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Brazilians Against Time: correndo por um bom motivo

segunda-feira, 05/06/2017, 16:56 - Atualizado em 05/06/2017, 16:56 - Autor:


A corrida contra o tempo começa a partir do momento em que a primeira tela carrega. O jogador então executa uma série de comandos feitos quase que somente com memória muscular, já que ele passou por aquela fase centenas, milhares de vezes. O relógio continua e o runner também, passando por obstáculos e trilhando caminhos conhecidos (ou não, dependendo do jogo), até chegar ao fim.

speedrun tem como objetivo terminar o jogo da maneira mais rápida possível. Existem várias categorias: a que você precisa terminar o jogo em 100%; a que não importa a porcentagem; aquela em que você não pode usar nenhum glitch; a que você deve terminar todas as masmorras de determinado jogo. E, para os programadores de plantão, existe uma variação em que o personagem é controlado por uma inteligência artificial pré-programada para fazer tudo automaticamente com o menor tempo de resposta possível – só que essa não entra nos rankings.

Mas qual é a graça disso?

Boa parte dos runners já terminou o jogo tantas vezes e de tantas maneiras diferentes que tentam diminuir o tempo em que completam os desafios como incentivo para continuar jogando. Pode ser economizando um pulo ou atravessando uma parede, no fim das contas, o objetivo é o mesmo: finalizar o jogo.

O processo não precisa ser solitário: a comunidade de speedrun é bem sólida e está em constante crescimento. Apesar da rivalidade na hora de comparar os tempos, no geral os runners compartilham suas táticas para diminuir os tempos com todo mundo que estiver interessado – há diversos vídeos no YouTube e fóruns na internet.

O evento

O Brazilians Against Time nasceu quando Hugo “Hugo4Fun” Carvalho foi convidado para apresentar sua speedrun de Dungeons & Dragons: Shadow Over Mystara no Awesome Games Done Quick, um dos maiores eventos de speedrun beneficentes do mundo.

Assistida por 120 mil pessoas no dia, a run de Hugo durou pouco mais do que 30 minutos, mas o aprendizado que ele tirou do evento como um todo foi extremamente maior. Conversando com os organizadores, o brasileiro viu a oportunidade de fazer um evento similar aqui no país, a fim de aumentar a visibilidade do cenário e, de quebra, ajudar quem precisa.

A entidade escolhida para a edição desse ano foi a Médicos sem Fronteiras, organização humanitária internacional que leva médicos voluntários para regiões em situação de risco, que tenham sofrido por conta de desastres naturais, estejam enfrentando epidemias, etc. A primeira edição do evento, em 2016, beneficiou a AACD.

Luigi Olivieri, estudante de 24 anos que ajuda na organização do evento, contou um pouco sobre sua experiência com o Brazilians Against Time:

Trabalhar na Br.AT é algo único, pelos mais diversos motivos. A iniciativa por si só é rara no Brasil, temos poucos exemplos similares por aqui, e ter uma equipe tão diversa como a nossa, cada um com uma formação diferente contribuindo com o máximo que pode, já ajuda a fazer um evento tão bacana como temos hoje. No entanto, o que mais me dá orgulho de fazer parte disso é ver como a comunidade, seja staff, espectadores ou runners, se esforça para o evento acontecer.

Nós tivemos vários imprevistos antes e durante a Br.AT 2017, mas toda vez que acontecia algo de errado, todos os envolvidos faziam o máximo pra resolver ou contornar o problema, seja emprestando um computador ou um cartucho para uma run ou no caso da Walkers, que o Evandro cedeu para essa edição visto que não teríamos verba para alugar um espaço. É incrível ver todos se esforçando para fazer a comunidade crescer e apoiar uma causa como a Médicos sem Fronteiras, e dá cada vez mais vontade de fazer parte disso.

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No centro, Luigi assistindo ao runner; à esquerda, Kelvin te julgando silenciosamente.

A comunidade de speedrun é muito unida. Meses antes da segunda edição da Brazilians Against Time, o pessoal organizou uma outra maratona para levantar fundos e ajudar os jogadores de outros estados – como Kelvin Goulart Outeiro – ou só KelvinOuteiro, de 23 anos, que trabalha com TI.

Eu só consegui por conta da comunidade que fez uma maratona alguns meses antes arrecadando dinheiro pra trazer quem mora longe de SP, como eu, sou de Joinville.

Ele ainda explica um pouco sobre o processo de seleção dos jogos da maratona:

Tem alguns jogos que podem ser considerados ofensivos ou tem apologia a alguma coisa, outros são longos demais ultrapassando horas da agenda e acaba não deixando que outra pessoa possa jogar. Eu pretendo pedir pra jogar uns 4 jogos ano que vem. Espero que 2 passem [risos].

Guerra de doações

Um dos momentos mais divertidos do evento foi a guerra de doações que decidiu o segundo jogo de Mega Man que Luiz Miguel apresentou.

Dias antes da maratona começar, o runner, que detém o recorde mundial de Mega Man X com 35:05 minutos, tweetou o seguinte:

Desculpem, mas o X2 é um jogo ruim de correr.

Ele se referia ao Mega Man X2, alegando que o jogo é difícil de correr por causa de suas aleatoriedades. Claro, é compreensível – depender de coisas aleatórias enquanto está tentando fazer o trajeto da forma mais rápida possível pode ser bem frustrante.

E era exatamente esse um dos jogos que Luiz poderia ter jogado. Como parte do sistema de doações, o público podia escolher o segundo jogo do runner no evento – Mega Man X2 ou Mega Man X3.

Os próprios jogadores presentes  no evento fizeram doações para escolher o jogo de Luiz. Num vai-e-vem digno de Copa do Mundo, as doações para Mega Man X2 chegaram a liderar a guerra por 1 centavo, mas no fim das contas foi uma doação de R$ 50 que determinou que ele jogaria o Mega Man X3. Ufa.

Além do Luiz, quem ganhou com essa guerra foi o evento como um todo: só nessa brincadeira, foram arrecadados quase R$ 500.

O processo envolvendo o dinheiro doado é muito transparente: as doações foram documentadas em uma planilha pública do Google, que detalha todos os incentivos disponíveis em português e inglês.

A maratona acabou oficialmente no domingo, mas o evento ainda continuou por algumas horas com uma transmissão bônus – nada melhor do que aproveitar que diversos runners estão reunidos no mesmo espaço para continuar a jogatina, não é mesmo? Ao final de tudo, durante a madrugada da segunda (5), o Brazilians Against Time conseguiu arrecadar mais de R$ 10 mil para o Médicos Sem Fronteiras.

Para o futuro

Apesar do montante arrecadado e do feedback positivo, alguns detalhes podem ajudar a edição de 2018 do Brazilians Against Time a ter ainda mais sucesso.

A edição de 2016 foi aberta ao público, mas essa edição não pôde comportar mais ninguém além dos runners e organizadores, num geral. Isso se deve ao fato de que o espaço conseguido para o evento não era grande o suficiente para abrigar público – coisa que Hugo e companhia pretendem mudar para a próxima edição.

Conseguir novas parcerias também é um dos objetivos do grupo de organizadores, para poder oferecer incentivos de doação cada vez mais incríveis – como esses abaixo:

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Esse “pacotão” de coisas Pokémon tinha itens raros, como as sleeves do campeonato latino-americano e até mesmo um mat exclusivo dos juízes da competição – existem apenas 50 desses no mundo, além de diversos boosters do jogo de cartas dos monstrinhos.

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O segundo pacote era um mix de jogos da Devir e boosters de Magic e Yu-Gi-Oh, sorteado entre todo mundo que doou R$ 150 ou mais.

Falando um pouco sobre a minha experiência pessoal no evento, eu só tenho a agradecer todos os envolvidos. Foi uma tarde muito divertida, em que acompanhei a fúria do Luiz Miguel quase tendo que jogar o Mega Man X2 e o pessoal empenhado em deixar a bid war acirrada, vi os narradores contando histórias e também presenciei os perrengues de organizar um evento desse porte. Vi um dos runners indo buscar sua waifu no carro (e perdendo a chave!)… Acabei até dando entrevista na transmissão e ajudando a divulgar os brindes! É muito gostoso ver uma comunidade organizada e determinada – duas palavras essenciais para o sucesso de qualquer evento.

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Parte dos organizadores (da esq. para a dir.): Luigi, Marco e Hugo. Embaixo, Thurler e Redd

A Brazilians Against Time é uma maratona que só tende a crescer. Apesar da edição de 2018 ainda não ter sido anunciada, posso garantir que já tem muita gente ansiosa – inclusive eu.

Fonte: Jovem Nerd

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