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OUTRO LADO DA HISTÓRIA

Foto em documentário 'Democracia em Vertigem' é adulterada e diretora explica o motivo

terça-feira, 30/07/2019, 23:22 - Atualizado em 30/07/2019, 23:22 - Autor: Redação


O documentário recapitula os principais acontecimentos políticos do país de 2013 até hoje, além de fazer um passeio pela história de forma geral. Foi eleito também um dos melhores filmes do ano pelo The New York Times
O documentário recapitula os principais acontecimentos políticos do país de 2013 até hoje, além de fazer um passeio pela história de forma geral. Foi eleito também um dos melhores filmes do ano pelo The New York Times | Divulgação/Netflix

A diretora Petra Costa justificou uma adulteração cometida no documentário “Democracia em Vertigem” (eleito um dos melhores filmes do ano pelo The New York Times), que mostra a foto da cena do assassinato de Pedro Pomar e Ângelo Arroyo sem as duas armas posicionadas ao lado de seus corpos; os dois foram mortos em 1976 durante a ditadura militar.

Ao ser questionada, a cineasta justifica com base em investigações posteriores que as armas, na verdade, foram plantadas por agentes do regime ao lado das vítimas, que eram dirigentes do Partido Comunista do Brasil (PC do B) para justificar um suposto confronto armado.

O espectador não é informado dessa adulteração.

“Há um debate significativo sobre a veracidade das armas nesta cena, com muitos comentários. E até a própria Comissão da Verdade trouxe evidências para as alegações de que a polícia plantou as armas após a morte de Pedro, e por isso optei por remover esse elemento e homenagear a Pedro com uma imagem mais próxima à provável ‘verdade’”, disse Petra através da Assessoria de Imprensa.

A cena original do assassinato de Pedro Pomar e Ângelo Arroyo em uma casa no bairro da Lapa (zona oeste de São Paulo) em 1976 durante ditadura militar
A cena original do assassinato de Pedro Pomar e Ângelo Arroyo em uma casa no bairro da Lapa (zona oeste de São Paulo) em 1976 durante ditadura militar Reprodução/Memorial da Democracia
 

A foto original, disponível no site Memorial da Democracia, mostra a cena em detalhes, com os corpos no chão e com um revólver ao lado de Pomar e uma carabina ao lado de Arroyo.

Eles foram mortos em uma casa no bairro da Lapa (zona oeste de São Paulo) que era usada para reuniões de membros do PC do B. O episódio, inclusive, ficou conhecido como Chacina da Lapa.

Um relatório da Comissão Especial de Mortos e Desaparecidos Políticos confirmou a responsabilidade do Estado nas mortes, além de reconhecer a manipulação da cena do crime pelos militares na época.

“As armas foram removidas da imagem e há uma razão para isso. Eu esperava que alguém do público notasse. Como afirmei no documentário, Pedro era mentor político da minha mãe, e foi amplamente reconhecido que a polícia plantou armas ao redor dos corpos dos ativistas assassinados, como uma desculpa para seus assassinatos brutais”, disse.

“Democracia em Vertigem” estreou em junho de 2019 e é narrado em off por Petra Costa, recapitulando os principais acontecimentos políticos do país de 2013 até hoje, incluindo o impeachment de Dilma Rousseff (PT) e a eleição de Jair Bolsonaro (PSL). Foi eleito um dos melhores filmes do ano pelo The New York Times.

(DOL)

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