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Colunistas / Gerson Nogueira

OPINIÃO

Gerson Nogueira: paralisação do Parazão deixa Japiim e Pecel tristes

segunda-feira, 30/03/2020, 08:14 - Atualizado em 30/03/2020, 08:35 - Autor: Gerson Nogueira


Pecel
Pecel | Jivago Lemos/Castanhal

Mesmo que o Parazão 2020 não tenha um final normal, há uma equipe que vem se destacando pela quantidade de gols marcados e pela volúpia com que se lança ao ataque a cada jogo. Terceiro colocado, o Castanhal de Artur Oliveira e Pecel é indiscutivelmente o time mais interessante da primeira fase classificatória. Seria um pecado se não tivesse a chance de disputar a semifinal e, quem sabe?, encarar a finalíssima, 20 anos depois da polêmica decisão de 2000.

Com folha salarial que não chega a um quarto do valor gasto por PSC e Remo, o Japiim entrou na disputa com um objetivo modesto, mas estratégico: alcançar pelo menos o quarto lugar para garantir participação na Série D do Campeonato Brasileiro e na Copa do Brasil.

O projeto deste ano ganhou força com o suporte da parceria com a empresa de Rafinha, lateral do Flamengo. Helinho, presidente do clube, é amigo pessoal e ex-companheiro de time (Coritiba) do flamenguista.

A grande qualidade exibida pelo time é a vocação ofensiva. Mesmo nas derrotas, o Japiim foi determinado e perseguiu o gol até os instantes finais. Bem ao etilo do técnico Artur Oliveira, o time não desiste nunca. É escalado sempre com vários homens de frente e o sistema vem funcionando satisfatoriamente.

Foi o único time a derrota o PSC no campeonato, em virada sensacional nos minuto finais da partida, no Mangueirão. Naquele dia, o Castanhal disse a que veio. Mesmo longe de casa, mostrou foca e perseverança.

Na melhor atuação de um time no campeonato, o Japiim não esmoreceu nem mesmo quando sofreu a virada no começo do 2º tempo, em função de duas falhas defensivas. Defender, como se sabe, não é o forte da equipe (13 gols sofridos, à frente apenas do Carajás, que levou 17 bolas), problema compensado com sobras pela eficiência ofensiva.

Contra o mesmo PSC, na Curuzu, naquela que seria a última rodada disputada antes da paralisação do Parazão, sob temporal e com gamado impraticável, vendeu caro a derrota pelo placar mínimo – com gol em impedimento – e valorizou ao máximo o conceito de derrota honrosa.

Na ocasião, o técnico Artur Oliveira destacou a atuação de seus jogadores, observando que o Castanhal havia feito o PSC sofrer até o apito final. E olha que o time terminou o jogo com apenas nove jogadores em campo.

A composição do ataque, com Pecel, William Fazendinha, Dioguinho e João Leonardo, encaixou perfeitamente. Dos 17 gols marcados – melhor marca da competição, ao lado do PSC, com média superior a 2 gols por jogo –, oito são de Pecel, cinco de Dioguinho, três de João Leonardo e um de Fazendinha.

Dos integrantes do G4, Castanhal e Paragominas seriam os maiores beneficiados com o encerramento do campeonato, pois garantiriam participação nas competições nacionais. Como dificilmente haverá consenso quanto a uma mudança das regras da competição, os jogadores seguem se preparando individualmente em cumprimento ao isolamento social.

No aspecto individual, o goleador Pecel é quem mais perde com a paralisação do Parazão. Em grande fase, o atacante vive seu melhor momento na carreira, depois de boa participação no Bragantino há dois anos.

Apesar de muito bem de saúde, Pecel foi o mais atingido pelos efeitos da pandemia sobre o campeonato estadual. Ninguém perdeu mais do que ele, até mesmo no aspecto financeiro, pois os gols vinham atraindo propostas de outros clubes antes de a competição parar.

Especulações e chutes em tempos de seca noticiosa

A falta de coisas a noticiar sobe futebol tem levado alguns veículos de comunicação a apelarem feio. Alguns mais preguiçosos dedicam-se à mera enrolação. Outros, mais inconsequentes, estimulam fake news. Exemplo disso é a insistência com que emissoras e sites têm alimentado a tese aloprada de encerramento do campeonato estadual com premiação aos times de acordo com a classificação atual.

“Não há amparo legal de encerrar o Parazão e declarar um campeão. Não há no regulamento qualquer previsão neste sentido. Se qualquer movimento nesse rumo fosse tomado, o Remo tomaria as providências jurídicas, tanto na justiça desportiva quanto, se necessário, na justiça comum”, declara o presidente do Remo, Fábio Bentes.

Posicionamento óbvio e previsível. Qualquer outro dirigente de clube nessa situação encararia a ideia dessa forma. Ninguém aceita pacificamente a entrega do título com a primeira fase da competição ainda por encerrar. Caso essa tese fosse levada a cabo, sem a anuência unânime dos clubes, seria impossível evitar uma batalha judicial.

A FPF e os demais clubes não se posicionam oficialmente, até porque o assunto ainda não está em discussão. A CBF tem se manifestado pela continuidade das competições. Por ora, como se vê, nada além de marolas.

Oportunidade para a reinvenção do futebol profissional

“Quando tudo isso acabar haverá um redimensionamento geral: técnicos e jogadores ganharão a metade, o preço dos ingressos vai cair, as TV’s pagarão menos e talvez seja tudo melhor. Será um futebol mais verdadeiro”.

Com esta frase, Carlo Ancelotti, técnico do Everton, levantou uma bola que pode vir a se tornar realidade. Aliás, tomara que esteja certo e o futebol passe pela reinvenção necessária, após a passagem do coronavírus.

O custo dos ingressos, por exemplo, proibitivo para a imensa maioria dos torcedores, criou um apartheid nos estádios do mundo, produto da gourmetização que dominava o futebol até a eclosão da Covid-19.

Ancelotti projeta um futebol diferente em todos os sentidos. Parte da ideia de que o mundo a emergir dos escombros da pandemia seja menos mercantilista e mais humanizado. Que os anjos digam amém.

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