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Colunistas / Gerson Nogueira

COLUNA DO GERSON

Remo e o fator Gedoz e os exemplos que Neymar pode seguir

Gerson Nogueira destaca a chegada e falta de adaptação do meia azulino Felipe Gedoz e os exemplos de engajamento que Neymar pode seguir

quinta-feira, 10/12/2020, 12:21 - Atualizado em 10/12/2020, 12:21 - Autor: Gerson Nogueira


| Divulgação/ Clube do Remo

O Remo e o fator Gedoz

Pelas palavras sempre ponderadas do técnico Paulo Bonamigo, o Remo vai disputar em alto nível o quadrangular de definição do acesso à Série B. Terá que ser assim mesmo, pois as exigências técnicas da disputa aumentaram bastante após a fase de classificação. Estão reunidos, para jogos de ida e volta, os melhores times da competição.

Um ponto importante ainda deve despertar inquietações no próprio Bonamigo: o espaço a ser ocupado pelo meia Felipe Gedoz no esquema montado para as batalhas contra Ypiranga, PSC e Londrina.

Até o leãozinho de pedra lá do Evandro Almeida sabe que Gedoz ainda é um estranho no ninho remista. Não lhe tem faltado disposição, esforço e persistência para acertar o passo, mas é justo dizer que ainda não conseguiu alcançar o ponto mínimo de rendimento esperado quando foi contratado.

Jogador de destaque em vários clubes, dono de bom passe e sempre rondando aquela região do campo que permite disparos em direção ao gol, Gedoz não entregou ainda um futebol capaz de agradar a torcida e satisfazer o comandante.

A estreia parecia ter sido escolhida a dedo, contra os reservas do Santa Cruz em Belém. Saiu tudo ao contrário do previsto. Os visitantes jogaram com extrema disciplina e vontade de pontuar que intimidaram as ações iniciais do Remo.

Mesmo produzindo várias oportunidades para marcar, o Leão acabou derrotado, muito em função de uma penalidade desperdiçada por Gedoz quando o placar era de 1 a 0 para o Santa. Na mesma cobrança, o meia desperdiçou ainda dois rebotes.

Relembro esse episódio porque ele expressa a situação de desconforto que segue acompanhando o jogador, cotado como principal reforço do Remo para a competição. Deveria ser o líder técnico do time em campo, a cereja do bolo. Não foi esse jogador nas quatro partidas que disputou.

O Re-Pa entre amigos não conta, mas contra Botafogo-PB e Manaus sua participação foi discreta. Mesmo na grande performance do Remo na Arena da Amazônia, o papel desempenhado por Gedoz foi muito mais de aplicação tática do que de protagonista.

Teve uma chance preciosa de marcar, já no 2º tempo, e bateu descalibrado. Não parece dispor da confiança para executar as jogadas, evita as jogadas individuais e até os lançamentos são curtos, econômicos.

A situação tende a ficar tensa quando um jogador incorpora, de maneira negativa, a responsabilidade de mostrar serviço e provar a que veio. Atender expectativas é tarefa difícil em qualquer ramo de atividade. Pior ainda no futebol competitivo da Série C e sob as exigências de uma torcida que sonha há cinco anos com o acesso à Série B.

Não creio que Bonamigo seja um técnico permeável a pressões por escalação de jogador. Nunca permitiu isso ao longo da carreira, mas ele próprio deve em algum momento entender que Gedoz, pelo custo que gera ao clube, precisa estar em ação.

Até quando o reforço continuará merecendo titularidade, com produção abaixo das expectativas, é a pergunta que todos se fazem, dentro e fora dos muros do Baenão. Porque, convenhamos, Gedoz não foi contratado para tocar bola para os lados e dar combate na zona de marcação.

Para executar tarefas prosaicas, de bloqueio e vigilância, Bonamigo tem muita gente à disposição no elenco. O que lhe falta é um meia inspirado, capaz de desequilibrar jogos. Gedoz deve ser esse homem.

Exemplos de engajamento que Neymar pode seguir

O firme posicionamento antirracista dos jogadores do PSG e do Istanbul surpreendeu, em muitos aspectos, pela resoluta participação de Neymar na decisão de se solidarizar com os atletas do time turco, que optaram por abandonar o campo na partida de terça-feira.

Neymar é um exemplo de alienação e desinformação política entre os grandes astros do futebol mundial. Não tem opinião sobre nada, não se engaja em nenhuma causa e costuma usar suas poderosas redes sociais para divulgar produtos e marcas ao invés de se manifestar sobre temas relevantes.

Símbolo da alienação dos boleiros brasileiros, que em sua imensa maioria passam ao largo de assuntos tidos como espinhosos, o camisa 10 do PSG não faz muita questão de parecer diferente.

Não parece se incomodar nem mesmo quando vê desportistas como Lewis Hamilton e LeBron James assumindo posições de vanguarda contra a intolerância e as injustiças sociais.

Por isso mesmo, a decisão de liderar os jogadores do PSG no apoio aos atletas do Istanbul, repudiando o ato racista praticado pelo quarto árbitro, deve ser saudada como um divisor de águas no comportamento do craque brasileiro. Que continue nessa trilha.

Ao mesmo tempo, é preciso reconhecer que o Brasil já teve alguns exemplos de jogadores desassombrados. Há poucos dias, citei o aniversário da morte de Dr. Sócrates, ídolo corintiano e voz sempre pronta a questionar mazelas e desvios de conduta da cartolagem e dos governantes brasileiros.

Antes dele, Afonsinho no Botafogo e Reinaldo no Atlético-MG também tiveram destacada participação nas lutas para dar à profissão um mínimo de orgulho e dignidade. Reinaldo, de estilo muito calcado nas atitudes dos míticos Panteras Negras americanos, costumava usar o punho direito erguido para festejar seus gols.

Isso tudo em plena ditadura militar, quando até um assobio descuidado podia causar sérios problemas com a repressão. Reinaldo, que a massa atleticana chamava de “Rei”, era um cara que fazia muitos gols, o que permitia que sua singular manifestação de protesto fosse repetida na TV e disseminada nas fotos dos jornais.

Quis o destino, porém, que o centroavante lépido e habilidoso não pudesse mostrar todo o seu talento em Copas do Mundo. Era o preferido de Telê Santana, mas só conseguiu participar da Copa de 1978 na Argentina, de maneira bastante limitada.

Achei oportuno mencionar Reinaldo porque a galeria de craques politizados é tão reduzida que se faz necessário destacar e fazer justiça aos expoentes. Paulo César Caju também teve seus momentos de rebeldia, sem a mesma contundência política no discurso.

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