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THE EDDY

Nova série da Netflix é sobre uma boate de jazz em Paris

domingo, 03/05/2020, 18:51 - Atualizado em 03/05/2020, 20:29 - Autor: FOLHAPRESS


| reprodução

A atriz polonesa Joanna Kulig estava em plena filmagem de "Guerra Fria", o longa que a tornaria mundialmente conhecida, quando assistiu ao musical "La La Land" no cinema. Gostou tanto que passou a ouvir a trilha sonora do longa nos intervalos das gravações.

Mal poderia imaginar que, em sua primeira produção hollywoodiana, seria comandada justamente pelo diretor de "La La Land", o americano Damien Chazelle. A atriz é uma das estrelas da série "The Eddy", estreia desta semana na Netflix, produzida e com alguns episódios dirigidos pelo próprio Chazelle.

É a história do músico americano Elliott, papel de André Holland, que decide abrir um bar de jazz em Paris. Kulig interpreta a crooner do estabelecimento, a polonesa Maja, que não consegue disfarçar na doce voz a melancolia que sente desde que foi abandonada por Elliott.

Mas os problemas dele são ainda maiores. Ele precisa manter o bar mesmo com pouco movimento, recebe a inusitada visita da filha, que o quer levar de volta aos Estados Unidos, e sofre ainda com a perda de um grande amigo, que foi assassinado.


A ação se passa numa Paris multiétnica e jazzística, com o bar The Eddy como cenário dos acontecimentos. "A cena do jazz em Paris é ainda muito forte, grande mesmo. Mas demoraram anos até achar um patrocinador. 'The Eddy' é daqueles projetos difíceis de encontrar quem financie. Tive sorte de entrar nos últimos instantes", disse Kulig ao repórter, no Festival de Berlim, onde a série teve sessões especiais.

A atriz foi convidada para a série e começou a gravar em pouquíssimo tempo. Maja seria vivida por uma atriz americana, mas quando os idealizadores viram "Guerra Fria" -em que Kulig também tem cenas musicais-, decidiram reescrever o papel, fazendo da personagem uma polonesa.

Ao receber o convite, Kulig fazia a campanha do Oscar de "Guerra Fria", filme indicado em três categorias, e estava nos últimos meses de gravidez.

"Eu me lembro do primeiro encontro [com Chazelle]. Estava para ter o bebê a qualquer momento, então teve de ser perto de onde era o meu hospital", diz Kulig, com um jeito expansivo e informal atípico entre estrelas de Hollywood. "Conversamos por duas horas e logo encontramos conexões entre nós. Ele tem uma forma de pensar que é metade americana e metade europeia."

Na primeira etapa da produção, nos Estados Unidos, a polonesa teve dificuldades de se adaptar ao modo hollywoodiano de filmagem. "São sistemas muito, muito diferentes. Os americanos têm muitos assistentes. Você mal termina uma cena, e já vem gente trazendo orientações. Eu me perguntava 'quantas pessoas mais vão vir aqui e me dizer o que tenho que fazer?'. Então esse primeiro bloco foi muito difícil pra mim. Mas, quando as filmagens começaram na Europa, me senti em casa."

Em cena, a atriz surge com uma silhueta bastante diferente da que apresentava em "Guerra Fria". Está bem mais encorpada -afinal, tinha acabado de ter um bebê. Mas os produtores não exigiram emagrecimento em tempo recorde -acharam até mais adequado explorar a naturalidade do físico da atriz.

"A série tem um estilo meio de documentário. Minha aparência ali é aquela que eu tinha quando estávamos filmando, tudo muito natural. É bom aceitar o nosso corpo. Em geral as pessoas têm que estar em forma, perfeitas nos filmes, mas é por isso que eu gosto dessas séries modernas, em que as coisas precisam parecer reais", diz a atriz.

"Me perguntaram se eu conseguiria cantar 14 músicas em inglês e duas em francês para a série, e eu disse 'claro!'. Saí dizendo 'sim' para tudo, só que eu não sabia do que estava falando porque, até então, nunca tinha sido mãe", conta Kulig, com seu forte -porém charmoso- sotaque polonês.

A língua, aliás, também foi um problema. "Levei a minha babá americana para Paris, foi bom porque ela não falava polonês nem francês, só inglês. Então ela me ajudou muito -tive mais progresso com a língua inglesa em poucas semanas em Paris do que em seis meses em Los Angeles", conta a atriz.

"Foi um ano louco entre o Festival de Cannes [onde 'Guerra Fria' estreou, em 2018] e o fim de 'The Eddy'. Depois resolvi dar um tempo, cuidar mais do meu filho e limpar a minha cabeça, porque um ator precisa disso para encarar um novo personagem. Então vamos esperar a reação do público. Se gostarem, faremos a segunda temporada, e aí já sei que vou ter de me preparar. Serão seis meses de loucura".

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