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PONTES DE AFETO

Campanha une design e sustentabilidade em prol da comunidade de Cotijuba parceira de marca de acessórios

quarta-feira, 20/05/2020, 19:20 - Atualizado em 20/05/2020, 19:19 - Autor: Laís Azevedo/Diário do Pará


As criadoras com moradores da comunidade Pedra Branca
As criadoras com moradores da comunidade Pedra Branca | Divulgação

A marca de acessórios Da Tribu - conhecida por suas peças coloridas, de design contemporâneo e cheias de referências poéticas - lançou esta semana uma campanha especial para apoiar o sustento das famílias da Comunidade de Pedra Branca, na ilha de Cotijuba, em Belém.

É de lá que vem o látex extraído por Manoel Magno, líder comunitário de 70 anos, que trabalha na extração dessa matéria-prima há cinco décadas; e também os fios emborrachados, alma dos seus acessórios, tessitura coordenada por Corina Magno, filha mais jovem de Manuel.

Intitulada “Tu Pontes, Nós Ponteio… O Futuro Não Demora!”, a campanha segue a identidade da marca. “A gente sempre tenta ler a vida de forma mais poética, para deixar mais leve. ‘Pontear’ é o nome da primeira coleção [produzida com a comunidade] e a ideia foi conjugar esse verbo, essa costura que a gente vem fazendo há cerca de dois anos. ‘Tu Pontes’ é o caminho, ‘Nós Ponteio’ é o nosso lado daqui, costurando. E jogamos para as pessoas refletirem que o futuro não demora, a gente precisa estar junto, continuar essa ponte de afeto”, diz Tainah Fagundes, uma das sócias da empresa, moldada desde o início pela proposta da sustentabilidade.

Pulseira ponteia
Pulseira ponteia Divulgação
 


A campanha traz diversos kits com produtos da marca; além de um pacote para realizar uma vivência na ilha e outro que permite a criação de uma peça exclusiva. “Pensamos em levar pessoas para a comunidade [quando o período de isolamento social terminar], para conhecer essas pessoas de perto. E tem a ‘Toda Da Tribu’, kit que tem várias peças e oportunidade de a pessoa co-criar com a gente uma peça. A gente ouve a história dessa pessoa e começa a construir juntos, o que gera uma peça exclusiva e também esse espaço de aprendizado na pandemia”, diz.

Além de peças da coleção “Pontear”, há kits com peças da coleção “Sumos Solares”, feita toda de papel reciclado com fibra vegetal e pigmentação natural. São peças leves e falam do colorido amazônico. Cada uma tem um nome especial, como “Saturno”, “Solare”, “Boreal” e “Pasárgada”. Os valores das colaborações com a campanha são bem variados, a partir de R$ 49 (Brinco e Pulseira Ubuntu) até R$ 1.790 (10 peças da coleção Pontear + 1 peça exclusiva Sumos Solares a ser criado junto com as artesãs). A “Imersão Ponteio” para produção dos fios de látex na Ilha custa R$ 450, com visita à praia e almoço incluso.


FLORESTA EM PÉ

A parceria com a comunidade gera sustento direta e indiretamente para 30 pessoas - 16 mulheres e 14 homens - e a intenção da campanha é arrecadar o suficiente para garantir entrada de recursos para as famílias pelos próximos quatro meses. Hoje, essa parceria, já corresponde até mais da metade da renda de algumas das famílias envolvidas no projeto. “É de onde a gente pode confiar financeiramente, porque a maioria da comunidade não tem renda fixa. Esse projeto veio dar uma alavancada nas nossas vidas”, diz Corina. 

Com ausência dos pedidos devido pandemia, ela conta que toda a comunidade se sentiu de mãos atadas. “Até agora não nos tem faltado nada, mas ficamos triste porque não está podendo levar o projeto em frente, fazer nossos produtos. No momento, a comunidade está sem nenhum ganho”, completa. Para Tainah, não têm fazer qualquer coisa, hoje, sem pensar meio ambiente e estrutura social. “Desde sua criação, a Da Tribu conta em suas coleções essas histórias, fazendo perceber que a gente tem alguns lugares, não só de privilégio, mas que não são comuns a todo mundo”, diz Tainah.

Acessórios Da Tribu compondo looks
Acessórios Da Tribu compondo looks Thiago Drummont/Divulgação
 


Ela destaca ainda que, desde o início, a marca queria uma relação de verdade com a  comunidade, construída ao longo de quase dois anos antes de juntos lançarem a primeira coleção. “A gente aprendeu muito, o quanto era importante essa conversa franca, estabelecer confiança. A gente sabe o quanto a Amazônia é explorada e não era isso que queríamos”, diz. Manoel era seringueiro desde os 12 anos. Nos anos 1960 a 1980, vários grupos trabalhavam na Ilha para atender a indústria automobilística; cenário que foi perdendo força e deixou os seringais abandonados.

“A gente entendeu que tinha que trabalhar com esses grupos, que já conheciam todo manejo, não iam fragilizar a floresta”, diz Tainah. Ao longo de um ano, a marca levou oficinas, formações e conversas sobre empreendedorismo, protagonismo feminino, entre outros temas. “Enquanto o pai trouxe o conhecimento do seringal, a Corina formou outra liderança, trazendo para a nova geração outro olhar. A gente tem dito que é uma nova era da borracha amazônica, com esses povos mais conscientes do seu potencial”.

A Da Tribu vinha mantendo uma regularidade da compra desse insumo produzido pela comunidade nos últimos dois anos. “O começo de ano sempre é mais difícil para o varejo, e em seguida veio a pandemia. Não houve mais vendas e a gente começou a ver gente querendo largar o seringal. Então vimos que precisava reforçar com os fãs da marca que a compra dos nosso acessórios é para a comunidade, que a gente não pode deixar fragilizar essa economia que mantém a comunidade e a floresta de pé”, ressaltou Tainah. E Corina é otimista: “A gente está muito confiante que as pessoas do Brasil inteiro contribuam com a campanha para a gente continuar vivendo com dignidade”.

 

COLABORE

Campanha “Tu Pontes, Nós Ponteio… O Futuro Não Demora!”

Onde conhecer e colaborar: www.datribu.com/tupontes-nosponteios

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