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Música

Ex-Menudo agora circula o país para dar testemunho evangélico

quinta-feira, 22/02/2018, 10:12 - Atualizado em 22/02/2018, 10:12 - Autor:


O ex-Menudo Roy Rosselló teve, até pouco tempo, um passado contado apenas pelo ponto de vista da fama, com direito a Grammy ao lado de Michael Jackson e milhões de discos vendidos. Quando, em 2014, revelou durante o reality show “A Fazenda” ter sido abusado verbal, física e sexualmente pelo idealizador da boy band latina mais conhecida do mundo, foi o início de uma mudança em sua vida. Ele conta, em entrevista exclusiva para o caderno Você, que viu novo sentido na fama. Sentiu que ela poderia ser usada como forma de dar seu testemunho às famílias. Então converteu-se à igreja evangélica.


“Eu me converti há três anos, e venho dando esse testemunho há dois anos no Brasil”, diz ele. Boa parte de sua fala aos fiéis refere-se à pedofilia. Faz um pedido para que as famílias sejam mais atentas às crianças e que as vítimas vejam na religião um caminho de cura. “Os abusos que eu sofri pelo mentor do grupo (Edgardo Díaz) durante os três anos da minha convivência com eles foram algo muito traumatizante. No passado, eu tentei tirar minha vida cinco vezes porque eu não aceitava, porque aquilo tinha sido muito humilhante”, relata.


Roy entrou para o Menudo quando tinha 13 anos de idade, participando da primeira formação, entre os anos de 1983 e 1987, ao lado de Robby Rosa, Charlie Massó, Ray Reyes e Ricky Meléndez. Este último é quem fora substituído por Ricky Martin poucos meses depois da banda atingir seu apogeu na América Latina. O cantor e compositor afirma que mesmo com a trajetória vivida nos palcos e o dinheiro, não se sentia bem. “Meu pai é milionário em Porto Rico, mas eu me sentia no fundo do poço por não encontrar uma saída”. 


Adolescente, nos tempos de Menudo (Foto: Divulgação)


E a mudança veio a partir de um sonho com Jesus Cristo. “Uma escada em caracol, Ele lá em cima, foi maravilhoso. Ele falando para eu ficar bem, que ele ia mudar minha história”. 


Hoje, Roy frequenta a Assembleia de Deus, mas também visita outras igrejas. Em Belém, serão três até este domingo, 25, e ele ainda fica até dia 4 de março para outros convites. “Eu me sinto um veículo para Deus ajudar pessoas com esse trauma. Isso é incurável pela medicina. Eu encontrei a cura em Jesus, ao ponto de eu conseguir perdoar esse agressor. E me senti aliviado, minha vida passou a ter sentido, propósito”, conta.


O músico se emociona ao contar que as pessoas compartilham com ele suas histórias e que ele próprio precisa se fortalecer antes de cada testemunho. “Preciso me ajoelhar e pedir que Jesus fale por mim”. Roy afirma que abriu mão de trabalhar com o pai no ramo imobiliário, de ter uma vida financeiramente melhor, mas que se sente gratificado pela escolha de permanecer no Brasil. “É gratificante ajudar essas pessoas, que compartilham comigo suas histórias, algo que não conseguem fazer nem com um pastor, por vergonha do que ocorreu em suas vidas”.


Depois da religião, um novo olhar para o passado


Diferente do que os fãs podem pensar, Roy Rosselló conta que suas memórias do tempo como Menudo eram um pesadelo. “Depois que aceitei Jesus, passei a entender que tudo acontece por um propósito. Eu sei que vivi bons momentos no Menudo, que antes eu não reconhecia. Antes, o Menudo foi uma desgraça, um pesadelo do qual eu queria acordar e não conseguia”. Das boas lembranças que hoje gosta de retomar, está a amizade com Julio Iglesias e o encontro, no Grammy de 1984, com Michael Jackson.


A amizade com Iglesias veio durante uma participação no programa de TV americano “Solid Gold”. “Ele estava sentado, me chamou atenção que ele estava sem meia. Veja só, eu sentei ao lado do Julio Iglesias e perguntei: ‘você esqueceu de colocar as meias?’. Ele disse: ‘não, essa é minha moda’. Eu adorava a atitude dele, a autenticidade”, comenta. 


Formação clássica, que lotou o Mangueirão (Foto: Divulgação)


Com o Rei do Pop, o encontro foi para entregar uma das oito estatuetas pelo disco “Thriller”. “Ele não conseguia segurar todas, quando fomos tirar uma foto juntos, e lembro que eu o ajudei. Ele gostou muito de mim”. 


Para Roy, Michael era alguém com quem se identificava não pela música, mas pela história de vida. Como alguém que começou cedo demais nos palcos e sob a pressão abusiva de um adulto. “Ele sofreu abusos do próprio pai que o produzia, não teve uma infância. O Michael era uma criança, e as pessoas que o acusavam de pedofilia não conseguiam entender isso. Ele chegou a me convidar para visitá-lo. Foi Edgardo Díaz (o criador do Menudo) quem não permitiu, por ciúmes”, afirma.


E entre tantas lembranças, Belém também está nos momentos bons. Inclusive, sabe de cor: “Foram 80 mil pessoas no estádio”. A apresentação histórica que ele realizou aqui com o grupo ocorreu no Mangueirão, em fevereiro de 1985. “Foi o primeiro lugar em que pisamos ao chegar para a nossa primeira turnê no Brasil”. Sobre a empolgação das fãs e a multidão para assisti-los, Roy afirma que foi um pouco assustador. “Nós falávamos ‘essas brasileiras são loucas!’ (risos). Eu já vi muita loucura, mas nada como no Brasil. Quando brasileiro gosta, se entrega de corpo e alma. E eu me apaixonei pelo país, queria ter nascido aqui”.


Sobre retomar a carreira musical ou audiovisual – Roy é formado em Produção de TV e Cinema pela Art Institute da Flórida –, ele afirma que a forma como passou a fazer suas escolhas na vida também mudou. “Quando você entrega sua vida a Deus, você deixa ele te conduzir. Claro que temos sonhos e desejos, mas sabe quando você já teve tanta coisa, de tudo – dinheiro, melhores hotéis, jato privado, milhões de dólares –, que hoje, eu me deixo levar pelo que Deus tem a colocar na minha vida. Eu vivo o dia a dia”.


(Lais Azevedo/Diário do Pará)

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