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Ver-o-Peso é tema de exposição que celebra os 405 anos de Belém

A mostra, da fotógrafa Nay Jinknss, reúne imagens que contam a história e as relações sociais da maior feira livre da América Latina.

quarta-feira, 06/01/2021, 10:53 - Atualizado em 06/01/2021, 10:53 - Autor: DOL


| Nay Jinknss/Divulgação

Nesta sexta-feira (08), será aberta ao público a exposição Viver Belém! 405 Anos de Cultura Viva, da fotógrafa Nay Jinknss, que fará uma homenagem ao aniversário da cidade. A mostra vai ressaltar a beleza e a diversidade de um dos pontos turísticos mais importantes da capital paraense: o Mercado do Ver-o-Peso.

Para a artista, que é um dos principais nomes da fotografia regional e trabalha há 12 anos na documentação da memória da cidade, o Ver-o-Peso possui um valor simbólico e familiar que é um diferencial em seu trabalho e, por isso, ela tenta retratar, através de suas lentes, um espaço para além dos estigmas sociais que foram impostos ao longo do tempo.

“Eu sou nascida em Ananindeua, mas minha história começa no Ver-o-Peso, pois meus avós se conheceram lá. Sempre tive um olhar diferenciado para o mercado, mas de início não entedia, compreendi isso com o tempo. Quando comecei a documentar Belém, eu apresentei uma pessoa chamada Ver-o-Peso, um ser tão complexo e plural quanto a gente, que tem suas belezas e precariedades, e é isso que o público poderá observar”, conta Nay Jinknss.

Ela acredita que um dos principais objetivos da exposição é incentivar um olhar carinhoso para a cidade e fazer com que as pessoas se reconheçam nas características e experiências que o mercado consegue proporcionar como forma de identidade cultural.

 

Nay Jinknss/Divulgação
 


“Ao longo da história, o nortista foi muito invisibilizado e, quando a nossa cultura é levada para fora, é como se sugassem e marginalizassem muito o Ver-o-Peso. Quando a pessoa acessa a internet é difícil de enxergar a Amazônia para além da fauna e flora. É necessário que a gente se reconheça na identidade e memória dessa cidade. As pessoas não podem ter medo de visitar esse lugar porque lá se mantém viva a nossa cultura. É um grande pilar do Norte, um terreiro de muita energia”, destaca Nay.

A fotógrafa pontua que a exposição é um passeio por um processo de autoconhecimento e entendimento sobre a necessidade de explorar, em seu trabalho, temas importantes como raça, sexualidade e gênero, assuntos que estão estritamente interligados na maior feira a céu aberto da América Latina.

“A representatividade é importante e é preciso dialogar e se reconhecer nessas imagens.  A fotografia existe para além da estética, pois só a estética não banca a arte. Antes de ser fotógrafa, sou professora de artes visuais. Precisamos legitimar falas de pessoas invisibilizadas. Eu estou no Ver-o-Peso como um instrumento de documentação que me forma como mulher preta. O mercado é uma grande escola, onde as pessoas perdem os títulos e, também, é uma grande comunidade”, finaliza.

O evento é gratuito e receberá visitas até 24 de janeiro, das 10h às 22h, na praça 2 do Parque Shopping Belém.

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