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GERSON NOGUEIRA

Gerson Nogueira: o futebol não pode ter pressa

domingo, 24/05/2020, 11:36 - Atualizado em 24/05/2020, 11:36 - Autor: Gerson Nogueira


| Divulgação/Clube do Remo

O nível de precipitação e despreparo de dirigentes do futebol quanto ao retorno das competições é algo que se aproxima da maluquice pura e simples. Os pontos propostos em documento da Secretaria de Desenvolvimento Econômico do Rio de Janeiro para a retomada das atividades futebolísticas, divulgado na sexta-feira, dão bem a medida da falta de noção de perigo demonstrada até pelas autoridades ligadas ao futebol profissional.

Há uma proposta que prevê lotação máxima de 50% da capacidade total dos estádios com a distância mínima de 2 metros entre os torcedores. O documento “Pacto social pela saúde e pela economia do Estado do Rio de Janeiro” estabelece três fases de retorno (vermelha, amarela e verde), vinculadas a gatilhos como taxa de ocupação de leitos de UTI’s e progressão de novos casos de covid.

A primeira bandeira, vermelha, diz respeito ao fechamento total do período de quarentena, como hoje. A amarela traz a tal ideia restritiva, com 50% da capacidade total dos estádios e distanciamento entre torcedores, incluindo outras medidas de higienização. Por fim, a bandeira verde seria o cenário de controle total da pandemia, permitindo que os estádios operem normalmente, mas com recomendações de higiene, proteção e boas práticas.

Curiosamente, o extenso protocolo não prevê a realização de jogos sem presença de público, o que permite imaginar que a ideia fixa é voltar com as competições e com público pagante, mesmo que pela metade, como indica a fase amarela.

É justamente na flexibilização de atividades da segunda fase é que mora o perigo. Para que o futebol seja retomado, o documento estabelece que as taxas de ocupação dos leitos de UTI estejam entre 70% e 90% e que a taxa de novos casos da doença esteja negativada em pelo menos sete dias antes da volta dos campeonatos.

O documento ordena a utilização de máscaras para clientes (torcedores) e funcionários e a aplicação de testes para Covid em todos os profissionais envolvidos. Indica preferência por treinamentos e jogos em ambientes abertos e arejados.

Prevê, ainda, a tomada de temperatura de torcedores, jogadores, comissão técnica, árbitros, delegados, profissionais de imprensa e profissionais da administração dos estádios e arenas, aí inclusos, portaria, conservação e segurança; impedimento e orientação de isolamento a pessoas que manifestem febre.

Em outra direção, prevê a desinfecção de arquibancadas, sanitários, áreas comuns, antes da realização de partidas, bem como vestiários e materiais antes e depois de treinos e jogos.

No último estágio, o da normalização geral, quando a pandemia estiver controlada e negativa, serão liberados os jogos com lotação máxima para todos os setores dos estádios, mas ainda com o uso de máscaras para torcedores e profissionais do jogo, filas controladas por marcações no chão, com espaçamento entre usuários, higienização periódica de equipamentos compartilhados.

Apesar da oposição de vários dirigentes de futebol do Rio, esse protocolo será discutido hoje em reunião que terá a presença do prefeito do município, Marcelo Crivella. Por trás dessa movimentação toda está a pressão exercida pelas diretorias do Flamengo e do Vasco, identificadas com a pregação negacionista da doença pelo presidente Jair Bolsonaro.

Na Europa, apesar do exemplo alemão, não há indicação de que as principais ligas – inglesa, italiana e espanhola – irão voltar de imediato com os jogos. O posicionamento de dirigentes e atletas é de extrema cautela, com preocupação em relação à segurança das pessoas e nenhuma afobação para satisfazer clubes, patrocinadores e emissoras de TV.

Apesar dos detalhes técnicos esboçados no documento destinado ao futebol do Rio, é impensável imaginar que o distanciamento mínimo de 2 metros entre as pessoas na arquibancada será respeitado no caso de um gol ou lance mais emocionante. Haverá abraços, beijos e pulos. Quem elaborou o protocolo parece não conhecer a essência do futebol, pautada na emoção e no compartilhamento da alegria.

A não ser que a doença seja controlada nas próximas semanas, o futebol no Brasil só voltará a ter presença de público no próximo ano. Todas as autoridades médicas são unânimes em afirmar que aglomerações humanas são o principal fator de risco de contágio do novo coronavírus.

Foi durante jogos do Atalanta pela Liga dos Campeões, com estádio lotado em Bergamo, que a Itália viu explodirem os casos de covid. Médicos e jogadores avaliam hoje que naquela ocasião o futebol deveria ter sido paralisado, o que teria evitado a morte de milhares de pessoas.

O Brasil não pode incorrer nesse erro. O Pará também não. Muitas mortes ainda atormentam a população e é quase um deboche falar em volta dos jogos neste momento. Quando o campeonato for retomado deve vir cercado de muito cuidado para que não ocorra uma nova onda da pandemia. Ao que parece, o protocolo que a FPF está finalizando não contém o destempero exposto no documento carioca. Melhor assim.

Bola na Torre

Lino Machado apresenta o Bola na Torre, com a presença de Saulo Zaire e Mariana Malato na bancada. Às 21h15, na RBATV.

Participações de Guilherme Guerreiro, Giuseppe Tommaso e deste escriba baionense, todos em home office.

Jogos Memoráveis

Na Rádio Clube, a agenda de grandes jogos terá a vitória do Remo sobre o Cruzeiro por 2 a 0, no Brasileiro de 1972, primeira participação de um clube paraense no certame nacional; PSC 4 x 0 Avaí, em 2001, segundo título bicolor na Série B, com direito a um carnaval na Curuzu; e a vitória azulina no Re-Pa final do Parazão 2004, título 100%.

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