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Ajuricaba

Mais de 30 nações indígenas vão a guerra contra o colonialismo em nova HQ

Líder indígena Ajuricaba que guerreou contra os portugueses ganha HQ por artistas de Manaus

terça-feira, 16/02/2021, 09:29 - Atualizado em 16/02/2021, 09:57 - Autor: Emerson Coe


Detalhe da capa de "Ajuricaba"
Detalhe da capa de "Ajuricaba" | Ana Valente

No final do ano passado o estúdio Black Eye lançou “Ajuricaba”, uma história em quadrinhos de 132 páginas, que conta a saga do líder indígena Manao, responsável pela maior campanha de resistência anticolonialista das nações indígenas do Amazonas no século XVIII.

A publicação foi distribuída em bibliotecas públicas e escolas municipais graças ao edital Prêmio da Prefeitura de Manaus, Conexões  Culturais de 2018 que possibilitou que a história dos Manaos chegasse aos quadrinhos, criada pelo jornalista, roteirista e ilustrador Ademar Vieira e ainda com os desenhos de Jucylande Júnior, do estúdio C-4; arte-final de Tieê Santos a arte da capa ficou nas mãos habilidosas de Ana Valente.

A novela gráfica, remonta a saga de Ajuricaba pouco antes de ele se tornar líder de seu povo. Os manaos ou manaós eram uma tribo guerreira que lideravam a maior parte das tribos do Rio Negro. A princípio aliada aos portugueses, faziam trocas para conseguir escravos indígenas que eram levados para os engenhos de cana de açúcar no Pará e Maranhão, após o assassinato do pai, Ajuricaba, assume o comando dos Manaos e inicia uma longa campanha de guerra ao colonialismo português, que dura cinco anos e mobiliza mais 30 nações indígenas.

 Muito além do entretenimento, a HQ tem um valor histórico e cultural simbólico para o povo de Manaus e do Amazonas.  “Antes de escrever o roteiro, eu fiz uma pesquisa histórica e antropológica para conhecer mais sobre Ajuricaba e os Manaos e recebi ajuda do escritor Márcio Souza e do historiador Davi Avelino. Tive acesso a um vasto material muito específico sobre o momento histórico em que a HQ se passa, por isso, eu acho que essa é uma história bastante necessária para o público de hoje, principalmente para que os manauaras conheçam melhor a nossa própria história”, disse Ademar Vieira.

 

Emerson Coe
 

Com um traço peculiar especialmente desenvolvido para a novela gráfica Jucylande Júnior conta sobre as dificuldades do projeto. “Esse foi o projeto mais diferente e mais longo que eu já participei. Tivemos vários problemas. Eu perdi meu pai e minha mãe nesse período e tive que parar, mas conseguimos terminar e o resultado está bem satisfatório. Desde o início, o Ademar me cobrou para que eu me desafiasse e criasse um traço novo, mais simples do que eu fazia e demorei muito para chegar ao resultado final, mas quando cheguei, todo mundo gostou e até hoje esse traço tem rendido bons feedbacks e abrindo portas para mim”.

 Resgate da língua Manao

 A HQ também faz um resgate da extinta língua Manao. Algumas das poucas palavras do idioma extinto no século XVIII registradas, foram utilizadas nas falas dos personagens da hq. “De toda a riqueza da língua Manao apenas 140 palavras foram registradas por um expedicionário francês, quase um século antes dos acontecimentos da hq. Eu tive acesso a esse livro e traduzi do latim para o português e algumas delas nós utilizamos na graphic novel para que o público de Manaus tivesse contato com o idioma do povo que deu origem ao nome da cidade”, disse Ademar Vieira.

Onde encontar

 

Capa Ajuricaba
Capa Ajuricaba Divulgação
 

Pode ser adquirida por meio de vendas online no perfil da @blackeyeestudio e na loja Ugrapress.

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