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FOTOGRAFIA

Maycon Nunes faz exposição individual sobre histórias das ruas

quarta-feira, 11/09/2019, 10:35 - Atualizado em 11/09/2019, 13:33 - Autor: Aline Rodrigues/Diário do Pará


Vinte e oito fotos em preto e branco, separadas por algumas temáticas, fazem parte da exposição “Nós por Nós - a rua vai contar suas histórias”, do fotógrafo Maycon Nunes, 36 anos, e que pode ser vista pelo público até a próxima sexta-feira, 13, no shopping Metrópole Ananindeua. A exposição fez parte do “Amazon Cypher”, programação de cultura urbana realizada no local no último domingo, mas fez tamanho sucesso que ganhou dias a mais de visitação.

 

“Eu fiz um apanhado de vários ensaios fotográficos que tenho, juntei um ensaio com pichadores, mais uns três sobre grafiteiros, outras do inverno amazônico, sobre a chuva de Belém, algumas imagens fiz de dentro dos ônibus, outras são de personagens que conheço, e há ainda as que eu fazia para o caderno de Polícia [do DIÁRIO] de testemunhas oculares de crimes”, explica Maycon, que é natural de Florianópolis e radicado em Belém há 15 anos.

No total são cinco ensaios que fazem parte da mostra um em complemento ao ouro, e próprio fotógrafo também se revela um poeta ao escrever os textos que criam essa unidade. “São todas fotos em preto e branco, deixei assim para não brigar com a cor do grafite e do sangue. Era melhor deixar de uma forma mais discreta e o preto e branco não deixa de ser charmoso”, justifica o artista.

Na parte dedicada aos personagens, uma em especial faz parte da infância de muita gente, o registro do seu Lamparina, da Cabanagem, um vendedor de quebra- -queixo que fez parte da história de muitos dos seus compradores. A foto já tinha feito um grande sucesso mesmo antes da exposição, quando Maycon a postou em uma rede social.

“Deu uma repercussão grande, todo mundo falando bem dele. A fi lha dele comentou que o pai gostou da foto e que tinha falecido há 10 meses. Ela falou que vai na exposição”, conta, emocionado, o fotógrafo. Seu Lamparina carregava um tabuleiro grande na cabeça e cruzou o caminho de Maycon em uma noite chuvosa. “Ele estava todo arrumadinho. Depois do registro fui descobrir que a melhor parte da infância de muita gente era quando o seu Lamparina chegava na rua para vender o doce. Ele sustentou a família inteira só vendendo quebra-queixo”, diz.

Fotografando há 16 anos, essa é a primeira exposição individual de Maycon, que começou na área quando ganhou uma Zenit analógica de um tio. Depois, juntou dinheiro e comprou uma câmera de dois megapixels e foi estudar fotografia na Argentina. “É uma honra ter essa exposição. Sou apaixonado pelo que faço, desde moleque sonhava em ser fotógrafo. Ver o resultado do seu trabalho tocando as pessoas é algo que me emociona muito”, destaca.

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Era um domingo de sol, e eles provavelmente estavam vindo de algum passeio, uma mulher e três filhos, uma pequena família. Mas onde estaria o pai? Não posso ser leviano em dizer que ela era separada, mas me lembrou uma outra mulher com seus três filhos, dois meninos e uma linda menininha, está mulher, sim era separada. Era mãe e pai, Rosa e rochedo, sal e açúcar, brisa e tempestade. Ela era e é o amor de nossas vidas. Mesmo sendo o carinho e a sandália Kenner voadora com mira de calor e mira guiada por GPS. Uma mulher que fez de tudo para criar os filhos, se multiplicava, se dividia para dar o melhor, melhor que nem sempre foi a roupa cara, na verdade muitas vezes era roupa de doação, sapato surrado, moletom que passava de filho pra filho. Mas uma mulher que nunca se diminuí! Nem mesmo colocando cobertores nas paredes da casa de madeira no alto do morro para o frio não passar pelas frestas entres as tábuas. Mulher que se tornava gigante em afeto, cuidado e amor, como uma grande galinha que abria sobre nós seus filhotes e outros que se achegavam em busca de abrigo, suas asas de compaixão. Essa cena me transportou para bem mais longe do que o ônibus me levaria, me levou ao sul, e a uma viagem no tempo. Puxei a campainha, a porta se abriu e eu desci em meados dos anos 90 lá no morro do Avaí. Subi o morro todo íngreme e lamacento com a certeza que chegaria na casa de madeira que o amor daquela mulher tinha a transformado em um castelo de sonhos e alegrias. Mas a cada passo que eu dava a dúvida me consumia, quem era aquela mulher com três filhos! Bom, como a minha fotografia geralmente tem uma história e muitos nomes, eu dei um nome aquela mulher e aqueles três pequenos. A menininha linda, é a Mayara, o menino perto da parede, que parece mais quietinho é o Mykael, o de boné pra trás se achando o super-herói maloqueiro, é o Maycon e a mulher é tu dona Marta. Pois é a fotografia tem a magia de nos transportar para lugares, tempos, sentimentos, sensações e para o limbo da saudade e nostalgia. Não rara as vezes a minha fotografia me tira de trás da câmera surrada e me coloca diante da lente, me fazendo se enxergar em cena! Essa mulher era tu mãe! #nunesphoto

Uma publicação compartilhada por Maycon Nunes | O peregrino (@nunesphoto) em

Maycon Nunes lembra que sempre trabalhou com equipamentos velhos, surrados ou emprestados, mas isso nunca foi motivo de desânimo ou de limitação para sua criatividade. Para ele, é quase um sonho viver do que ama e se sente privilegiado com isso. “Meus equipamentos, junto com a falta de tempo, nunca foram motivo para não fotografar. Por muito tempo eu andava dentro do ônibus com a máquina e fotografava. As pessoas gostam, falam do meu trabalho e acho muito simples, é o que eu vejo. Não tem muita técnica e equipamento, mas tem um olhar em que Deus me mostra a cena”, pontua o fotógrafo revelando que, quando acerta uma foto, se emociona e chora muito.

“Publiquei uma foto recente no desafio da Canon 204, que era ‘Fotografe o amor dos avós’, e a foto que publiquei está na exposição, uma avó negra, de cabelos brancos, segurando dois netinhos no colo e eles estão dormindo. É esse tipo de cena que vejo, que acaba tendo um pouco de ternura. Não é eu que enxergo, é Deus que me mostra”, frisa.

PRESTIGIE 

 Exposição “Nós por Nós - a rua vai contar suas histórias”, de Maycon Nunes
Quando: Até sexta-feira, de 10h às 22h
Onde: Shopping Metrópole Ananindeua (BR-316)
 Quanto: Gratuito

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