bragantino. Apenas R$ 38.409,63.

Agora, com os titãs locais fora da Terceirona e se enfrentando em duas partidas, que colocarão um deles na final do torneio, a expectativa é de que o público nos clássicos deva chegar à marca de R$ 1 milhão e até mais, o que servirá de recompensa ao esforço de azulinos e bicolores em tomarem parte na deficitária competição.

Clássico decisivo é chamariz para o público

PELO LADO BICOLOR

O gol marcado pelo lateral-esquerdo Diego Matos, nas cobranças dos tiros livres da marca do pênalti, contra o Bragantino, pelas quartas de final da Copa Verde, tirou da cabeça do presidente do Paysandu, Ricardo Gluck Paul, uma senhora preocupação. Com a classificação do time garantida à semifinal do torneio, contra o Clube do Remo, o dirigente já sabe de onde virá o dinheiro para bancar boa parte das despesas do clube na reta final da temporada: das bilheterias dos clássicos, que, na expectativa de Gluck Paul, devem superar as arrecadações dos Re-Pa’s anteriores do ano.

O fato de os jogos de ida e volta entre Leão e Papão decidirem vaga na final do torneio, na ótica do dirigente, deve arrastar os maiores públicos da temporada ao estádio estadual. “Sem dúvida que por serem clássicos decisivos, o público deverá ser bem maior. É um detalhe que faz toda a diferença”, confia o presidente do Papão. Ele admite que em termos de perspectiva de receita o Re-Pa é pra lá de superior caso o adversário tivesse sido outra equipe. “Financeiramente, sem dúvida que o clássico é superior a qualquer outra partida”, compara.

Gluck Paul aponta os dois clássicos com o maior rival como “uma decisão de outro campeonato”, salientando que o Paysandu defenderá a hegemonia no torneio, do qual é o campeão de 2016 e 2018. Ainda no tocante ao aspecto financeiro das partidas, o presidente ressalta a necessidade de o Papão ter de fazer caixa, após ter sido alijado da Série C, cuja fórmula de disputa é criticada por ele. “Você prepara seu time para jogar dez meses no ano e, de repente, joga só oito, ficando sem receita no restante da temporada”, observa Gluck Paul, admitindo que os Re-Pa’s devem servir como válvula de escape financeira para os clubes.

Dinheiro ajudaria no planejamento para 2020

PELO LADO AZULINO

Para diretoria do Clube do Remo, assim como está sendo para o arquirrival Paysandu, a classificação de ambas as equipes para a semifinal da Copa Verde é um presente caído do céu. E a dádiva pode, conforme lembra o diretor de futebol do Leão, Dirson Neto, ser ainda maior, caso a equipe azulina garanta participação na grande final do torneio interestadual. O dirigente calcula que só com os dois clássicos, o clube deverá faturar algo em torno de uns R$ 700 mil.

“Levando em conta que no último Re-Pa, valendo pela Série C, tivemos uma cota pouco mais de R$ 400 mil, e que o primeiro dos dois clássicos deverá ter público inferior ao segundo, que é o mais decisivo, acho que o ganho será em torno desse valor”, declarou Neto. “Agora, se conseguirmos chegar à final, o que a gente espera que aconteça, com toda a certeza a arrecadação deverá atingir a casa de R$ 1 milhão”, projeta o dirigente remista, ressaltando que o valor vem em boa hora.

“Estamos chegando ao final do ano e, como todos sabem, as despesas são maiores, com o pagamento de uma folha extra que é a do 13º salário, além da exigência de dinheiro para a montagem e a preparação do elenco para a temporada seguinte”, observa Neto. “Como só nos restou a Copa Verde, após a nossa saída da Série C, ainda precisamos honrar o pagamento dos salários do elenco e dos funcionários nos meses de outubro, novembro e dezembro”, salienta.

O dirigente admite que disputar a semifinal contra o maior rival é, “com todo o respeito ao time do interior”, como observa Neto, bem diferente que enfrentar o Bragantino. “Se a gente tivesse que jogar com o Bragantino, o nosso jogo aqui (em Belém) seria no Baenão, que tem capacidade (14 mil pessoas) bem inferior à do Mangueirão”, compara o diretor azulino. “Além dessa questão de público, o preço do ingresso no jogo contra o Bragantino seria menor”, observa Neto.

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