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Colunistas / Gerson Nogueira

Gerson Nogueira

Gramados de Bragança e Tucuruí exemplificam péssima qualidade do Parazão 2019

sábado, 06/04/2019, 10:33 - Atualizado em 06/04/2019, 17:54 - Autor:


Quando o destaque vem da zaga


 É de conhecimento até do reino mineral que o Campeonato Estadual 2019 é um dos mais fracos e desinteressantes da década. A ausência de grandes jogos tem afastado o torcedor, tanto na capital quanto no interior. As partidas das semifinais, realizadas nesta semana, não contribuíram para mudar a avaliação negativa. Pelo contrário até.


As condições sofríveis dos campos de Bragança e Tucuruí influíram decisivamente para jogos de fraco nível técnico. Durante e depois das partidas, transmitidas pela TV, torcedores se manifestaram criticamente através das redes sociais.


Na quinta-feira, os efeitos da chuva tornaram ainda mais difícil a condução da bola no jogo entre Independente e PSC, no estádio Navegantão. De futebol mesmo apenas alguns cruzamentos na área, que resultaram nos quatro gols da noite.


Nada de distribuição lógica dos times em campo. Prevaleceu apenas o bumba-meu-boi como estratégia de jogo. Faltas duras, lançamentos sempre parando na lama e nem sinal de dribles e fintas.
Acabou levando a melhor a equipe que já conhecia alguns dos atalhos do gramado, pois treina diariamente no estádio. Com raça e iniciativa, o Independente teve méritos para conquistar a vitória, afinal os obstáculos puniram igualmente os dois times. 


Em meio a tantos problemas agravados pelo temporal, um jogador saiu de campo como grande destaque da noite. Não apenas pelos gols marcados e a impecável participação defensiva, o amapaense Dedé se sobressaiu pela liderança no time do Independente.


Comandou as ações no setor defensivo e fez a leitura correta das circunstâncias da partida, indo ao ataque para tentar o cabeceio em todas as cobranças de falta e escanteio. Ganhou praticamente todas as disputas com os zagueiros do Papão.


No lance do primeiro gol, logo aos 7 minutos, saltou junto com quatro marcadores, incluindo os zagueiros Micael e Vítor Oliveira. Ganhou em impulsão e força, tocando na bola e mandando para as redes.


Mudou ligeiramente de posicionamento dentro da área para receber o segundo lançamento fatal, aos 39 minutos, e novamente levou a melhor sobre a pesada linha de zaga bicolor.


Cotado para defender o Remo depois de jogar a Segundinha de acesso ao Parazão, Dedé não fechou acoro com os azulinos porque a diretoria do Ypiranga só aceita negociar “pacote fechado”, o que inclui os jogadores Fazendinha, Fabinho e Jari. O Independente aceitou acordo e tem se beneficiado disso na competição.


Talvez o Ypiranga siga dificultando acordo para empréstimo, mas é certo que depois de quinta-feira Dedé caiu nas graças das duas maiores torcidas do Estado e virou um dos poucos destaques individuais do Parazão.


 


Uma fiscalização que pode salvar vidas


 Foi preciso que uma tragédia acontecesse para que as autoridades passassem a inspecionar normas de saúde e segurança no ambiente que os clubes destinam aos atletas da base. Semanas depois do incêndio que vitimou 10 jogadores das divisões amadoras do Flamengo, no Rio, o Ministério Público do Trabalho (MPT) promoveu a Semana Nacional de Fiscalização nos Clubes de Futebol, encerrada ontem (5).


Ao todo, foram visitados e inspecionados alojamentos e centros de treinamento (CT) no Rio de Janeiro, Ceará, Pernambuco, Rio Grande do Sul, Mato Grosso do Sul e S. Paulo.
As irregularidades mais comuns se referem à falta de projetos elétricos, alojamentos desconfortáveis e condições precárias de higiene. No Ceará, os clubes visitados foram o Ferroviário e o Nordeste. Ceará e Fortaleza não foram inspecionados.


Grêmio e Internacional tiveram suas dependências vistoriadas, sem que os fiscais encontrassem situações de risco iminente, mas os auditores do Trabalho notificaram os clubes para a apresentação de documentos atualizados.


Os clubes do Rio foram fiscalizados logo em seguida ao incêndio no Ninho do Urubu. Os locais de treinamento de Vasco, Botafogo e Fluminense foram advertidos pela força-tarefa quando a problemas nas instalações elétricas e infiltrações nos prédios.


Elogiável sob todos os pontos de vista, a força-tarefa é constituída de procuradores que representam Coordenadorias Nacionais de Combate à Exploração do Trabalho da Criança e do Adolescente (Coordinfância) e de Defesa do Meio Ambiente de Trabalho (Codemat), do MPT.


Todas as vistorias tiveram o apoio de órgãos como Superintendência Regional do Trabalho, MP Estadual, Vigilância Sanitária e Corpo de Bombeiros. Relatórios oficiais serão divulgados ao final de todas as inspeções. As instalações destinadas a outras modalidades esportivas também estão na mira do MPT.


Até o momento, além dos clubes citados acima, foram fiscalizadas as dependências de Sport-PE, Santa Cruz, Náutico, Operário, Vila Nova, Atlético-GO, São Paulo, Corinthians e Palmeiras.


Espera-se que a abrangência da força-tarefa chegue a outros Estados ou motive representações regionais do MPT a realizarem inspeções de surpresa nos clubes que mantêm departamentos de futebol amador. No Pará, essa providência é mais do que necessária.

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