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Esporte / Esporte Brasil

NOVO LAR

Taças de campeão do Palmeiras-SP serão mostradas na Arena em 2020

quinta-feira, 03/10/2019, 18:00 - Atualizado em 03/10/2019, 18:00 - Autor: FOLHAPRESS


| Cesar Greco / Palmeiras

Embalados em caixas e guardados em um depósito longe dos olhares dos torcedores, os troféus do Palmeiras devem ganhar um novo espaço para exposição em 2020. O clube e a WTorre estão em fase final do esboço do projeto para um novo memorial no Allianz Parque.

O Palmeiras será o curador da galeria e o responsável pelo investimento para sua construção. O valor não foi informado. A empresa que administra o estádio vai ceder o espaço, além de fornecer a estrutura básica, como a parte elétrica, ar condicionado e internet, por exemplo.

Os termos do contrato comercial estão sendo discutidos, mas já está definido que a renda da bilheteria será do clube, que pagará à construtora pelo aluguel do ambiente.

De acordo com o diretor financeiro da WTorre, Luis Davantel, as obras devem iniciar no começo do próximo semestre. A operação do museu será do Palmeiras. 

"É a história do clube. No modelo que estamos estruturando, o clube vai ser o curador e operador", diz Davantel.

A conclusão ainda depende da definição de um cronograma. "Tem uma possibilidade de ser [entregue] no primeiro semestre. Mas isso depende muito mais do tempo de execução do que de qualquer outra coisa", acrescenta.

Na arena, existem pelo menos dois espaços que podem abrigar o projeto. Eles estão localizados no andar térreo do estádio, com acesso principal pela Rua Palestra Itália. O maior ambiente possui 1,2 mil m² e o menor, 1,1 mil m². Ambos são ligadas à parte superior da arena por escadas rolantes.

"A definição do local vai depender de como vai ser o modelo que o Palmeiras quer executar", explica o diretor da construtora.

Davantel conta que gostaria de ver na casa palmeirense um memorial semelhante ao do Museu do Futebol, no estádio do Pacaembu. 

Até 2010, as taças do time alviverde eram expostas em um salão sob as arquibancadas do antigo Palestra Itália, demolido para a construção do Allianz Parque. Desde então, o acervo foi para um local não revelado pelo clube. 

O Palmeiras tem mais de 6.000 taças, incluindo conquistas por esportes amadores. Entre os principais títulos do futebol estão: 22 Paulistas, 3 Copas do Brasil, 10 Brasileiros (incluindo Taça Brasil e Torneio Roberto Gomes Pedrosa), 1 Copa Mercosul, 1 Libertadores e a Copa Rio-1951, que o clube considera como título mundial. 

Construir uma galeria de conquistas estava entre as promessas de campanha de Maurício Galiotte, reeleito presidente do Palmeiras em novembro de 2018 para o seu segundo mandato, até 2021. 

Para tirar qualquer projeto do papel, no entanto, ele precisou aparar arestas com a WTorre, responsável pela construção do estádio. A relação entre o clube a empresa estava estremecida desde a gestão do ex-presidente alviverde Paulo Nobre, entre janeiro de 2013 e dezembro de 2016.

Ao longo de sua administração, Nobre travou várias discussões com a construtora, sobretudo pelo direito de propriedade da arena. Entre os principais pontos debatidos estava a localização das cadeiras cativas para os sócios que possuíam assentos no antigo Palestra Itália.

Esses e outros itens do contrato de 30 anos assinados pelas partes ainda estão sendo debatidos na Câmara de Arbitragem e Conciliação da Fundação Getúlio Vargas. Os impasses inviabilizavam a execução de qualquer parceria, inclusive a construção de um memorial.

"As questões que estão na arbitral seguem. Elas têm uma dinâmica e vida própria. Mas, hoje, nós temos um alinhamento de interesses. Isso é fundamental. O Maurício [Galiotte] está muito empenhado em fazer uma relação muito boa entre Palmeiras e WTorre", afirmou Luis Davantel.

Pessoas próximas à diretoria do Palmeiras, ouvidas pela reportagem, confirmam que Galiotte já teve dezenas de encontros com diretores da construtura e restabeleceu o diálogo entre as partes.

Citam como exemplo, inclusive, a presença de dirigentes da empresa na festa pelo aniversário de 105 anos do clube, realizada no último dia 26 agosto, à convite do mandatário alviverde.

O próprio Palmeiras passou a reconhecer que é sua a responsabilidade de construir um memorial.

"As tratativas sobre o memorial seguem acontecendo e estão avançando satisfatoriamente. O projeto deverá ser desenvolvido e implementado pela Sociedade Esportiva Palmeiras.", informou o clube em nota.

Uma parcela dos conselheiros do clube defendia que o financiamento do projeto caberia à WTorre e que estaria previsto no contrato de construção da arena. A reportagem teve acesso ao documento, no qual não consta esta obrigação especificamente. O acordo diz que a empresa teria de construir um estádio com padrão Fifa. 

A empresa afirma que ter um espaço destinado a expor as conquistas do clube sempre foi de seu interesse. Inclusive por ser uma nova fonte de receita.

"Quando a gente visita projetos simulares no mundo inteiro, a gente vê que um museu é uma peça importante nas arenas porque ele conta a história do clube que elas abrigam", diz Davantel.

O ex-presidente Paulo Nobre não foi localizado para comentar o assunto. 


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