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A liga americana de League of Legends vai mudar completamente em 2018

quinta-feira, 01/06/2017, 17:28 - Atualizado em 01/06/2017, 17:28 - Autor:


A Riot Games anunciou uma mudança brusca para a temporada de 2018 da League Championship Series (LCS) norte-americana. Ao invés do sistema atual, que conta com rebaixamento e promoção de times da Challenger Series, muito parecido com o que temos aqui no Brasil, a ideia é implementar o sistema de organizações fixas que vemos na NBA, por exemplo.

No sistema atual, patrocinadores em potencial temem estabelecer contratos longos e os próprios times não têm a segurança necessária para fazer investimentos pesados por medo do rebaixamento e debandada dos jogadores. Ter uma gaming house e investir na imagem do time como uma organização é um movimento arriscado até mesmo para grandes nomes do cenário, como Cloud 9 e Dignitas, que acabaram com seus times rebaixados nas últimas temporadas da LCS.

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Para sanar esses problemas, a Riot Games apresenta a proposta de estabelecer uma liga com times fixos como em outras grandes competições esportivas americanas tais quais NBA (basquete), NFL (futebol americano) e MLB (beisebol). Como garantia de que os times continuarão dando o seu melhor mesmo sem o risco de saírem da liga principal, a Riot estabeleceu um sistema de premiação diferenciado para incentivar os times a sempre buscarem o primeiro lugar.

Sem a relegação e promoção de times, a Challenger Series perde seu propósito e, por isso, também passará por mudanças no novo sistema. Rebatizada de Academy League, o objetivo dela será encontrar novos talentos e ajudá-los a se desenvolverem.

Seleção dos times

As mudanças só acontecem efetivamente no ano que vem, mas a preparação começa já. Os times interessados em participar desse novo formato terão que mandar uma proposta para a Riot Games, explicando quais seus planos como marca, planos de negócios e estratégia, respondendo questões como “Quem vai trabalhar com os jogadores profissionais?”, “Quanto o time sabe sobre ligas e esports?”, “Quais os planos para engajar e atrair novos fãs?”, “Quais recursos eles darão para os profissionais?”, entre outras. Cada caso será avaliado individualmente e os times serão revelados em novembro.

Além de ter a proposta aceita, os times deverão desembolsar US$ 10 milhões para comprar a vaga efetivamente. Whalen Rozelle e Jarred Kennedy, responsáveis pela área de esports da Riot Games, comentaram sobre o preço em entrevista dada ao Yahoo Esports. Kennedy afirma:

Não queremos um processo de leilão. Queremos uma taxa fixa. Essa taxa será de US$ 10 milhões. A razão por fazermos isso desse jeito é que não estamos otimizando para ganhar mais dinheiro. Não estamos procurando mercenários que podem pagar o maior preço e portanto conseguir extrair dólares dos nossos fãs ou do nosso cenário e ter um retorno desse investimento. O que queremos fazer é usar esse processo para encontrar os parceiros ideais para construir a liga conosco.

Rozalle comenta sobre a decisão do valor:

Na realidade, vamos estruturar o pagamento para facilitar um pouco. Haverá uma entrada de metade do valor, e o resto será pago depois. O objetivo não é criar uma barreira que os times que já estão na liga não possam entrar.

Apesar de US$ 10 milhões ser muito dinheiro, há exemplos de outros jogos que cobram ainda mais. Há rumores de que para participar da Liga de Overwatch da Blizzard os times devem investir US$ 20 milhões para comprar a vaga, e o retorno desse investimento só começaria a aparecer em 2021. Comparativamente, investir metade dessa verba em um esport que já tem a liga estabelecida com milhares de fãs ao redor do mundo é muito mais certeiro – e, nesse caso, a Riot está sendo mais transparente do que a Blizzard.

Noah Whinston, dono do time Immortals, reportou ser favorável ao investimento inicial:

Muita gente vai enxergar esse tipo de taxa de franquia como o preço de um ingresso para passar por uma porta. Na minha perspectiva, eu interpreto isso como o preço para construir uma fábrica. Esse é um investimento de capital. Você está investindo em algo que vai ter um retorno de valor, não só qualitativo, mas também quantitativo. Você vai receber por ser parte da liga. Faz sentido pagar dinheiro para ter acesso à ela.

Rozelle afirma que o lucro obtido pela liga será dividido entre a Riot Games, os times e os jogadores, mas que os times também terão que dividir uma parte de seus lucros da liga, como patrocínios e venda de produtos.

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Salários

Na temporada de 2018, todos os jogadores da liga americana receberão um aumento de salário mínimo, que vai para US$ 75 mil ao ano – o que dá US$ 6.250 por mês, pouco mais de R$ 20 mil. Atualmente, o salário mínimo dos jogadores da LCS norte-americana é de US$ 12,5 mil por temporada, o que dá mais ou menos US$ 4,5 mil por mês, sem contar com patrocínios, streaming e outras fontes de renda.

A mudança ainda engloba os lucros da liga num geral: caso o salário dos jogadores seja menor do que 35% dos lucros, eles receberão a diferença em dinheiro – ou seja, se os salários de todos os players somados for menor do que 35% dos lucros da liga naquele ano, todos os jogadores receberão um bônus para atingir o valor. Caso a soma fique acima dos 35%, eles não terão que pagar a diferença.

Os jogadores brasileiros que disputam o CBLoL também possuem um salário mínimo pago pela Riot Games, mas o valor não é divulgado.

Além dos jogadores, as organizações também receberão parte dos lucros da liga – 32.5% dividido entre elas. Metade do dinheiro será dada de forma igualitária, e a outra metade vai variar de acordo com a colocação do time no final da temporada e contribuição para o engajamento dos fãs. O dinheiro poderá ser utilizado para cobrir gastos com gaming houses, times do circuito Academy, comissão técnica, criação de conteúdos, etc.

A fatia da Riot Games dos lucros será investida na produção das transmissões da liga e em eventos offline, como finais, por exemplo.

Associação dos Jogadores

A nova LCS NA também contará com uma associação dos jogadores, criada para defender os interesses dos mesmos dentro do torneio. Os próprios jogadores vão eleger seus representantes para as decisões da liga, além de contarem com o suporte de advogados.

No começo, a própria Riot está criando a associação, mas Kennedy afirma que é para facilitar o processo.

O que estamos fazendo é nos assegurando de que, quando eles estiverem começando o processo, estarão recebendo bons conselhos e poderão estruturar sua associação de uma forma que faça sentido e evolua do jeito que precisa evoluir.

No Brasil, não temos uma associação de jogadores e sim uma de times: a ABCDE, que estabelece padrões mínimos para a participação em campeonatos e negocia interesses com a Riot e outras produtoras.

Para encerrar, Whinston compara o novo formato como um casamento com a desenvolvedora:

Estamos nos casando com a Riot [risos]. Seu trabalho num relacionamento não acaba quando você se casa. Você precisa continuar se esforçando, precisa continuar investindo nele. E você precisa continuar a desenvolver o relacionamento ao longo do tempo.

Esse projeto tem tudo o que a gente pode querer e imaginar no primeiro ano? Não. Ele tem um monte do que a gente quer e o potencial de conseguirmos mais coisas que queremos com o passar do tempo? Absolutamente.

O novo formato da liga norte-americana de League of Legends entra em vigor apenas em 2018, mas os times interessados já podem se inscrever para a avaliação das propostas.

Cada região tem suas particularidades, mas pode ser interessante ver como essa primeira tentativa vai se desenrolar e, quem sabe, se espalhar para outros mercados. No momento, aguardamos e, como fãs de esports, torcemos para dar certo e ser mais um passo na profissionalização dos esportes eletrônicos.

Fonte: Jovem Nerd

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