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VIDA LONGA!

Cine Olympia irá melhorar sua estrutura e atuação

segunda-feira, 25/11/2019, 08:16 - Atualizado em 25/11/2019, 08:30 - Autor: Lais Azevedo


Cinema mais antigo do Brasil ainda em funcionamento, o Olympia poderá, com a aquisição, receber maior aporte de recursos públicos e também captar verbas de outras fontes
Cinema mais antigo do Brasil ainda em funcionamento, o Olympia poderá, com a aquisição, receber maior aporte de recursos públicos e também captar verbas de outras fontes | Wagner Santana

Um sobrevivente e contador da história do cinema de rua, o Cine Olympia vive a promessa de um novo momento em sua trajetória. Este mês, a Prefeitura Municipal de Belém, por meio da Fundação Cultural do Município de Belém (Fumbel), que administra o espaço, deu o passo final para o processo de titularidade, isto é, a aquisição do Cinema Olympia, hoje o cinema mais antigo ainda em funcionamento no Brasil, que anteriormente era utilizado a partir apenas de um contrato de locação, assumido em 2006 com o Grupo Luiz Severiano Ribeiro, seu proprietário original.

Naquele ano, as atividades do cinema foram suspensas e houve uma comoção geral na cidade sobre qual seria o destino desse importante centro do audiovisual em Belém. A antiga gestão municipal decidiu então assumir os cuidados do espaço. “Existia o contrato de locação, mas, no ato de uma das renovações, o Grupo não apresentou as certidões negativas adequadas dos tributos. Continuamos no imóvel, dando utilidade pública para ele e, em 2015, entramos com uma ação de desapropriação para, de fato, fazer dele um bem público municipal”, explica Fábio Moura, assessor jurídico da Fumbel.

Segundo informações da Procuradoria Geral do Município (PGM), o processo titularidade é desenvolvido de acordo com o artigo 6º do Decreto-Lei número 3.365, de 21 de junho de 1941, que dispõe sobre desapropriação e instituição de servidão administrativa por utilidade pública. O último passo era o pagamento de cerca de R$ 2,3 milhões por parte da Prefeitura, realizado este mês. “Com o pagamento do valor controverso, nós temos maior segurança jurídica para dizer ‘agora sim, esse bem está mais próximo de um bem público’, e daí fazer todas as reformas e aparelhamentos necessários à manutenção dele”, completa.

REFORMA

O cinema está em pleno funcionamento desde que foi incorporado pela Prefeitura de Belém, em 2006. No entanto, esta só podia realizar ações paliativas, como consertar uma parte do forro que apresentava problemas ou um ar condicionado que desse defeito, tudo dentro das possibilidades legais que tinha em uma “Ata de Manutenção”. Não tinha como disponibilizar valores orçamentários altos e específicos para o Olympia.

“E essa é uma reforma que vai sair cara, porque os equipamentos são antigos. Precisamos de aparelhamento técnico da área de patrimônio histórico, precisamos atuar junto com o Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) para poder reconstruir alguns pontos. A primeira coisa que comemoramos foi a possibilidade de reformar o Olympia”, conta Silvia Lovaglio, diretora de Ação Cultural da Fumbel.

Entre os pontos primordiais da reforma, está a parte elétrica e estrutural. “Por ser um prédio muito antigo, a parte elétrica também é antiga, e nos preocupa bastante; assim como o período de chuva também sempre nos preocupou porque o prédio não tem reforço na sustentação. A gente tinha medo de desabar algo”, aponta Silvia Lovaglio. “A ideia é que ele feche por um tempo. Para reabrir novo, com toda a estrutura que ele merece”, completa.

Os planos de reforma estão sendo feitos pela Secretaria Municipal de Urbanismo (Seurb) juntamente com o Iphan e o Departamento de Patrimônio Histórico e o Departamento de Ações Culturais (Deac) da Fumbel. No momento, eles fazem o levantamento de custos e avaliação do que o cinema precisa. Ao longo dos seus 107 anos de funcionamento, o Cinema Olympia passou por três reformas: uma em 1930, outra em 1950 e a última em 1960, a qual estabeleceu as linhas modernistas que ele apresenta hoje em sua fachada.

“Com essa reforma, pode ser inclusive que modifique a fachada. Talvez possamos rememorar a arquitetura antiga. Qualquer pessoa que vê as fotos antigas dele, fica encantada com as linhas clássicas, que era um conjunto com o Grande Hotel (onde hoje é o Hotel Princesa Louçã). Quando o hotel foi demolido para a construção do Hotel Hilton, o cinema foi na mesma base e mudou para a forma modernista. Nós estamos estudando as possibilidades, com o Iphan nos auxiliando no que é possível fazer e o que não é”, explica a diretora.

Cinema poderá ter atividade interrompida para reformas

O planejamento também deve passar por reuniões com a equipe que atualmente trabalha no Olympia, encabeçada por sua gerente, Nazaré Moraes, e o programador e crítico de cinema Marco Antonio Moreira.

“Não existe um espaço [municipal] como o Olympia para realizar projetos e receber programações em audiovisual do porte que ele recebe. Recebemos, por exemplo, o Grande Prêmio de Cinema Brasileiro em Belém por causa do Cinema Olympia, pela ação da equipe dele. E o fechamento por um tempo vai nos deixar a ver navios, então também precisamos ver a possibilidade de transferência das ações para outro espaço”, avalia Silvia Lovaglio.

Entre os projetos permanentes desenvolvidos, está “A Escola Vai ao Cinema”, com apresentação de filmes para crianças de escolas públicas e particulares; e o “Cinema Itinerante”, com a montagem de um pequeno cinema nas ilhas, que ocorre no segundo semestre, em parceria com a Secretaria Municipal de Educação (Semec).

Também é comemorada pela equipe uma possível ampliação na programação, que atualmente é vinculada a vários cineclubes, que cedem os títulos para exibição de forma gratuita. “A gente não podia adquirir uma película. Com a titularidade, vamos poder firmar contratos para conseguir mais filmes, fazer convênios, termos de cooperação técnica, que não tínhamos a possibilidade de fazer antes”, diz a diretora de Ação Cultural.

FUNDAÇÃO

O crítico de cinema paraense Pedro Veriano também comemorou em rede social as novas possibilidades. “Temos o cinema mais antigo do Brasil e um dos mais velhos do mundo em funcionamento. Resta, agora, colocar um aparelho de projeção digital (como tem no Estação quase sem uso) e cobrar ingresso como se faz no Líbero. Assim vai ser possível exibir filmes de distribuidoras”, escreveu o crítico, fazendo referência aos cine-teatros Maria Sylvia Nunes, na Estação das Docas, e Líbero Luxardo, no prédio da Fundação Cultural do Pará, ambos equipamentos vinculados ao Governo do Estado.

A diretora de Ação Cultural da Fumbel confirma a intenção deste acréscimo de projetor e cobrança de ingressos nos moldes do Líbero, com algumas opções de gratuidade. “Já existe um planejamento todo pronto com relação a isso, mas a gente precisa definir a questão da reforma e dos custos para trabalhar”.

Entre as possibilidades está transformar o Olympia em uma fundação para que ele se torne sustentável, podendo captar verbas de outras fontes além do orçamento municipal. “Ele tem uma legião de fãs e essas pessoas podem auxiliar o cinema a se manter em funcionamento”, afirma.

Atualmente, o Olympia já trabalha no regime de voluntariado com alguns alunos da graduação em Cinema. “Muita gente quer fazer estágio lá”, comenta Silvia. Também há planos para a criação de um possível organização civil de “amigos do Cinema Olympia”, com pessoas que estão sempre por lá, dão palestras, e podem ajudar a financiar novas atividades no local. “Já tínhamos esse tipo de colaboração, mas agora vai ter possibilidade de firmar os termos de cooperação técnica, como a gente sempre quis”, finaliza a diretora.

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