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Formados da Marinha estão em situação degradante

sexta-feira, 04/03/2016, 14:04 - Atualizado em 04/03/2016, 14:22 - Autor:




Praticantes oficiais de Náutica formados em 2015, em Belém, pela Marinha Mercante estão passando por uma situação degradante. O principal problema é que após a formação concluída os cerca de 80 formados não estão sendo convocados para o estágio, ao mesmo tempo em que perderam a remuneração que era paga. Só após conseguirem a vaga no estágio é que voltam a receber.


"Jovens que abandonaram tudo em busca do sonho de seguir a carreira de oficial da Marinha Mercante, após passar três anos na Escola de Formação de Oficiais da Marinha Mercante em Belém, no Centro de Instrução Almirante Braz de Aguiar (Ciaba), não tiveram continuidade na atividade" escreveu ao DOL um dos alunos, que pediu para não ser identificado.


Os denunciantes relataram que até o período de formação recebiam uma bolsa para custear as despesas. "Contudo, após o término do curso fomos deixados à míngua. Cortaram a bolsa, retiraram o plano de saúde e apenas pedem que aguardemos", escreveu um dos jovens, em desespero. 


Segundo eles, a Marinha do Brasil simplesmente não dá uma estimativa e não realiza qualquer estágio. 


O que agrava a situação é que este jovens - com idade entre 21 e 27 anos, estão sem poder fazer nada, pois podem ser chamados a qualquer momento. "A Marinha trata isso com o maior descaso possível, com muita muita demora", avaliam 


Marinha esclarece sobre a falta de vagas


Em nota ao DOL, a Marinha explicou que as vagas para o estágio são solicitadas às empresas de navegação pela DPC e pelos Centros de Instrução Almirante Graça Aranha (Ciaga) e Almirante Braz de Aguiar (Ciaba), por meio de frequentes correspondências, visitas às empresas e reuniões, como no Conselho Consultivo do Fundo de Desenvolvimento do Ensino Profissional Marítimo (FDEPM).  


Conta-se ainda com o apoio do Sindicato de Oficiais da Marinha Mercante (SindMar), do Sindicato dos Armadores (Syndarma), da Associação Brasileira das Empresas de Apoio Marítimo (Abeam), da Petrobras e da Transpetro. 


Entenda como funciona o curso de oficial da Marinha Mercante


A aquisição dessas vagas depende, portanto, do oferecimento e disponibilidade das empresas de navegação. "A retração da atividade marítima vem contribuindo para a redução do oferecimento de vagas, seja por economia, seja porque muitas embarcações, especialmente as de apoio marítimo, estão hoje sem contrato. Além disso, o estágio tem custo para as empresas, como seguro de vida, plano de saúde, transporte para apresentação e regresso de bordo, alimentação e outras despesas atinentes à vida a bordo", explica o documento encaminhado pela Assessoria de Comunicação da Marinha.


"A distribuição de vagas é feita pelos Centros de Instrução obedecendo a dois critérios: tempo de espera e meritocracia. Mesmo assim, quase todas as empresas de navegação realizam processos seletivos, na busca dos melhores praticantes de oficial. O que não se aceita é indicação nominal". 


A expectativa da Marinha é que todos os 532 praticantes de oficial que hoje aguardam vagas sejam contemplados com o estágio até o final de 2016. 


 


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Aluno consegue vaga após apelo e revolta turma


O que revoltou os oficiais formados em 2015 foi a situação de um jovem formado em 2014, que teria conseguido uma vaga de estágio após desabafar através de uma rede social.


"Em uma tentativa desesperada, em 24 de fevereiro de 2016, ele postou um desabafo com tentativa de conseguir uma vaga com meios próprios e assim encaminhar para a Marinha", contou ao DOL um oficial formado. "Para a surpresa de todos, em um dia, com 1.738 compartilhamentos, ele conseguiu a vaga dele. Ou seja: o que a Marinha não conseguiu em 1 ano e dois meses". 


A forma como oficial conseguiu a vaga colocou em xeque, pelos oficiais formados, os critérios de lotação da Marinha. "Existem ainda muitos outros alunos também de 2014 estão na mesma situação". Os estudantes também apontam o que consideram outra irregularidade no edital. "Os alunos deveriam terminar esse estágio em,  no máximo dois anos, mas como um aluno que se formou em 2014 consegue terminar no final de 2016 o tempo de um ano embarcado, embarcando em fevereiro? E os outros que estão ainda sem previsão? E nós (80 alunos) que nos formamos em 2015 e precisamos fazer esse período da  praticagem?"


A Marinha esclareceu ao DOL a situação do aluno que se formou em 2014, e conseguiu uma vaga para estágio por conta própria. "A Marinha não pode impedir que a empresa assim o faça, quando poderia ter oferecido a vaga diretamente ao Ciaba, com o qual mantém convênio nesse sentido; e esse aluno somente ocupou a vaga porque aqueles de sua turma que tinham melhor colocação que a sua concordaram oficialmente, junto ao Ciaba, ficando o critério de meritocracia devidamente resguardado". 

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