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MOVIMENTO

Emaús ganha homenagens e filme sobre seus 50 anos

Projeto idealizado pelo padre Bruno Sechi será tema de um documentário e programa especial feito pela TV Cultura do Pará

domingo, 01/11/2020, 07:42 - Atualizado em 01/11/2020, 18:33 - Autor: Aline Rodrigues/Diário do Pará


Padre Bruno dedicou grande parte da vida em projetos sociais.
Padre Bruno dedicou grande parte da vida em projetos sociais. | Reprodução

Com quatro blocos e 1 hora e meia de duração, intercalando música, entrevista e exibição de documentário “Emaús 50 Anos Solidariedade que Transforma”, a TV Cultura do Pará, canal 2, transmite ao vivo hoje (1º), às 19h30, programa especial direto do Theatro da Paz, em homenagem aos 50 anos do Movimento do Emaús.

“Terá apresentação de músicas simbólicas que fizeram parte da história do Emaús, entrevistas ao vivo com pessoas que fizeram parte da história da instituição, depoimentos gravados de pessoas que tiveram suas vidas transformadas a partir da intervenção do Emaús e, no último bloco, teremos a exibição do documentário do Homero Flávio”, disse Cleice Maciel, coordenadora da República de Emaús.

O movimento defende há 50 anos os direitos da criança e dos adolescentes, sempre liderado pelo padre italiano Bruno Sechi, falecido este ano por conta do Covid-19, e surgiu numa época em que nem se discutia essa questão social e num momento de ditadura militar, onde os direitos eram reprimidos e desrespeitados. “É um marco histórico para o Estado do Pará e para o Brasil, porque no momento em que nem se discutia o direito da criança e do adolescente, o padre Bruno e um grupo de jovens do Salesiano fundaram o movimento, ao se sensibilizar com a causa da infância de meninos e meninas que viviam no Ver-o-Peso, fora da escola, de famílias muito pobres, alguns inclusive moradores de rua”, falou Cleice.

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E esse mesmo grupo de jovens, junto com os meninos do Ver-o-Peso, começa a discutir direitos humanos de crianças e adolescentes, e vão fazer um diferencial na sociedade.

“Então, eles começaram a lutar primeiro por dignidade para essa categoria, se organizar em cooperativas, discutir a dignidade desses pequenos trabalhadores, num momento em que não se falava de direitos. Foi um marco e é muito importante o surgimento do movimento nessa época, e o Padre Bruno foi o grande impulsionador desse movimento aqui no Pará e na Amazônia, e depois em Brasília junto a outros movimentos nacionais que surgiram”.

A história da fundação é contada no documentário “Emaús 50 Anos, Solidariedade que Transforma”, uma realização da Abre-te Cérebro Produções, dirigido por Homero Flávio e Úrsula Vidal, e que será lançado durante o programa especial. O documentário nasceu em 2017, quando foram convidados para dirigir uma campanha para atrair novos sócios solidários para o Movimento do Emaús.

“Fizemos uma campanha com cinco peças publicitárias e ficamos com esse material guardado, nós não usamos nem 20% do material para todas as peças que nós produzimos e percebemos que dali poderia vir algo que já pudesse fazer uma referência aos 50 anos. Estávamos com ideia de poder fazer ainda entrevista com o padre Bruno para contar um pouco mais sobre a história dele, mas ele infelizmente veio a falecer. Mas mesmo assim mantivemos a ideia para poder dar continuidade”. Eles fizeram nova entrevista com uma fundadora do movimento também, que é a Jorgina Calife, que contou a história de como tá o movimento hoje após a passagem do Padre Bruno.

“E aí com isso fomos em busca de outros arquivos para poder compor o documentário, entre eles fotos, cartazes e encontramos um documentário chamado ‘Crianças Abandonadas’, da cineasta Tânia Quaresma, de Brasília, que nos cedeu imagens para a gente acrescentar no doc”, contou Homero.

Segundo a coordenadora, se hoje existe direito da criança e do adolescente, se existe ECA, se há uma sensibilidade com a causa da infância, se hoje há conselhos tutelares, rede especializada de atendimento a criança e adolescente, foi graças a esses movimentos do qual o Emaús esteve impulsionando e que foi reconhecido no Brasil inteiro.

“Como cidadã a gente tem que se orgulhar do Movimento de Emaús ter surgido no Pará e ter levantado essa bandeira em defesa da Amazônia, inclusive na época da construção do ECA, no final da década de 80, o movimento saiu em caravana de ônibus levando crianças e adolescentes em situação de trabalho de rua para discutir direto em Brasília”, acrescentou ela.

Hoje, o movimento está em quase todos os conselhos, enquanto entidade que luta pelos direitos humanos. Padre Bruno Sechi teria completado 81 anos de vida no último dia 31. O italiano veio para o Brasil como missionário, dedicou grande parte da vida em projetos sociais, principalmente na região periférica de Belém. Ele fundou o Movimento República de Emaús em 1970. A entidade realiza anualmente a grande coleta de móveis e equipamentos usados que, nas oficinas mantidas pela República, são recuperados para gerar recursos financeiros para as ações desenvolvidas. 


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