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AMAZÔNIA DOC

Mostra “Égua do filme” disponibiliza 36 produções locais para assistir on-line e de graça

domingo, 19/04/2020, 11:26 - Atualizado em 19/04/2020, 11:26 - Autor: Luciana Medeiros/Especial para o Você


“Canção de Amor Perfeito”, de Fernando Segtowick, estreia na mostra virtual.
“Canção de Amor Perfeito”, de Fernando Segtowick, estreia na mostra virtual. | Divulgação

O “Festival Amazônia Doc” disponibilizou em seu site um catálogo com 36 obras realizadas por cineastas e animadores paraenses. Intitulado “Mostra Égua do Filme”, o conjunto de documentários, filmes de ficção e animação já pode ser visto na tela do computador e do celular, facilitando o acesso do público à produção cinematográfica produzida no estado.

A iniciativa é festejada pelos realizadores, mas quem ganha mesmo com tudo isso é o público. O momento é de aproveitar a quarentena de prevenção ao coronavírus para maratonar o cinema paraense. “É isso que eu espero da ‘Mostra Égua do Filme’, que as pessoas varem a madrugada assistindo a nossa produção, e que aproveitem e apreciem”, diz a cineasta Jorane Castro, da Cabocla Filmes, que disponibilizou dez produções, entre ficção e documentários, curtas, médias e longas-metragens, que já estavam disponíveis no site da produtora.

“A vantagem é que agora eles serão exibidos junto com outros filmes produzidos no estado. É muito importante para o público paraense descobrir, gratuitamente, quantos filmes já foram feitos aqui. Temos qualidade e quantidade na nossa produção. Acho que o paraense tem que se ver na tela, ver seu sotaque, suas paisagens. Vai ser muito especial”, comemora.

Para Fernando Segtowick, da Marahu Filmes, a mostra on-line, o invés de ser limitadora, se torna uma fronteira sem limites. “É também uma maneira de levar nossos filmes para outras audiências, para além do circuito de festivais. Em outras mostras ou palestras físicas ficamos restritos a quem está na sala, o que é importante também, mas ter a possibilidade de uma mostra on-line facilita muito”, destaca o diretor, que agregou ao evento um filme ainda inédito no circuito de cinemas, “Canção do Amor Perfeito”, cuja direção ele divide com Alexandre Nogueira, e que não está em nenhuma outra plataforma.

“Para a gente, estar na ‘Mostra Égua do Filme’ é como estar fazendo o lançamento desse trabalho. Assim como esta iniciativa, o curta também foi realizado de forma totalmente colaborativa, sem apoio de edital. É um filme curta-metragem ficção e conta uma história de amor, tendo no elenco os atores Leoci Medeiros e Rafaela Cândido”, detalha.

A documentarista Priscilla Brasil também enviou filmes à mostra. “Sempre acreditei que tudo que realizamos tem que estar disponível. São narrativas sobre o nosso lugar que precisam ser vistas pelo público. Isso é uma obrigação”, diz a diretora de “Filhas da Chiquita”, “Serra Pelada” e “Terra de Negro”, que estão na mostra.

As inscrições para esta primeira publicação no catálogo da mostra se encerraram na última sexta-feira, 17, mas os cineastas interessados em participar ainda poderão enviar o link de seus filmes até dia 30 de abril, quando uma nova leva será disponibilizada, encerrando as submissões. Basta acessar a ficha e o regulamento no site. O critério principal para passar pela curadoria e integrar a mostra é que sejam filmes que já tenham sido exibidos no circuito de festivais, nos cinemas, na televisão ou inéditos, mas que atendam a critérios cinematográficos que serão analisados pela curadoria.

“Selecionamos nessa primeira leva filmes que têm uma representatividade das produções e que fizeram carreira, tanto nas telas do cinema, como na TV. Reunimos de obras clássicas a recentes, produzidas em Belém, Santarém, Bragança e Castanhal, formando assim um rico painel da produção de cinema realizada no Pará nas últimas décadas, o que resulta numa pororoca cinematográfica que tanto nos orgulha”, diz Manoel Leite, produtor e curador do “Amazônia Doc”.

Produção local tem longa e premiada trajetória

A produção audiovisual paraense já passou por diversas fases até chegar ao momento atual, com produção de curtas, longas e séries para cinema e televisão. Nos anos 1990, a produção que havia ficado por mais de uma década estancada voltou a ser impulsionada com editais nacionais, lançados pelo hoje extinto Ministério da Cultura - MinC, e locais, como o Prêmio Estímulo, no final dos anos 1990. É neste período que também ganha fôlego um processo de profissionalização de diretores, produtores e técnicos, o que diminuiu a importação da mão de obra e potencializou os sets de filmagens locais.

Alguns dos filmes que estão no painel da “Mostra Égua do Filme” são obras representativas deste período, como “Quero Ser Anjo” (Marta Nassar), “Mulheres Choradeiras”(Jorane Castro) e “Açaí com Jabá” (Alan Rodrigues, Marcos Daibes e Walério Duarte). Depois vieram, entre 2005 e 2010, filmes como “Quando a Chuva Chegar” (Jorane Castro) e “Shala”, de João Inácio, entre tantos outros.

Divulgação
 

A animação “Pedaços de Pássaros”, de Andrei Miralha, e “Josephina”, de Zienhe Castro, estão no catálogo.
A animação “Pedaços de Pássaros”, de Andrei Miralha, e “Josephina”, de Zienhe Castro, estão no catálogo. Divulgação
 

Quem acessar a mostra vai conferir filmes premiados, como “Ribeirinhos do Asfalto” (Jorane Castro), de 2011, que levou os Kikito de Melhor Atriz (Dira Paes) e Melhor Direção de Arte no “Festival de Cinema de Gramado”; “Matinta” (Fernando Segtowick), de 2010, que ganhou o prêmio de Melhor Som (Evandro Lima, Mirian Bidermam, Ricardo Reis e Paulo Furnari) e de Melhor Atriz (Dira Paes) no “Festival de Cinema de Brasília”; e “Mãos de Outubro” (Vitor Souza Lima), de 2009, que já recebeu cinco prêmios, dois deles no festival “É Tudo Verdade”.

As crianças também são contempladas com os filmes de animação de Cássio Tavernard, que apresenta a trilogia de “A Turma da Pororoca”, com os curtas “A Onda – Festa na Pororoca”, do qual se originou também “O Rapto do Peixe Boi” e “Alegro Pero no Mucho”, realizados entre 2008 e 2019; e de Andrei Miralha e Marcilio Costa, que estão no catálogo com “Pedaços de Pássaro”, produção de 2016.

A iniciativa reúne ainda produções recentes como o longa “A Besta Pop” (Artur Tadaiesky, Fillipe Rodrigues e Rafael B. Silva), de 2018, e “Assustado”, curta de San Marcelo, filmado em Bragança a partir de uma história original e lançado este ano. Para Gustavo Godinho, diretor de “Brega S/A” ao lado de Vlad Cunha, a iniciativa é ótima e ele ressalta que o audiovisual paraense tem retorno de público, com produções individuais que alcançam espectadores muito diversos.

“Tem uma garotada fazendo programetes de comédia que têm uma grande audiência. Entre 2008 e 2009, Belém foi palco de um fenômeno audiovisual que foi a série da Leona Vingativa. Nesse sentido, chegamos na frente de muitos outros lugares do Brasil”, diz ele, que também chama atenção que há outros nichos que precisam se adaptar a novas realidades.

“Claro que há diversos níveis de sofisticação de audiovisual. Em certa medida, os níveis mais sofisticados são os mais prejudicados no cenário atual, mas acredito que deve acontecer uma retração inevitável, e muitos se adaptarão e produzirão com menos recursos”, comenta.

Catálogo

Besta Pop” - Direção Artur Tadaiesky, Fillipe Rodrigues, Rafael B. Silva

“A Explosão da Ilha” – Direção Gabriel Portella e Léo Chermont

“A Onda” – Festa da Pororoca” - Direção Cássio Tavernard

“Açaí com Jabá” – Direção Alan Rodrigues, Marcos Daibes e Walério Duarte

“Alegro Pero no Mucho” - Direção Cássio Tavernard

“As Filhas da Chiquita” – Direção Priscilla Brasil

“As Mulheres Choradeiras” – Direção Jorane Castro

“Assustado” – Direção San Marcelo

“Brega S/A” – Direção Gustavo Godinho e Vladimir Cunha

“Canção do Amor Perfeito” – Direção Alexandre Nogueira e Fernando Segtowick

“Certeza” – Direção Pedro Tobias

“Covato – Desenterre seus Segredos” – Direção Emanoel Franklin

“Damasceno Novos & Usados” – Direção Kemuel Carvalheira

“Ervas e Saberes da Floresta” – Direção Zienhe Castro

“Gritos da Terra” – Direção Geneviève Pressler e Zienhe Castro

“Invisíveis Prazeres Cotidianos” – Direção Jorane Castro

“Josephina” – Direção Zienhe Castro

“Juliana contra o Jambeiro do Diabo pelo Coração de João Batista” – Direção Roger Elarrat

“Lugares do Afeto - A Fotografia de Luiz Braga” – Direção Jorane Castro

“Mãos de Outubro” – Direção Vitor Souza Lima

“Matinta” - Direção Fernando Segtowick e Adriano Barroso

“Memórias do Cine Argus” – Direção Edivaldo Moura

“Miguel Miguel” – Direção Roger Elarrat

“Mulheres de Mamirauá” – Direção Jorane Castro

“O Time da Croa” – Direção Jorane Castro

“Ópera Cabocla” – Direção Adriano Barroso

“Pedaços de Pássaros” – Direção Andrei Miralha e Marcílio Costa

“Promessa em Azul e Branco” – Direção Zienhe Castro

“Quando a Chuva Chegar” – Direção Jorane Castro

“Quero Ser Anjo” – Direção Marta Nassar

“Ribeirinhos do Asfalto” – Direção Jorane Castro

“Salvaterra, Terra de Negro” – Direção Priscilla Brasil

“Serra Pelada - Esperança Não é Sonho” – Direção Priscilla Brasil

“Shala” – Direção João Inácio

“O Rapto do Peixe Boi” – Direção Cássio Tavernard

“Verde Terra Prometida” – Direção Cláudia Kawage

“Canção de Amor Perfeito”, de Fernando Segtowick, estreia na mostra virtual.
“Canção de Amor Perfeito”, de Fernando Segtowick, estreia na mostra virtual. | Divulgação
A animação “Pedaços de Pássaros”, de Andrei Miralha, e “Josephina”, de Zienhe Castro, estão no catálogo.
“Canção de Amor Perfeito”, de Fernando Segtowick, estreia na mostra virtual. | Divulgação
“Canção de Amor Perfeito”, de Fernando Segtowick, estreia na mostra virtual. | Divulgação

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