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DIA NACIONAL DOS QUADRINHOS

Palestra refaz caminho dos quadrinhos no Pará 

quinta-feira, 30/01/2020, 09:52 - Atualizado em 30/01/2020, 10:02 - Autor: Lais Azevedo Martins


| Reprodução/Agência Belém

Nesta quinta-feira, 30, Dia Nacional do Quadrinho, os paraenses Vince Souza e Otoniel Oliveira realizam, às 18h30, no Centur, uma palestra contando a história dos quadrinhos no Pará. Ambos participaram de projetos que ajudam a contar esta jornada, a qual tem como marco o ano de 1972, com a publicação de uma entrevista feita em forma de quadrinho no jornal “Folha do Norte” (1896-1974), na capital paraense.

A arte desse primeiro quadrinho publicado no estado era do ilustrador Bichara Gaby, com roteiro do professor João de Jesus Paes Loureiro. Um início parecido com o que marca o dia 30 de janeiro, como celebração nacional da linguagem HQ. Nesta data, em 1869, Angelo Agostini publicou na revista “Vida Fluminense” (1868-1875), aquela que é tida como a primeira história em quadrinhos do Brasil: “As Aventuras de Nhô Quim ou Impressões de Uma Viagem à Corte”.

No Pará, a história se desenrolou a partir de iniciativas coletivas, individuais e mesmo com apoio público. Vince destaca, dos anos 1980, o lançamento de editais de quadrinhos pela então Fundação Cultural Tancredo Neves (Centur) e uma exposição em formato de quadrinhos, realizada pelo desenhista Branco Medeiros. “Mas o boom mesmo veio nos 1990, com o surgimento dos coletivos de quadrinhos”, aponta o pesquisador. Entre eles, o primeiro, chamado Boca no Mundo e, depois, o Ponto de Fuga. “Ao mesmo tempo o Bené ( Bené Nascimento, o Joe Bennett) foi trabalhar para Marvel, sendo o primeiro quadrinhista da região Norte a trabalhar para uma grande editora”.

Também foi naquela década que houve a criação da gibiteca na Biblioteca Pública Arthur Vianna (Centur), seguida, nos anos 2000, de novos coletivos, como o Casa Velha. “O pessoal estava começando a dominar a internet, alguns trabalhos já tiveram alguma apresentação melhor. Tanto é que vários quadrinhistas passaram do fanzine para uma publicação mais elaborada”, aponta Vince.

Nessa nova geração, começaram a surgir também mais paraenses interessados em pesquisar sobre quadrinhos e registrar essa história, como ocorreu com Vince e Otoniel, que ainda contaram com o apoio de outros profissionais da área, como o desenhista e animador Cássio Tavernard. Além de professor de artes, Vince trabalha na área de cinema e lançou, em 2015, o documentário “VHQ - Uma Breve História do Quadrinho Paraense”, disponível no Youtube; e, em 2019, o livro de mesmo nome, em parceria com Otoniel.

“No livro, juntei todo material que tinha pesquisado desde 2008 e outros que acabei adquirindo ao longo dos anos, depois do documentário lançado. A pesquisa é minha, mas tive a ajuda do Otoniel na escrita”, conta Vince. A obra foi lançada com tiragem limitada na última Feira Pan-Amazônica do Livro, e os dois autores planejam um novo lançamento, ainda neste semestre com mais exemplares. “Em fevereiro o documentário faz cinco anos, o que irei abordar [na palestra], e juntos vamos falar um pouco da produção do livro”.

GIBITECA

Antes da existência da Gibiteca do Centur, era difícil saber quem tinha HQs. Por isso, o surgimento desse espaço também deve ser destacado como um marco, ao permitir o encontro de quem gostava, colecionava e produzia quadrinhos na cidade. Vince cita o professor Arnaldo Prado Junior, membro da Associação de Críticos de Cinema do Pará, dono, já naquela época, de um acervo invejável de HQs. “Com essa aproximação das pessoas, também começaram a surgir as oficinas de quadrinho, e muitas delas geraram os coletivos”, aponta.

O que levou a mais um patamar, que foi o incentivo à participação feminina nessa história. “Elas produzem bastante, tanto que acabou surgindo o MAR, coletivo de mulheres artistas, que trabalham com várias linguagens, incluindo quadrinhos, ilustração, fotografia, escrita. E isso é outro ponto legal. No meu documentário, abordo as quatro linguagens do traço: quadrinhos, cartoon, ilustração e animação. Um completa o outro, o que gera novas formas de trabalho, todo ano tem algo novo”, diz Vince.

Quem tiver a oportunidade de participar da programação, também é convidado a dar uma olhada na exposição sobre os quadrinhos no Pará. Ali, será possível conhecer um pouco do trabalho de inúmeros personagens, como os já citados Bichara Gaby e Joe Bennett, mas também Miguel Imbiriba e Eduardo Barbier, ambos com trabalhos na França; Adriana Abreu, considerada a primeira mulher do quadrinho paraense e até hoje em atividade; além de nomes da nova geração, como Ty Silva, Rosinaldo Pinheiro, Emannuel Thomaz e Alan Yango. “Todo esse pessoal fez e faz história, o que não pode deixar é de passar o bastão sempre para uma nova geração”, diz Vince.

PLATAFORMA

Para manter essa produção cada vez mais visível e fortalecer o surgimento de novos criadores, a Rede Comics lançou, durante a Semana do Quadrinho Nacional, uma plataforma digital gratuita para disponibilizar quadrinhos originais, que podem ser acessados em computadores, celulares e tablets. A estreia foi com oito títulos, com colaborações dos artistas paraenses Alan Yango (Quem é o Maioral?), Emerson Coe (Túmulo do Horror), Emmanuel Thomaz (Visagem, O Crime Dadaísta, Pequena Naza e os Encantados), Marcio Loerzer (Deus é Brasileiro) e Igor Alves (Motherfuck).

“Devido a repercussão, já tem outros autores enviando trabalhos para divulgação na plataforma, então devemos ir além dos trabalhos paraenses”, destaca Emerson Coe, idealizador da Rede Comics, site de notícias da cultura pop, que também divulga carton, teasers e ilustrações. Ele conta que a plataforma levou um tempo a ser desenvolvida, na busca por fornecer as HQs em um formato de leitura agradável em versão digital. “Não foi tão simples. Agora o que estamos fazendo é transformar para um aplicativo”, adianta ele. Autores que desejam enviar trabalhos para a plataforma, podem fazê-lo através de email, basta acessar o site da Rede Comics e estar atento às regras.

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