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Chef paraense ficou em segundo lugar no reality gastronômico do 'Mais Você'

terça-feira, 21/05/2019, 08:41 - Atualizado em 21/05/2019, 09:00 - Autor:


Com um toque de ousadia, o paraense Ernesto Soares foi o segundo colocado no reality “Fecha a Conta”, do programa “Mais Você”. Nesta edição, o arroz foi a estrela principal do quadro. A competição contou com seis participantes, de diferentes naturalidades, que foram julgados pelos chefs Bruno Katz e Ana Luiza Trajano e mais o convidado Nello Garaventa. A prova final foi exibida ontem e o paulista Hugo Rodas, proprietário de um restaurante em Cuiabá, foi o vencedor desta edição, levando para casa R$ 10,9 mil. Mas o Pará fez bonito, sendo um dos grandes destaques do programa.


Aos 32 anos, o chef de cozinha Ernesto Soares é natural de Belém e há dois anos chefia um restaurante italiano no Rio de Janeiro. Sua carreira começou aos 14 anos, trabalhando como chapeiro de lanchonete. Aos 17, foi convidado para trabalhar em um grande restaurante e aos 20 já estava exercendo a profissão de cozinheiro em Curitiba, mesmo sem formação acadêmica em gastronomia.


Os participantes começaram a disputa com R$ 20 mil para fazer as compras dos pratos apresentados a cada dia da disputa e o campeão levaria para casa o saldo que tivesse conseguido economizar. Foram cinco dias de gravação e o resultado com as notas da última prova foi exibido ao vivo.


Na final, os concorrentes precisavam preparar uma refeição em duas etapas, com prato principal e sobremesa. Ernesto concorreu com um risoto de polvo com creme de aspargos e preparou para a sobremesa um arroz doce de limão siciliano com cravo-da-índia, canela em pau e carambolas caramelizadas. Pelos comentários dos jurados, foi exatamente com a versão do arroz doce que ele perdeu preciosos pontos.


“Eu estava confiante para a grande final, mas foi um pouco turbulenta, porque também fiquei bem nervoso no dia. Não é fácil como se pensa estar diante de câmeras”, analisa Ernesto, em entrevista exclusiva ao Você. “Não tinha tempo para elaborar o prato, saía tarde do restaurante em que trabalho e ia cedo para as gravações. Cheguei a pensar antes para fazer o prato, mas acabei esquecendo como executar na hora e não consegui fazer a prova da forma como eu queria. Apesar disso, gostei dessa experiência, mesmo que a sobremesa não tenha ficado legal”, diz o chef.


Ele diz ainda que, no restaurante, costuma cozinhar o polvo durante quatro horas, mas, no reality, em uma prova de 75 minutos de duração, teve de improvisar em 25 minutos de cozimento na panela de pressão. “Teve um dos jurados que disse não ter achado uma combinação adequada para o prato, mas eu discordei”, desabafa.


Paraense gabaritou em duas provas


O convite para Ernesto Soares participar do “Fecha a Conta” veio da produção do “Mais Você”, a partir das redes sociais do chef. “Não sei bem como conheceram meu trabalho. Eles fizeram contato comigo por meio das redes sociais e depois pediram para eu enviar fotos e receitas”, recorda. Agora, ele curte o contato com o público após a exibição do programa. “Foi bem bacana ter tido essa experiência. Pelo Twitter recebi muitas mensagens de pessoas que disseram ter torcido por mim. Gente que me para na rua para dizer que minha participação foi sensacional, então só tenho a dizer que foi incrível”, comemora.


Das quatro provas feitas no programa, Ernesto se orgulha de ter recebido nota dez de todos os jurados em duas delas. O fato de ter “gabaritado” seguidamente foi destacado até por Ana Maria Braga durante a final. “Os dois pratos em que mais fui elogiado, todos eu gabaritei. Um deles foi um reaproveitamento de arroz [segunda prova, chamada de ‘Arroz Restaurado’]. A prova era para reaproveitar um arroz do dia para o outro e eu levei nota dez de todos os jurados. Em todos os dois pratos foram utilizados ingredientes da nossa terra, como o tucupi, até porque não tinha muita variedade de itens paraenses no mercado disponível para gente, mas eu quis mostrar a minha cara, aquilo que mais tem a ver com meu trabalho”, justifica.


Mas se houve momentos bons, também em muitos Ernesto diz que o sufoco fez parte. Como na primeira prova, com o prato “Arroz da Terra”. “Eu fui bem ruim naquela prova. Daí passei a me desafiar e, nisso, pensei nos ingredientes do Pará. A única coisa que tinha destaque lá no mercado era o tucupi. Queria levar algo da Amazônia e mostrar aos jurados do Rio de Janeiro que nossos ingredientes são bons, e consegui fazer isso”, acredita.


Na terceira prova, com a “Batalha do Arroz”, os participantes tiveram a missão de escolher entre arroz negro, vermelho, selvagem e basmati. Ernesto escolheu o arroz selvagem, um tipo com o qual ele não gosta muito de trabalhar, mas ficou satisfeito com o resultado.


Na quarta prova era preciso fazer uma paella, prato de frutos do mar típico da culinária espanhola, e de novo o toque paraense fez a diferença. “Busquei minhas raízes ali e optei por fazer a base da paella com tucupi, mesclando um pouco com caldo de frutos do mar para não ficar forte e acabar fugindo do sabor tradicional do prato”, diz, entregando o segredo do equilíbrio destacado pelos jurados.


Apesar dos desafios, indo além do clima de disputa os participantes se tornaram amigos. Ernesto conta que nos planos deles estão um projeto em comum. “Estamos estudando uma ideia de fazer alguns eventos entre a gente, é uma possibilidade. Mas continuarei no restaurante, no qual sou chef de cozinha há pouco mais de um ano”, revela o paraense, que sai modificado do programa. “Foi uma experiência sensacional. Vou levar coisas que aprendi com os outros chefs e com o programa”, diz.


(Wal Sarges/Diário do Pará)

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