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MÃE DAS MATAS

Amazônia no cortejo do Auto do Círio

sexta-feira, 11/10/2019, 19:13 - Atualizado em 11/10/2019, 19:19 - Autor: Laís Azevedo/Diário do Pará


| Fernando Sette/Comus

O “25º Auto do Círio - Ano 2019” sai pelas ruas do bairro da Cidade Velha, nesta sexta-feira (11), às 19h, para celebrar seu jubileu de prata com o tema “Maria, Mãe de Todas as Matas”. Além de enaltecer as riquezas da Amazônia, como sempre o cortejo-espetáculo é também um ato político - desta vez contra todo o processo de perdas que a floresta vem sofrendo, principalmente com as queimadas e processos de invasão atuais.

A escolha do tema ocorreu ano passado, quando ninguém esperava pelas chamas que destruíram boa parte da Amazônia este ano, e os dados alarmantes do desmatamento. “Até o momento, a gente não estava pensando nisso. Mas, com todas essas perdas, começamos a trabalhar nesse lado crítico, político, que se faz presente dentro do próprio cortejo, nas cenas criadas”, adianta o coordenador geral, o professor-mestre Tarik Coelho, que colabora com o projeto desde 2005. 

A concentração do cortejo ocorre na Praça do Carmo, com saída pela Rua Dr. Assis, seguindo até a Rua Padre Champagnat/Largo da Sé e entrando pela Rua Tomázia Perdigão até a Praça Felipe Patroni. A pedido da Prefeitura de Belém e do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), o palco da apoteose saiu da Praça D. Pedro II para preservar o Museu de Belém e o Museu do Estado, que ficam em frente. 

Eles também acordaram com a organização para que não seja utilizado trio elétrico, apenas um carro som, a partir do Largo da Sé. “É importante frisar que o Auto do Círio é um patrimônio imaterial, e ele não pode degradar outros patrimônios”, comenta Tarik. 

Mesmo com essas mudanças, o público pode esperar a mesma grande festa, com a representação de temas amazônicos, entidades como Iaras, botos, e muitas alegorias remetendo à mata. Para celebrar os 25 anos de existência do Auto, o cortejo ainda traz à frente, como homenageados, seus três criadores: o professor Marcos Ximenes, reitor da UFPA à época, a professora Zélia Amador de Deus, vice-reitora, juntamente com Margareth Refkalefsky, diretora do Núcleo de Arte da UFPA, hoje Instituto de Ciências da Arte (ICA). 

Criado em 1993, o Auto surgiu com o objetivo de revitalizar o Centro Histórico por ocasião do Círio e ainda colaborar para a prática e o ensino das artes por meio do teatro de rua. O projeto ainda contou inicialmente com o teatrólogo Amir Haddad, que realizou a primeira oficina de teatro de rua e dirigiu as montagens do cortejo nos anos de 1993 e 1994. De 1995 até 2009, o projeto foi transformado em programa de extensão e passou a ser coordenado e dirigido pelo professor-doutor Miguel Santa Brígida - este ano novamente integrando a organização, agora como curador. Além dele, o Auto 2019 também conta com o professor-mestre Cláudio Didimano na direção cênica. 

Articulando ensino, pesquisa e extensão, o Auto agrega cerca de 400 artistas incluindo moradores do bairro da Cidade Velha e da periferia de Belém. “ São 25 anos de espetáculo, de homenagem dos artistas à Nossa Senhora. É um patrimônio vivo, que se renova e cresce a cada ano. A gente tem que agradecer sempre a própria continuidade do cortejo, fazendo com que a comunidade conheça a Cidade Velha, que o turista venha conhecer Belém em um momento importante para a cidade”, afirma Tarik.


ACOMPANHE 

25º Auto Círio - Ano 2019 

Quando: Hoje, às 19h 

Concentração: Praça do Carmo (Rua Dom Bosco, s/n - Cidade Velha) 

Cortejo: Rua Dr. Assis, Rua Padre Champagnat/Largo da Sé, Rua Tomázia Perdigão, Praça D. Pedro II. 

Quanto: Gratuito

 

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