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A HISTÓRIA QUE NINGUÉM CONTOU

Chega ao Amazon Prime filme paraense sobre impacto da Guerrilha do Araguaia 

O longa “Aikewara - a Ressurreição de um Povo”, que relata memórias indígenas durante a Guerrilha do Araguaia.

domingo, 27/09/2020, 18:05 - Atualizado em 27/09/2020, 18:05 - Autor: Wal Sarges/ Diário do Pará


Documentário de Luiz Arnaldo Campos e Célia Maracajá levou três anos para ficar pronto
Documentário de Luiz Arnaldo Campos e Célia Maracajá levou três anos para ficar pronto | Divulgação

O longa-metragem “Aikewara - a Ressurreição de um Povo”, que relata memórias indígenas durante a Guerrilha do Araguaia, entrou no catálogo do Amazon Prime. Dirigido por Célia Maracajá e Luiz Arnaldo Campos, o filme conta a saga do povo indígena Asurini Aikewara, que vive na terra indígena Sororó, no sudeste do Pará, no município de São João do Araguaia, a cerca de 100km de Marabá.

Entre pesquisa, roteiro, pré-produção, produção e finalização, o documentário demorou três anos para ser concluído. “Acho fantástico que o longa seja exibido para o mundo inteiro ver, quanto mais essa história percorrer o mundo, melhor. O que posso fazer com minha arte para contar essas histórias, como posso intervir nessa realidade dura, é por meio de filmes. Penso que é uma maneira de humanizarmos um pouco mais a nossa própria história, frente a essas durezas que estão nos confrontando, e revelar essa memória tão oculta”, afirma Célia.

Na sua visão, merece destaque que “as falas são do próprio povo Aikewara, com suas estratégias de sobrevivência, como se reconstruíram”, aponta Célia. “Na história do Brasil, os indígenas foram muito silenciados nos anos de chumbo. Várias etnias foram atacadas, mas optamos por falar especificamente deles, porque estavam mais próximos de nós. É um povo que tem a capacidade de transcender várias ameaças que estiveram em contato com eles, como os caçadores e epidemias, que os reduziram a 32 indivíduos”, diz.

Uma teia de histórias tão marcantes intrigou a equipe a se embrenhar pela mata em busca de descobertas. “Conversava com o Luiz Arnaldo e por coincidência, alguns dias depois, saiu uma matéria no DIÁRIO DO PARÁ sobre o povo Asurini Aikewara. Disse a ele que embarcaria na mesma hora para o Pará (risos)”, diz Célia, lembrando que eles contaram então com a ajuda do advogado Paulo Fonteles Filho, membro da Comissão Estadual da Verdade, morto em outubro de 2017, para contactar os indígenas. “A gente foi com nossos próprios recursos. Voltamos muitas vezes, sempre com a ideia de trabalhar a memória que estava oculta”.

Durante a coleta de depoimentos, surgiram histórias comoventes. “Os sobreviventes não entendiam como é que de repente sua aldeia estava militarizada. Nos anos de 1972 e 1973, com a justificativa de combater na Guerrilha do Araguaia, os militares acabaram ficando nas terras indígenas, tornando aquele espaço cercado de pessoas ameaçadas, mulheres violentadas”, diz Célia.

O filme segue os passos de um grupo de jovens indígenas que assumiu a tarefa de documentar o período, através da implantação de uma Comissão da Verdade Aikewara, criada no ano de 2012, a primeira comissão deste tipo constituída por indígenas, exemplo também seguido pelos Xavantes. “O relatório da Comissão da Verdade revela esse triste episódio que a Ditadura Militar não relatou. Acho que o filme, no decorrer dessa trajetória, pode contribuir com tudo isso”, diz a realizadora.

VEJA

Documentário “Aikewara - a ressurreição de um povo”

Onde: Amazon Prime

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