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Manifestações Culturais do Pará: o elo que liga a todos nós

sexta-feira, 29/11/2019, 21:58 - Atualizado em 29/11/2019, 21:58 - Autor: Igor Reis


| Reprodução

Manifestações religiosas, festas populares, ritmos próprios, danças típicas, artesanatos cheios de cores e personalidade. Tudo isto é apenas um pouco das manifestações culturais que fazem do Pará um destino único no planeta, uma porta que leva para uma viagem surpreendente, à uma Amazônia que une os opostos. Indígenas, portugueses, franceses, africanos, árabes e sírio-libaneses. No Pará, todos são uma coisa só.  

Ao chegar no Pará e ter contato com o mosaico de manifestações populares, que foram se formando ao longo de mais de 400 anos de história, é possível perceber um pouco do tamanha da herança deixada pelos nossos ancestrais. O Círio de Nazaré é a maior festividade religiosa do Brasil e uma das maiores do planeta, e tudo graças a um caboclo chamado Plácido, que encontrou, por volta de 1700, a imagem da Santa dos Católicos às margens de um igarapé, onde atualmente encontra-se a Basílica Santuário de Nossa Senhora de Nazaré, um dos cartões postais da capital e local de peregrinação de milhares de religiosos o ano inteiro. Também ligado a forte presença cristã no século XVII, o Çairé, em Alter do Chão, mistura as raízes religiosas com a cultura indígena presente na região do Tapajós, presenteando os frequentadores com uma linda festa, repleta de simbolismo amazônico. 

O Pará apresenta manifestações folclóricas que são uma espécie de microcosmo de tudo que existe na história do Brasil. O Boi de Máscaras, em São Caetano de Odivelas, os carnavais de Vigia e Curuçá, com o tradicional bloco “Pretinhos do Mangue”, o Polo de Artesanato do Paracuri, em Icoaraci, onde cerca de 90 famílias produzem uma cerâmica única, inspiradas nos traços das civilizações marajoaras, a marujada, festividade iniciada pelos escravos e que mostra a importância da cultura afro-brasileira para o estado, o tradicional carimbó ou as modernas aparelhagens de música, que vão desde as marcantes canções brega dos anos 90 aos tecnobregas atuais, a cara do século XXI. Tudo isso presente em um estado tão rico quanto seu tamanho. Quando se trata de Pará, tamanho é nobreza. 

Assista parte do trabalho da Secretaria de Cultura do Governo do Estado do Pará em 2019:

LISTA DAS PRINCIPAIS MANIFESTAÇÕES CULTURAIS: 

Círio 

Realizado em Belém desde 1793, o Círio de Nazaré é uma das maiores festividades religiosas do mundo, reunindo cerca de dois milhões de pessoas todos os anos, no segundo domingo de outubro. O simbolismo da corda, da berlinda, do manto que cobre a Santa, os brinquedos de miriti que atravessam gerações, o almoço em família no domingo. Tudo isso são detalhes mágicos, que somente quem é paraense ou já conviveu no estado pode perceber. A manifestação religiosa não acontece só na capital. A peregrinação percorre diversas cidades e distritos do estado, cobrindo com seu manto a todos os que se declaram “filhos de Nossa Senhora”.  

Pretinhos do Mangue 

Tudo começou com a preocupação pela ecologia, se transformando em um dos maiores blocos populares de carnaval da região Norte. A pacata Curuçá, no nordeste paraense, recebe milhares de foliões neste período. A condição para participar da festa é só uma: se sujar de lama dos mangues. A mensagem a ser passada é a preservação da natureza. A folia corre solta pelas ruas da cidade ao som das aparelhagens e de artistas regionais. 

Marujada 

Também ligada à religiosidade, a Marujada foi iniciada pelos escravos que viviam onde hoje fica a cidade de Bragança, no nordeste paraense. Os escravos iniciaram a manifestação para homenagear São Benedito devido a uma graça alcançada. Mal sabiam que a festividade iria durar até os dias de hoje, e com cada vez mais força. A marujada é realizada em dezembro com a realização de novenas, esmolações e cavalhadas, tendo o seu ápice nos dias 25 e 26 de dezembro, onde centenas de devotos percorrem as ruas da cidade com trajes típicos, até a Igreja de São Benedito, no centro da cidade. 

Çairé 

Na festa do Çairé quem dá as cartas são os botos da Amazônia. A festa, que nasceu de uma manifestação religiosa trazida pelos jesuítas há mais de 300 anos, consiste na disputa dos botos Tucuxi e Cor-de-Rosa, e tem a duração de 3 dias. A cidade de Santarém para durante este período. Muita música, dança, rituais católicos e indígenas, frutos da herança da miscigenação cultural entre os índios da tribo Borari e colonizadores portugueses. 


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