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Valéria Paiva se tornou rainha das lives com apresentações semanais

domingo, 21/06/2020, 11:44 - Atualizado em 21/06/2020, 12:23 - Autor: Luiz Octávio Lucas


À frente da banda Fruto Sensual, cantora transformou lives informais em encontros regulares que são sucesso de público e de patrocínios
À frente da banda Fruto Sensual, cantora transformou lives informais em encontros regulares que são sucesso de público e de patrocínios | Divulgação

Quem acompanha a banda Fruto Sensual nas redes sociais sabe que a agenda da vocalista Valéria Paiva e seus músicos é das mais concorridas. A correria entre uma casa de shows e outra é literalmente fruto de uma legião de fãs que acompanham as “marcantes”, bregas românticos e versões de hits internacionais que qualquer paraense sabe cantarolar ao menos um refrão, como “Está no ar...” (versão de “Total Eclipse of the Heart”). Mas toda essa rotina também precisou ser interrompida com o recolhimento da população para se proteger do novo coronavírus. A solução, então, foi recorrer às lives, que se tornaram sinônimo de grande audiência.

Valéria conta que as transmissões ao vivo para os fãs já existiam de forma mais simples antes da pandemia, mas se transformaram em superproduções e caíram no gosto dos internautas, que até já se habituaram a acompanhar as apresentações pelo YouTube ao entardecer de cada sábado.

“Antes, a gente sempre se reunia para cantar uma MPB, um samba, e optava por transmitir isso para o nosso público através das redes sociais”, recorda. “Quando começou tudo isso e a gente teve que se isolar, decidimos fazer as lives por vários motivos. Foi bem no comecinho mesmo dessa pandemia e acho que fomos uma das primeiras bandas a começar o movimento, pelo menos aqui no Pará”.

DOAÇÕES

A decisão de seguir perto do público, conseguir manter as finanças e ainda colaborar com quem está em situação vulnerável, arrecadando doações, revelou-se bem-sucedida. “Nós fazemos live de MPB, sertanejo, gospel, então toda semana a gente chegava a fazer duas, três apresentações. Agora a gente está mantendo o padrão de uma live por semana”, conta Valéria, que também cita o caráter social dos shows on-line. “Cestas básicas a gente arrecada na faixa de 100 a 200 por semana e doa para igrejas, comunidades, colegas músicos, radialistas e DJs daqui da nossa cidade, Santa Izabel do Pará”, orgulha-se.

Ao menos no YouTube, é possível ver 15 lives do Fruto Sensual com milhares de visualizações. Uma delas, com o tema “Cabaré”, tinha até o fechamento desta edição mais de 90 mil “views”, uma audiência de fazer inveja para muito artista de renome nacional. Ibope que também gera interesse de empresas dispostas a anunciar. Enquanto manda ver nas músicas acompanhada do empresário da banda e DJ Neco Patifão, Valéria Paiva faz “merchand” de inúmeros patrocinadores, que vão desde clínicas de harmonização facial, a ótica, academia e lojas de produtos para veículos.

“A banda se mantém nesse momento através das doações.Tem o nosso QR Code que a gente brinca que é o ingresso virtual, e as pessoas pagam R$ 5, R$ 10, R$ 15, R$ 20, a quantia que tocar no coração”, diz a artista. “Através dos empresários que querem divulgar suas marcas na nossa live, a gente coloca um painelzinho, que fica aparecendo o tempo todo, e eu também fico falando da marca. Isso tem ajudado bastante e também a gente divulga as nossas músicas novas”.

Encontros virtuais vieram para ficar

Com encontros semanais é preciso manter o pique, e segundo Valéria Paiva, vocalista da banda Fruto Sensual, o segredo para não deixar a audiência cair durante horas de show virtual é ter criatividade. “Toda semana a gente inventa alguma coisa. Cria um tema diferente. Essa semana é meu aniversário, então é temático dos anos 1980”, fala a cantora, sobre a transmissão realizada ontem. “Na próxima será o encerramento da quadra junina, depois já vai ter as divas, que sou eu, Patrícia da Xeiro Verde e Michelle Amadhor”, anuncia.

O sucesso na plataforma digital tmbém exigiu investimento. A cantora, que começou a fazer lives com o celular, agora tem estrutura com câmeras profissionais e iluminação em um ambiente armado na própria casa. “Trabalhamos com a produção que atua com a gente. É filha, genro, a esposa do meu sócio... Um fica na câmera; a outra no teleprompter. É o material humano que a gente tem em casa para não haver aglomeração”, revela a cantora, que também tem adquirido uma estrutura própria de transmissão. “A gente tem investido em novos equipamentos de iluminação, tudo pra ficar bacaninha”.

Sobre a cumplicidade com o público, a “diva” garante que, mesmo quando tudo passar, seguirá com uma live semanal, um compromisso que, de fato, veio para ficar. “São idosos, crianças que não podem ir aos nossos shows presenciais e que hoje podem se aproximar mais da gente. Queremos manter esse público de outros estados, de outras cidades, que não podem ir aos shows e ficar pertinho da gente. É uma forma de demonstrar esse carinho que conquistamos junto a esse público que ainda não tínhamos alcançado”, orgulha-se.

Lives viraram superproduções

Enquanto a Fruto Sensual navega no sucesso das lives, outros inúmeros artistas locais também correm atrás do prejuízo e buscam nas transmissões ao vivo compensar as perdas financeiras com a falta de shows. É nesse nicho de mercado que empresas de produções de eventos oferecem estrutura de ponta para quem quer mostrar ao público algo mais sofisticado que um simples vídeo ao vivo de celular.

Jefferson Goldenberg investiu em um espaço para transmissão de lives
Jefferson Goldenberg investiu em um espaço para transmissão de lives Wagner Santana
 


Alem Viana é proprietário de uma dessas empresas, a Inovar Produtora, que trabalha, em média, com quatro lives por semana. “As lives hoje tomaram uma proporção cinematográfica. Para realizá-las é preciso equipamentos de última geração, como câmeras de alta definição, de estabilização de imagem, drone, mesa de corte, entre outros”, explica. “É de suma importância termos uma boa equipe, preparada para todo tipo de situação. O olhar apurado, experiência e muito estudo, além da criatividade na hora da live é fundamental para conseguirmos imagens cinematográficas”, destaca.

A empresa, que trabalha mais com festas de debutantes, casamentos e documentários, também precisou olhar com mais carinho para esse mercado que teve ascensão meteórica com as pessoas confinadas em casa. “As transmissões on-line com multicâmeras só têm a crescer e expandir para vários outros segmentos”, avalia. “Desde o início encaramos essa nova rotina como um desafio e buscamos sempre nos superar a cada experiência. As lives têm uma característica semelhante aos eventos sociais como casamento, por exemplo. Não podemos errar, não temos a segunda chance de fazer uma entrada de noiva, então estamos sempre preparados para tudo o que possa acontecer”, assegura.

O empresário Jefferson Goldenberg, da Jeffersom, empresa que também atua no segmento de eventos corporativos e produções de grandes shows, é outro que ampliou a oferta de serviços para as produções de lives, e hoje faz cerca de três por semana. “Planejamento, essa é a palavra. E um bom roteiro, já que é tudo ao vivo e dinâmico”, conta sobre o sucesso delas.

Para quem tem reserva financeira e pode investir para manter o público fiel, o custo de um show on-line pode variar de R$ 2 mil a R$ 12 mil, a depender do que o cliente busca, como um estúdio apropriado, por exemplo. “Temos o nosso espaço de live, com ar refrigerado, todos os requisitos de proteção. Lá está incluso a estrutura de som, iluminação, painel de LED, mobiliário para o cenário, três câmeras full HD, internet de fibra. Mas levamos essa estrutura para outro local também”, explica Jefferson.

Da parte estrutural, o empresário dá a receita para atrair visualizações. “Temos que fazer com que o público participe da live, se sinta dentro dela, e usamos recursos tecnológicos para isso, como mensagens e vídeos do público gravados”, exemplifica. Mesmo com toda essa expertise, Jefferson Goldenberg pontua que essas transmissões não vão tomar o lugar dos eventos físicos. “Acho que a live pode até vir a se encaixar nos eventos com um ‘upgrade’, mas nunca substituir, pois o calor humano é insubstituível. E nós necessitamos disso”.

Divulgação
 


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