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Colunistas / Gerson Nogueira

Gerson Nogueira

Forma física e habilidade de Ronaldinho Gaúcho são tema da coluna de Gerson Nogueira

segunda-feira, 17/12/2018, 08:12 - Atualizado em 17/12/2018, 08:12 - Autor:


Melancolia de circo nos lampejos do grande craque


Outra tendência de fim de ano é o movimentado circuito de eventos beneficentes, nos quais velhos boleiros se juntam a algumas estrelas atuais para partidas de brincadeirinha, que ajudam a fomentar e a alimentar também o noticiário de fofocas.


Belém sediou no fim de semana um jogo especial de futsal com a presença de Ronaldinho Gaúcho, cuja agenda pessoal ficou mais flexível depois que se viu impedido de deixar o país por ordem judicial – responde a processo por crime ambiental no Rio Grande do Sul.


A forma física está mais para o perfil de pagodeiro, mas os dribles e canetas continuam quase impecáveis. É visível, porém, que R10 entrou em modo Buffalo Bill se sujeitando a virar alvo da curiosidade dos que aplaudiam seus momentos gloriosos como jogador do Barcelona, do Atlético-MG e da Seleção.


Caso o atleta tivesse sido mais disciplinado e focado, Ronaldinho certamente ainda poderia jogar decentemente no Brasil, ajudando a compor elencos na Série A.


Acontece que os rolês e festas frenéticas minaram a resistência física, permitindo que se apresente de vez em quando – como na programação no ginásio Mangueirinho – exibindo lampejos daqueles tempos áureos, sem disfarçar a atmosfera melancólica dos artistas decadentes de circo.


O triunfo da antinotícia


O futebol ocupa espaços midiáticos cada vez mais expressivos no Brasil. Programas se espalham pelas grades da TV aberta, a cabo e de canais na internet. Jornais impressos, que sempre foram generosos com a modalidade, seguem mantendo páginas e páginas dedicadas à cobertura de jogos e torneios.


Quando chega o período de férias dos atletas, os veículos sucumbem à escassez de notícias. O problema é que o público não tira férias do futebol e cobra informações, principalmente sobre reforços para os times.


Entra em cena, então, a vocação que muitos boleiros demonstram ter para o marketing de guerrilha, usado em doses cavalares para saciar a sede da mídia esportiva por fatos novos. Ironicamente, como se sabe, quase nada é factual e verdadeiro na boataria sobre contratações e transações entre clubes e atletas.


Sem maior brilho no Palmeiras campeão nacional, o volante Felipe Melo aproveitou a estiagem para surfar em cima da curiosidade e da desinformação. Disseminou a história de que pode deixar o Verdão (com quem tem contrato até o final de 2019) para voltar ao Flamengo, onde iniciou a carreira.


Os rubro-negros se dividem, mas boa parte da massa torcedora vai às redes sociais discutir se a contratação seria ou não interessante. Gera uma bolha de comentários, favoráveis ou não, tornando o nome do jogador o assunto mais comentado da semana que passou.


A explosão de curtidas no Twitter serve aos interesses de empresários e dos próprios profissionais da bola, pois dimensionam o grau de visibilidade que podem agregar ao clube contratante. Em resumo, uma lorota vira lucro nas mãos espertas de quem sabe manipular as plataformas digitais, produzindo factoides que acabam virando tema de noticiário pretensamente sério.


É improvável que o negócio entre Palmeiras e Flamengo se confirme, pois o contrato teria que ser rompido, com consequente pagamento de multa rescisória, mas o objetivo de Felipe e seu estafe já foram alcançados plenamente. É o que se pode chamar de triunfo da antinotícia. 


A história se repete com Rever, Pablo, Ricardo Goulart e Diego Tardelli. Em escala menor, monopolizam o noticiário, sendo especulados por vários clubes.


Quase todos são atletas que têm em comum o fato desconcertante de que não integram a chamada linha de frente do futebol no Brasil. Não entram em listas de convocados para a Seleção e – no caso de Tardelli, Melo e Rever – estão na chamada fase descendente da carreira, acima dos 34 anos.


Daqui a alguns dias, a maioria das conversas e sondagens se revela inconsistente e sem qualquer base na realidade, mas a badalação já ocorreu para satisfação e glória dos marqueteiros intuitivos.


Estratégia do Papão aguça curiosidade da galera 


Há quem reclame da estratégia adotada pela diretoria do Papão em relação ao anúncio de contratações para 2019. Ocorre que Ricardo Gluck Paul prefere que os reforços sejam apresentados de uma vez só ou quando os acordos estiverem sacramentados. É uma atitude profissional e respeitosa, mas o torcedor mal contém a ansiedade, principalmente por acompanhar a sucessão de notícias sobre os contratados pelo maior rival.


De toda sorte, a partir desta semana, serão conhecidos os nomes que irão compor o novo elenco alviceleste. Nos últimos dias sobre Giaretta, Léo Itaperuna e até Ameixa, ex-Remo, mas não há qualquer indicação segura de que esses jogadores estarão no grupo de aquisições.


Até mesmo algumas sinalizações quanto ao retorno de atletas que foram liberados, como Pedro Carmona e Nando Carandina, não têm confirmação por parte da diretoria. Não há jeito. Os curiosos terão que refrear a angústia por mais alguns dias.


O livro de Tommaso, um cara bacana


As quatro décadas de jornalismo esportivo de Giuseppe Tommaso estão condensadas nas páginas de “Tommaso, um cara bacana”, livro escrito por Mauro Tavernard devassando a trajetória profissional do carioca-paraense.


O lançamento será amanhã, às 19h, com noite de autógrafos na Livraria Fox da Dr. Moraes. A venda dos exemplares 


tem caráter beneficente.

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