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Colunistas / Gerson Nogueira

Gerson Nogueira

Gerson Nogueira avalia desafio do Clube do Remo para 2019

domingo, 16/12/2018, 10:18 - Atualizado em 16/12/2018, 10:18 - Autor:


Um desafio espinhoso


Fábio Bentes precisará de muita criatividade, paciência, ajuda e sorte para enfrentar o primeiro ano de gestão no Remo. O cenário é possivelmente o pior já encarado por um presidente do clube nos últimos 20 anos. Como já é praxe, não há dinheiro em caixa, mas sobram encargos e dívidas vencidas desde a administração passada.
Aos poucos, como revelou em entrevistas recentes, Bentes foi confrontado com a dura realidade: bloqueios quase intermináveis de todas as fontes de recursos do clube. As fases iniciais da Copa do Brasil estão desde já com as cotas suspensas para o Remo, bem como os recursos oriundos dos patrocínios de Funtelpa e Banpará, referentes ao Campeonato Estadual.


Há, ainda, o acordo celebrado com a Justiça do Trabalho que tira das arrecadações do clube 30% a cada jogo, a fim de pagar ações ajuizadas na esfera trabalhista. Por último, a cobrança da dívida contraída com o Palmeiras pelo empréstimo do lateral Mateus Miller em 2015 acaba de aterrissar na mesa de Bentes, via comunicado da Justiça de S. Paulo.


Além dos enroscos trabalhistas, o Remo terá em algum momento que enfrentar os litígios na área cível, pois muitos antigos colaboradores alegam ter valores (expressivos, em alguns casos) a receber e nada garante que a cobrança não chegue nas próximas semanas. 


Historicamente, a principal fonte de problemas para as gestões azulinas é a questão trabalhista. Desde que Ronaldo Passarinho, comandando o departamento jurídico do clube, conseguiu a façanha de baixar de R$ 14 milhões para menos de R$ 5 milhões o quantitativo devido à Justiça do Trabalho, o Remo só fez reincidir em acordos mal costurados e descumpridos seguidamente.


A última má notícia foi a decisão judicial que deu ganho de causa ao lateral Levy, ex-jogador do clube, acrescentando mais meio milhão de reais às pendências trabalhistas. Patrocínios do Parazão são costumeiramente bloqueados em favor da execução centralizada de dívidas trabalhistas no Projeto Conciliar.


Para 2019, Bentes vai arcar com o bloqueio recente das cotas da Copa do Brasil, decretado por causa da inadimplência no pagamento de novas parcelas do acordo.
Por isso tudo, o novo presidente terá que fazer um esforço gigantesco para controlar as contas, impedindo novas dívidas, e tomar um cuidado especial quanto ao cumprimento de acordos firmados em sua gestão.


O empenho em buscar parceiros tem sido razoavelmente bem sucedido, embora esbarre sempre na desconfiança que a iniciativa privada nutre em relação ao futebol de maneira geral e, em particular, a clubes que se notabilizam pela dificuldade em honrar compromissos.


CBF enrola clubes e impõe Série C favorável ao Nordeste


A dupla Re-Pa marchou unida para o encontro realizado na CBF entre representantes de clubes que disputarão a Série C 2019. Saíram juntos e irmanados na sensação de impotência para mudar os planos já delineados para a competição, que hoje é vista como um estorvo por não garantir faturamento para os já abarrotados cofres da entidade.


Os presidentes Ricardo Gluck Paul e Fábio Bentes receberam a informação de que a CBF permitirá a comercialização de mídia nos estádios ao longo da competição, espécie de prêmio de consolação para clubes que não terão qualquer cota de participação, além da garantia das despesas com transporte e hospedagem.


Na prática, a flexibilização da propaganda nem deve ser entendida como consolo, visto que os clubes terão enormes dificuldades para vender placas e outros espaços para a mídia comercial, caso a CBF não consiga negociar os direitos de transmissão.


Por outro lado, caso os jogos venham a ser transmitidos, há o risco de conflito comercial com os interesses da emissora que porventura adquirir os direitos de transmissão do campeonato.


Acima de tudo, porém, os clubes paraenses acabaram prejudicados pela decisão de caráter geográfico imposta à Série C. Os representantes nordestinos terão direito a uma disputa à parte, com avanço garantido à fase eliminatória do campeonato.


Tecnicamente, sob todos os pontos de vista, inclusive o de menor desgaste com viagens, o Nordeste leva uma tremenda vantagem. Longe de pensar em resolver a situação, a CBF escamoteou habilmente o que deveria ser o caminho mais lógico e sensato: promover uma Série C em pontos corridos, com 38 rodadas, nos moldes das Séries A e B.


Enquanto não der esse passo, a entidade continuará a carimbar a Terceira Divisão apenas um torneio de terceira categoria.

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