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CULTURA

Disponibilizado o documentário “Mestre Cupijó” para amantes do Siriá

quinta-feira, 21/05/2020, 08:49 - Atualizado em 21/05/2020, 09:58 - Autor: Aline Rodrigues


Filme também é homenagem a Mestre Gabriel Arcanjo, vítima da Covid-19.
Filme também é homenagem a Mestre Gabriel Arcanjo, vítima da Covid-19. | Divulgação

Mestre Gabriel Arcanjo, responsável pela modernização do siriá, ao lado de Mestre Cupijó – seu parceiro e amigo inseparável -, faleceu na semana passada vítima da Covid-19. Em sua homenagem, está disponível para assistir e baixar, através da plataforma Vimeo, o documentário “Mestre Cupijó e Seu Ritmo”, lançado em 2019.

Dirigido pela cineasta Jorane Castro, sobrinha de Cupijó, o filme narra a vida e obra do músico Joaquim Maria Dias de Castro, mas tem como um dos personagens principais Mestre Gabriel, amigo e parceiro de vida de Cupijó.

“Ele faleceu semana passada e a gente não sabia como homenageá-lo, é muito triste quando uma pessoa tão importante, poderosa e querida por todo mundo se vai. É muito importante que essa pessoa seja homenageada, que as pessoas se encontrem e façam o luto. Todo esse processo não foi permitido por conta desse momento que a gente vive de pandemia e isolamento social. Por isso, decidimos liberar [o documentário] para que as pessoas vissem quem ele era. Em Cametá, ele já é conhecido e muito querido”, diz Jorane Castro.

A iniciativa é da Prefeitura de Cametá, por meio do Departamento de Turismo do município e da Cabocla Filmes, produtora de Jorane. “Ele foi um dos grandes sábios, um dos grandes conhecedores da música paraense, representava essa tradição sonora e musical do Baixo Tocantins, que é uma tradição histórica, e a vida dele foi ser músico. Ele viveu 70 anos de música, até mais talvez, porque ele começou desde criança, inclusive aprendeu [a tocar] um instrumento com o pai do Mestre Cupijó”, conta Jorane.

“Ele era maravilhoso, que homem incrível, que história de vida incrível que ele teve, viveu de música, era um homem sofisticadíssimo, que tinha conhecimento musical muito apurado e quem ver o filme vai ver isso. Homem muito bem formado, tocava música em pauta, tinha uma formação sólida musical. É muito triste a gente não poder se despedir de alguém”,completa a cineasta.

RIQUEZA

Com 1h15 de duração, o documentário mostra a história da vida e carreira de Joaquim Maria Dias de Castro, mais conhecido como Mestre Cupijó, um dos maiores nomes da música tradicional paraense, que buscou inspiração em ritmos tradicionais como o siriá, o banguê, ou até mesmo referências como o mambo, para suas composições.

“Esse filme mostra a qualidade da cultura paraense, por extensão a cultura brasileira, e mostra o quanto é importante que essas pessoas que têm uma história e um conhecimento, que isso seja mantido e entendido pelas novas gerações como um passado de valor”, defende a cineasta.

Jorane destaca que o filme mostra o encontro de duas gerações de músicos. “Tem dois músicos jovens que são o JP Cavalcante e o Daniel Serrão, que vão a Cametá encontrar essas pessoas. O projeto mostra isso, como se fosse a transmissão de um conhecimento e de uma experiência de uma geração para outra. Isso é muito especial e importante”, pontua Jorane.

Ela conta ainda que o filme também tem a intenção de transmitir uma reflexão sobre a sociedade na qual vivemos a partir do filtro da arte. “Nós, que temos o privilégio de ser paraenses e termos crescido numa cultura tão rica, a gente não pode deixar para trás a história das pessoas que vieram antes da gente. Acho que por isso é um filme difícil para mim porque é uma história de família também, o Gabriel eu conheço desde criança. Onde estava meu tio, estava o Gabriel. A questão é como podemos continuar honrando a memória deles? Acho que o filme é uma boa maneira disso. Estou muito feliz com o retorno da liberação do filme e é muito legal a gente poder dividir a história das pessoas para a nova geração. Espero que todas as pessoas assistam, baixem, mandem para os amigos, divulguem. É importante ficar em casa nesse momento e se possível ver filmes de conteúdo paraense”, diz Joarane.

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